15.2.07

A florir num semáforo perto de si


Teucrium fruticans

- O senhor quer então fotografar esse arbusto, e por isso continua agachado na passadeira apesar de o semáforo já ter mudado de cor umas quatro vezes. Admito que queira procurar o melhor ângulo, sob pena de a foto não fazer jus ao seu objecto - e sem dúvida que bem a meio da faixa de rodagem é o local mais apropriado para o fazer. Mas não acha que já demorou demasiado?

- Ora bem, sabe como são estas máquinas
reflex
. Se quisermos aproveitar todas as suas potencialidades, temos que regular manualmente a profundidade de campo, o tempo de exposição, essas coisas. E agora que o senhor me distraiu vou ter que recomeçar tudo do princípio.

- Peço muita desculpa por o incomodar; faça de conta que não estou cá. Entretanto, já que tão cedo não poderei avançar, aproveito a oportunidade e saio do carro para admirar de perto este belo canteiro.


Este um diálogo que, imagino, seja frequente na mítica Europa do Civismo lá para as bandas do círculo polar árctico. Isto se por lá houver, como no Porto, canteiros floridos a enfeitar semáforos e separadores centrais, que é onde se refugiaram as flores na cidade depois de terem sido expulsas dos jardins. Como se sabe, em Portugal em vez de civismo o que temos é pressa: os peões correm para fugir dos automóveis; os automobilistas, sempre atrasados, correm para apanhar o vermelho ainda fresco (um vermelho com menos de cinco segundos é moralmente verde).


Teucrium fruticans

Assim, e uma vez que também o encontrei nos jardins do Palácio de Cristal, não foi junto aos semáforos do Campo Alegre que fotografei, com risco da própria vida, o arbusto que aqui trago hoje. Sobre ele não tenho muito a dizer: o nome científico é Teucrium fruticans, pertence à família Labiatae (como deixam adivinhar as flores semelhantes às da Salvia, outro género da mesma família), e é nativo do sul da península Ibérica; as folhas são penugentas, verdes-esbranquiçadas por cima e brancas por baixo, o que confere ao arbusto uma bonita cor pálida e justifica o nome comum de mato-branco.

4 comentários :

Alexandre disse...

Dizem que o círculo polar árctico é um lugar óptimo para se viver: não há peões fugitivos, nem automobilistas assassinos. Pena é, lá, não existirem muitos arbustos ou árvores como os que aqui são mostrados.

estevaohnh@yahoo.com.br disse...

Desculpem lá este comentário "nada a ver", mas eu só queria uma ajuda na identificação de 3 ou 4 espécies de árvores. Sou professsor de Geografia e tou a preparar um pequeno trabalho para os meus alunos do 7º ano para comemorar o Dia da Floresta. Como não estou muito familiarizado com blogs não sei bem como e se posso publicar as fotos dos taxa a identificar. Qem tiver disponibilidade a ajudar-me agradecia desde já...

Paulo Araújo disse...

Pode enviar-nos as fotos para

dias-com-arvores@sapo.pt

e tentaremos ajudá-los a identificar as árvores. Em alternativa, pode publicar as fotos nalgum dos muitos servidores gratuitos que agora existem, e depois enviar-nos o respectivo endereço. Ultimamente tenho usado o Photobucket (http://photobucket.com/), que é fiável e fácil de usar - só precisa de começar por abrir uma conta.

asn disse...

Mas é verdade, sim senhor. Já me aconteceu, muitas vezes, ser tentado a fotografar em zonas perigosas, encostar o carro, num bocadinho duma faiza lateral, com o carro meio dentro meio fora da faixa de rodagem.
Às vezes até apetece aproveitar o sinal vermelho do semáforo...
Só que, de facto, o perigo é iminente, já não bastam as situações imprevistas em que a nossa vida está permanentemente em risco?
De qualquer modo, há fotografias que não se conseguem sem se correrem certos riscos, eu já o fiz, alguma vezes. Sem estar à espera de prémios Pulitzer e outros que tais. Doido? Não creio ser o caso, mas pode parecer a quem nos estiver a observar!...
Um abraço
António