Leiteira de vida curta
A foto mostra a inflorescência frouxa de uma das quatro espécies de Polygala que ocorrem em Portugal, sendo este um género populoso, com mais de setecentas espécies. Das quatro, esta herbácea pequenina é a única anual, com uma haste floral de cerca de 10 cm de altura onde as flores parecem tristemente penduradas, à excepção da do topo, e sem a companhia de folhas. Ora, não é bem assim: quase toda a flor é feita de folhas alteradas. Vejam-se as sépalas de cor verde ou rosa-pastel, com nervuras salientes e a fingirem-se de folhas para mais bem protegerem a corola; repare-se nas duas sépalas enormes como orelhas e nas três pétalas a formarem um chapéu e uma quilha, onde se resguarda a coluna de estames (como costumamos ver nas leguminosas, e está comprovada a proximidade genética entre as famílias Fabaceae e Polygalaceae). Dizem que só polinizadores espertos como as abelhas sabem invadir este refúgio. Por certo, a crista fimbriada branca que se vê na foto não é só um enfeite, mas não sabemos que benefício retira dela a flor (ou, de resto, qual a vantagem desse apêndice nos galos).
A Polygala monspeliaca deve o epíteto a Montpellier, no sul da França, mas é nativa da região mediterrânica, Península Ibérica, ilhas Baleares e norte de África. Em Portugal continental só há, de momento, registo dela no centro e sul. Este exemplar é de Sintra, de uma clareira de um mato de solo seco perto do mar; mas também vimos esta planta nas margas escorregadias do Horst de Cantanhede.






