20.1.07

Todas as árvores apaziguam o espírito

«Todas as árvores apaziguam
o espírito. Debaixo do pinheiro bravo
a sombra torna metafísica
a silhueta de tronco e copa.
Em volta da ameixoeira temporã
vespas ensinam aos meus ouvidos
louvores. As oliveiras não se movem
mas as formas da essência desenham-se
cada dia com o vento.

Na sombra os frémitos
acalentam o pensamento
até ao não pensar. Depois
até sentir a vacuidade
no halo de flores que o envolve.
Sob as oliveiras, por fim,
que não se movem contorcendo-se,
concebe o não conceber.»


"Infância", in Três Rostos,1989
Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)

2 comentários :

Anónimo disse...

Triste. Saudade da mulher-árvore, sempre de pé mas ...
"Lisboa tem barcas novas ...".
Há-de passar o tempoo. Para que se lembrem que a poesia foi a sua arma e lhe façam a póstuma homenagem. Abç

Anónimo disse...

Um grande abraço, e obrigado pela selecção, gosto muito do blog.