Mostrar mensagens com a etiqueta Phytolaccaceae. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Phytolaccaceae. Mostrar todas as mensagens

15/06/2007

... que em nada são iguais



Phytolacca heterotepala / Phytolacca dioica

Destas duas plantas congéneres, e tal como sucede às musas do conhecido bardo lusitano, uma é grande, outra é pequena; uma é loura, outra é morena... E aqui fazemos uma pausa para precisar que a planta pequena, norte-americana de origem, é que seria loura; enquanto que a grande, importada do país do carnaval, seria por lei morena ou mesmo mulata. Mas é artificial associarmos esses adjectivos aos diversos tons de verde, e por isso interrompemos de vez o paralelismo e mudamos para um registo mais sério.

A Phytolacca heterotepala é uma herbácea perene que pode atingir os 2,5 metros de altura e está naturalizada no nosso país. A Manuela já antes aqui nos tinha falado de uma sua congénere muito semelhante (e mais comum), a Phytolacca americana, conhecida como tintureira.

A Phytolacca dioica é uma árvore brasileira, conhecida em Portugal como bela-sombra. A sua copa é muito ampla e, nos exemplares mais idosos, as raízes intumescidas emergem do chão e amontoam-se à volta do tronco. Há pelo menos quatro belas-sombras classificadas de interesse público em Lisboa: duas delas junto à Igreja dos Anjos e outra duas no Campo Santana. Podem ver-se fotos dessas quatro árvores em Árvores isoladas, maciços e alamedas de interesse público, publicação da DGRF; no entanto, nenhuma delas é comparável ao exemplar ribatejano que a Ana Paula nos mostrou no seu blogue.

Essas duas primas americanas reuniram-se no velho mundo; mais precisamente na encosta de Massarelos, no Porto. A tintureira vegeta, talvez espontânea, no jardim das aromáticas do Palácio de Cristal; quase à mesma cota, mais a poente, encontramos esta inesperada bela-sombra num velho caminho rural a que o pedantismo da Porto 2001 chamou romântico. A casa a que a bela dá sombra está em obras. É bom que as obras se façam se as duas, árvore e casa, lhes sobreviverem: pode ser que, depois de concluídas estas, se lancem outras obras de recuperação. É que do romantismo que é composto de abandono, pobreza, lixo e vandalismo estamos já bem servidos.

04/11/2005

Tintureira -Phytolacca americana

.
Há já uma semana que passo por elas e lhes chamo contente: ai, suas "fitolacas"!



Phytolacca americana - Beiriz (Póvoa de Varzim) Outubro 2005

Gosto de aportuguesar as designações científicas dos géneros, mas no caso destas interessantes plantas que espreitam em todos os valados e penduram os seus cachos vistosos pelos muros, são muitos os nomes que poderia escolher, e todos eles contam histórias:
Em português-Tintureira, Erva-da-América, Uva-da-América, Erva-dos-cachos-da-Índia, Uva dos-passarinhos, Vinagreira; em inglês- American nightshade, Inkberry, Pigeon berry, Pokeberry; em francês- Raisin d'Amérique ou Teinturier, Épinard de Cayenne ou Épinard des Indes ou Phytolaque américaine, Morelle en grappe, Phytolaque à 10 étamines; em italiano- Fitolacca, Uva da colorare, Vite di Spagna, Phytolacca americana, Uva turca, Cremesina uva-turca; em espanhol- Yerba carmen, Raïm de moro, Fitolaca.
(fonte: A Fleur de PAU e Portugal Botânico de A a Z)

Segundo o dicionário de Stearn : «Phytolacca (...) from Gr. phyton, a plant; modern Latin lacca, from Hindi lakh, referring to the dye extracted from the lac insect*. The allusion is to the staining qualities of the fruit which has been used to redden wine.» (*a cochonilha Laccifer lacca).

Acho especialmente bonito o português Uva dos-passarinhos e o italiano Cremesina, mas escolhi Tintureira para o título por ser realmente uma das características mais marcantes deste arbusto vivaz, sobretudo das suas bagas carmim escuro. Estas (e outras partes da planta) contêm elementos tóxicos para os mamíferos mas que não afectam os pássaros.
(A ler artigos da Wikipedia: Pokeweed ; Raisin d'Amérique )