25.9.09

Urze-dos-pântanos


Erica tetralix L.

São as urzes que pintam de lilás as nossas serras por altura da Primavera. Faz-nos bem vê-las, assim como nos faz bem respirar o ar perfumado da serra; mas a familiaridade embota a vista e, sendo elas tão corriqueiras, acabamos por não lhes dar muita atenção. Adivinhando a trabalheira que seria destrinçá-las, é grande a tentação de as considerar tão só como cenário, nunca as chamando à boca do palco. Porém, ao fim de cinco anos de existência do blogue, mau seria se ainda nos tolhessem tais receios infantis. Avancemos pois confiadamente para a nossa primeira Erica. (Assinale-se, contudo, que já antes falámos de outras urzes: a Calluna vulgaris e a Daboecia cantabrica.)

Contam-se em cerca de 850 as espécies do género Erica, das quais mais de 660 são sul-africanas. Aqui na Península contentamo-nos com 15 espécies espontâneas, e só uma delas (E. andevalensis) é um endemismo ibérico. A Erica tetralix tem uma área de distribuição ampla, que se estende até ao centro e norte da Europa. Preferindo terrenos húmidos ou pantanosos, não aparenta ser muito vulgar em Portugal. Encontrámos os exemplares acima retratados nas imediações da Barragem Cimeira, na Serra do Alvão; mas outras espécies de urzes (E. scoparia e E. cinerea) eram por lá muito mais abundantes.

A Erica tetralix, que tomámos a liberdade de rebaptizar como urze-dos-pântanos - os nomes legitimados pela tradição são margariça e urze-peluda -, não costuma exceder os 70 cm de altura, e floresce tardiamente, de Junho a Outubro. Distingue-se das suas congéneres pela disposição das folhas (em grupos de quatro, abraçando os nós dos galhos), pela penugem que recobre toda a planta (incluindo os cálices das flores), e pelas flores agrupadas em umbelas nas extremidades dos ramos.

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