4.1.10

Açafate perfumado


Lobularia maritima (L.) Desv.

Açafate-de-prata é um dos nomes desta planta dunar, frequente no sul da Europa e no norte de África, que conquistou, graças ao doce aroma das suas flores, lugar de honra como planta anual na jardinagem dos países mais frios. Designa ainda açafate, segundo os dicionários, um cesto baixo, sem tampa e sem asa, feito de verga fina. E, apesar de os dicionários não abonarem tal uso, também é (ou era) costume, na literatura sobre jardinagem, chamar açafates aos maciços de plantas floridas dispostas com intenção mais ou mais geométrica.

Talvez por um acaso feliz, a planta parece reunir todos os atributos que a palavra açafate evoca: as flores agrupadas em esferas quase perfeitas parecem obra de jardineiro consciencioso, preocupado com a simetria dos seus arranjos; e o conjunto evoca aqueles cestos floridos com que se enfeitam as mesas em festas e congressos. Em suma, poucas plantas há, como esta, que revelam ainda na natureza um aprumo tão civilizado e uma tão decidida vocação ornamental.

Era pois inevitável que dela se desenvolvessem numerosos cultivares. Não que a planta precisasse de ser melhorada, mas os horticultores não resistem a brincar com essas coisas. Existem assim, hoje em dia, variedades para jardim com flores cor-de-rosa, púrpura e de outros cambiantes intermédios. Mas mantêm-se o perfume (esse não havia como mudar), as dimensões exíguas da planta (não mais que 30 cm de altura), e o bom hábito de, em climas amenos, florir quase o ano inteiro.

3 comentários :

Maria da Luz Borges disse...

Esta é uma das plantas da minha infãncia, que a falta de carro familiar levava a viagens constantes de comboio. E esta a plantinha que enchia qualquer canteiro de estacão da CP. Talvez por requererem poucos cuidados. e eu lembro-me de todos os raminhos que fiz com elas até que um chefe de estação rabugento, chamou o meu Pai e o obrigou a pagar uma multa por ter uma filha que danificava o património da CP. Claro que na altura eu acabei a detestar a pobre da plantinha, pois, graças a ela eu tive uma semana de castigo...
Hoje olho para ela com saudade e até a acho bonita. Só não sei onde encontrá-la, pois, seguramente, porque hoje em dia os pais em vez de pagarem a multa iam mandar prender o chefe da estação por traumatizar a criancinha, a CP transformou os seus pequenos canteiros de outros tempos em plataformas de cimento. assimtêm mais espaço para os passageiros e evitam muitos degostos, trabalhos e traumatismos...

Paulo Araújo disse...

E também há as estações abandonadas, coisa em que a CP e a REFER se têm esmerado nos últimos anos, em particular em Trás-os-Montes. Deixa de haver floreiras ou canteiros cuidados, mas aparecem muitas flores silvestres.

(Quanto à Lobularia, ainda se vê nalguns jardins - por exemplo em Tibães - e nas dunas é relativamente fácil de encontrar.)

Maria da Luz Borges disse...

Obrigado pela informação.
Vou estar atenta às dunas...
Luz