13.2.18

Cardo manso dos calcários


Klasea nudicaulis (L.) Fourr.



A família das asteráceas, que inclui malmequeres, cardos e algumas ervitas que diríamos insignificantes, totaliza mais de 30000 espécies e é a mais numerosa e variada à face da Terra. Há quem defenda que esse galardão cabe à família das orquídeas, ou que ele deve ser partilhado ex aequo pelas duas famílias, mas a discrepância de opiniões sobre os limites de cada espécie leva a que seja impossível tirar uma conclusão aceite por todos. Como entre os aficionados de orquídeas qualquer pequena variação leva ao reconhecimento de uma nova espécie, e essa prática não costuma ser seguida pelos adeptos de cardos e malmequeres, é de crer que o número de espécies de orquídeas esteja muito mais inflacionado que o de asteráceas. Justifica-se assim o nosso voto na primazia das segundas.

Dentro da grande família das asteráceas, cardos e malmequeres correspondem a duas das tribos mais bem representadas na flora europeia. Em ambos os casos, as flores são diminutas (é mais apropriado chamar-lhes florículos) e estão reunidas em capítulos. Nos malmequeres, os florículos são de dois tipos: os tubulares, que formam o disco central; e os ligulados, que dão as (impropriamente chamadas) pétalas (ver foto). Na tribo Cynareae (é esse o nome pomposo da tribo dos cardos e afins), os florículos são todos semelhantes; e, como se pode comprovar nas fotos acima, têm um aspecto bem diferente daqueles que compõem os capítulos dos malmequeres.

Na tribo dos cardos, que acolhe géneros tão agressivos e não-me-toques como Carduus e Onopordum, nem todas as espécies são espinhentas, e como exemplo de cardo-manso serve bem esta Klasea nudicaulis que encontrámos num prado em terreno calcário pedregoso algures na Cantábria. Trata-se de uma herbácea vivaz, quase glabra mas por vezes com folhas de margens ciliadas, com caules erectos e simples de não mais que 60 cm de altura, rematados por um único capítulo. As folhas basais são numerosas, largas e com o nervo central bem marcado; as caulinares, que existem apesar do epíteto nudicaulis, são poucas e quase lineares.

A Klasea nudicaulis está muito disseminada pelo norte e oeste de Espanha, e a sua distribuição global abrange ainda os dois lados do Mediterrâneo ocidental: França e Itália a norte, Marrocos a sul. A sua ausência em Portugal é compensada pela presença, nos calcários do centro e sul do país, da endémica Klasea baetica subsp. lusitanica.

Embora tenha sido criado em 1825, só no século XXI é que o género Klasea ganhou aceitação generalizada, acolhendo uma série de espécies antes arrumadas no género Serratula mas divergindo genética e morfologicamente da S. tinctoria, única espécie ibérica que sobrou da debandada. A diferença que mais salta à vista é que as hastes da S. tinctoria são ramificadas, encimadas por numerosos capítulos.

2 comentários :

Majo Dutra disse...

Abunda por aqui, no Algarve.
Nos declives, exerce uma função anti-erosiva importante.
Dias agradáveis, mesmo sem árvores...

bea disse...

E um cardo inofensivo para as mãos. O que conheço bem é essa variedade de ervinhas da família.