19.8.06

Sempre-em-flor



O arbusto-borboleta é um excelente corta-vento, de crescimento rápido, folhagem de um lindo verde-azulado, e floração contínua ao longo do ano embora mais abundante no Verão. Pertence ao género Polygala, fácil de identificar pelas flores. Elas agrupam-se nos extremos dos ramos e lembram barquinhos com um penacho no topo da quilha. Cada flor tem três a cinco sépalas e três pétalas; duas das sépalas são maiores, parecem pétalas desenhadas com veios escuros e estão dispostas como duas asas; uma das pétalas tem forma de canoa e suporta um tufo fimbriado.

Cosmopolita, a família Polygalaceae - geneticamente muito próxima da Leguminosae - abriga cerca de vinte géneros e umas mil espécies maioritariamente africanas. A Polygala myrtifolia, de flores roxas, de que vimos muitos exemplares nos jardins de Ponte de Lima, ocorre naturalmente na África do Sul onde são tradicionalmente exploradas as suas propriedades antibacterianas.

O nome Polygala deriva do grego polys, muito, e gala, leite, por se acreditar que a presença desta erva nos pastos promove uma maior produção de leite - o que justifica a designação erva-leiteira que lhe é atribuída em algumas regiões portuguesas.

7 comentários :

Tinta_Azul disse...

As coisas que já aprendi depois de ter descoberto este blog. O arbusto-borboleta é lindíssimo.

Para quem gosta de àrvores aqui deixo um poema de Jorge de Sousa Braga do livro Herbário

As árvores e os livros

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: "Floresta das zonas temperadas".

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

Loolady disse...

Olá

Será que alguém nestes dias com árvores me sabe dar uma pista sobre a tal planta que matou um jovem na Madeira? Charam-lhe Belladona...erva do diabo...mas as imagens que mostraram no telejornal são as de um arbusto, com grandes flores em forma de trombeta, esbranquiçadas. É que eu tenho uma destas no meu quintal , aqui no Porto...
Alguém me dá pistas?

Fátima Freitas disse...

Segundo os jornais aqui da terra, Madeira, o que matou o jovem foi a trombeteira, ou Datura candida, ou Brugmansia. De faco as solanáceas têm má fama.

Anónimo disse...

A beladona é uma solanácea que produz umas bagas pretas com grande toxicidade para quem as ingerir. É espontânea em várias regiões de Portugal continental.
A trombeteira é outra planta, também ela solanácea, igualmente tóxica.
A família das "Solanaceae" inclui todas as batateiras que produzem as vulgares batatas que comemos, além de diversas plantas de jardim. Portanto, nem todas as solanáceas são tóxicas.
Relativamente à beladona e à trombeteira, ambas são inofensivas, se não forem ingeridas. No que respeita à beladona, observei que cabras e ovelhas pastam normalmente sem as ingerir, parecendo "sabê-las" distinguir, o que achei curioso...
Zé Batista, Braga

Anónimo disse...

Há uma plantinha com o nome "Polygala fernandesiana", em que a segunda palavra - o restritivo específico - homenageia um botênico de Coimbra, o professor Abílio Fernandes. O investigador que estudou, identificou e propôs o nome científico para essa planta é o (muito querido dos seus ex-alunos)Dr Jorge Paiva.
Zé Batista, Braga

Maria Carvalho disse...

Obrigada pelas informações muito interessantes sobre a Polygala estudada pelo Dr. Jorge Paiva. Há algum exemplar dela no Jardim Botânico de Coimbra? E podemos vê-la?

Anónimo disse...

A Polygala fernandesiana é uma planta anual, herbácea, com habitat natural em diversas regiões da África Central: Chade, Nigéria, Camarões e República Central Africana.
Está descrita em separata do Boletim da Sociedade Broteriana, Vol III (2ª série): 1459-1462 pp, de Dezembro de 1981.
Não sei se a planta viva está no Jardim Botânico de Coimbra. Parece-me mais provável que esteja em herbário...
Zé Batista, Braga.