2.4.06

O tempo que não passa


Araucárias-do-Brasil (A. angustifolia) na Casa do Campo, Celorico de Basto - Março de 2006

Há uma espécie de grandeza na imutabilidade aparente, que resiste às mudanças do mundo ou ao correr das estações. Na versão vegetal, os epítomes da constância são as coníferas: não é que não mudem, mas fazem-no devagar ou de um modo subtil que escapa aos olhares desatentos. Não têm floração vistosa, e todo o santo ano se vestem de impertubável verdura. Se as olharmos de perto, vemos despontar as pinhas e notamos o verde mais fresco da folhagem recente. Mas às vezes têm copas tão subidas que é impossível escrutiná-las com o olhar. Baixamos os olhos para inspeccionar os despojos que vão largando no chão: aqui um galho, mais adiante uma pinha. São sinais de vida em quem parece ter deixado de crescer, instalando-se no que é, para a nossa escala temporal, uma reconfortante eternidade.

À entrada da Primavera, solicitados pressurosamente pelas folhosas que se vão revestindo de mimosos rebentos, aqui ficam as duas mais-que-seculares araucárias-do-Brasil da Casa do Campo, em Celorico de Basto. São árvores como estas que nos alimentam a vista durante o Inverno; passam agora para segundo plano, mas sabemos onde reencontrá-las, constantes e fiéis, sempre que quisermos.

2 comentários :

Vera do Val/ inquieta disse...

Lindas araucárias. São árvores caracteristicas do Sul do Brasil, principalmmente Est do Paraná onde existe uma imensidão delas.Árvores altaneiras, ladeiam as estradas, campos enormes cobertos de araucárias. Um abraço.

Anónimo disse...

Estas árvores são realmente muito magestosas ,mas confesso que hoje do que gostei mais foi do modo como falou das coniferas, dessa sensação de bem estar ,de nos fazerem sentir aconchegados em casa , dando essa irreal sensação de que "o tempo não passa",por vezes tão necessaria .
Por aqui temos plantado uns pinhais e esse lento crescer que não me escapa nunca está registado nalgumas fotos.
Um bom domingo .
annie hall do outsider