6.6.08

Cornichão


Lotus corniculatus subsp. carpetanus [= Lotus glareosus]

Lotus era como os antigos gregos chamavam a diversas plantas leguminosas, incluindo aquelas que constituem hoje o género com o mesmo nome. Contudo, por razões que custa perceber, esse nome foi, em várias línguas europeias (portuguesa, francesa e inglesa, pelo menos), usurpado pelas plantas aquáticas dos géneros Nelumbo e Nymphaea (os vulgares nenúfares). Podendo chamar-se ninfas, que falta fazia a essas plantas um nome que por razões históricas e científicas era pertença de outrem? Que a cobiça não é um exclusivo humano é o que parece ensinar-nos esta história.

A planta de hoje é espontânea em Portugal e Espanha, e foi fotografada há poucas semanas no Parque de Avioso, na Maia. Esse é um espaço que vale bem a pena visitar nos meses de Abril e Maio, quando as urzes, as giestas, os sargaços e o tojo recriam, a uma escala miniatural e com o apoio cromático de umas quantas herbáceas, as cores primaveris das nossas montanhas.

Há uma planta semelhante a esta, L. corniculatus subsp. corniculatus (ou, dependendo do autor, simplesmente L. corniculatus), que se encontra disseminada por toda a Europa e também é conhecida por cá como cornichão. As flores de ambas as espécies (ou subespécies) são de um tom amarelo torrado e estão marcadas por estrias vermelhas. Mas a L. corniculatus subsp. carpetatus - que, dado o seu âmbito geográfico, podemos baptizar de cornichão-ibérico - tem um hábito mais prostrado e, ao contrário da sua irmã, é revestida por uma densa penugem prateada.

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