6.3.08

Zimbro-galego


Juniperus oxycedrus - vale do Tua

O zimbro - nome vulgar que abrange as árvores e arbustos do género Juniperus - é uma das coníferas mais versáteis e com mais usos em jardinagem e em paisagismo: as formas prostradas ou rastejantes usam-se como cobertura do solo - preferível à relva e não só pela poupança de água -, ao passo que as formas arbóreas ou arbustivas se adaptam, pela morfologia variável, a um grande número de contextos, havendo-as com copas fusiformes, piramidais ou arredondadas. Coisa rara entre as coníferas, os frutos são bagas carnudas que servem de alimento a pássaros - embora se deva ressalvar que, sendo dióicos quase todos os Juniperus, tal maná para a fauna alada só é fornecido pelos indivíduos femininos.

Uma das quatro espécies do género Juniperus dadas como espontâneas em Portugal continental é o zimbro-galego (J. oxycedrus). Originário do sul da Europa, desde a Turquia à Península Ibérica, a sua presença no nosso país restringe-se a algumas áreas montanhosas no interior norte e centro. Tal como no zimbro-comum (J. communis), também espontâneo em Portugal, as folhas do zimbro-galego são aciculares, e a planta nunca chega a desenvolver a folhagem escamosa presente na maioria das suas congéneres. A distinção entre o zimbro-comum e o zimbro-galego poderia ser problemática, mas a dúvida resolve-se examinando as folhas: as do segundo têm na face superior duas faixas longitudinais brancas (pode vê-las melhor clicando na foto em cima), e as do primeiro têm uma só faixa.

P.S.
1) Veja
aqui as bagas do zimbro (não temos a certeza, mas, atendendo ao local onde as fotos foram tiradas, é de crer que também se trate de um J. oxycedrus).
2) Leia o informativo comentário aqui deixado por P. Faúlha.

5 comentários :

P. Faísca disse...

Caro P. Araújo,

São de facto bagas de J. oxycedrus.

Só acrescentava mais duas características de diagnóstico face aos outros 5 Juniperus existentes em Portugal (não esquecer o J. navicularis, provavelmente o único arbusto arborescente endémico de Portugal continental, e os dois Juniperus das ilhas [J. brevifolia dos Açores e J. cedrus da Madeira], cada vez mais frequentes no Continente):
1. o J. oxycedrus apresenta as acículas mais compridas, até 2,5 cm ou um pouco mais (em segundo vem o J. cedrus);
2. as suas "agulhas" picam que se fartam!

Abraço

P. Faísca

Paulo Araújo disse...

Caro P. Faísca,

Obrigado pelos seus úteis esclarecimentos. Aproveitei para corrigir o texto em conformidade.

Abraço,
Paulo Araújo

Miguel disse...

Curioso o nombre de zimbro galego, entre outras cousas porque esta espécie de zimbro (ou genebreiro) não ocorre na Galiza.

Saudinhos.

THOMASRIEPENHAhomasr disse...

Caro senhor, sabe-me dizer onde comprar zimbros, pequeninos, para floresta?
thomasriepenhausen@gmail.com

Paulo Araújo disse...

Gostavar de o ajudar, mas não conheço nenhum horto em Portugal que venda Juniperus oxycedrus. A solução é reproduzi-lo por semente - talvez o Verão seja a melhor altura para recolher frutos. Este zimbro é frequente na bacia do Alto Douro e também junto às Portas de Ródão, no rio Tejo.