7.12.09

Erva-saboeira


Saponaria officinalis L.

Aqui está uma planta de vocação higiénica, bem oportuna nesta momentosa época de epidemias globais em que somos incentivados a lavar as mãos, o rosto e (quem sabe?) os pés antes, durante e depois de qualquer acção que envolva contacto com superfícies ou objectos potencialmente contaminados. Pois quando não havia produção industrial de sabonetes sólidos, líquidos ou em pó, nem supermercados ou drogarias que vendessem tais produtos, havia que recorrer ao que a natureza providenciasse. A erva-saboeira (Saponaria officinalis), como é óbvio, fornece sabão: as suas raízes contêm uma alta concentração de saponina, substância detergente que, em contacto com a água, produz espuma abundante. Além de indicado para a higiene do corpo, esse sabão rústico é (ou era) usado para lavar peças de lã, tapeçarias e outros tecidos delicados. E, para sublinhar ainda mais a utilidade da planta, houve um tempo em que ela gozou de alguma reputação no tratamento do reumatismo, da gota e das doenças de pele.

Sendo tão prendada, é natural que a Saponaria officinalis se tenha disseminado, por via do cultivo, muito para lá da sua região de origem - que, em todo o caso, é bastante ampla, abrangendo a maior parte da Europa e estendendo-se até à Sibéria. Encontra-se, por exemplo, naturalizada nos Estados Unidos. Em Portugal vê-se por todo o lado em terrenos ruderais, margens de rios, bermas de estradas e de caminhos. É uma planta perene, florindo de Junho a Setembro, que se propaga facilmente por rizomas, com numerosos caules de 60 cm a 1 m de altura encimados por cachos floridos. As folhas, ovadas, estreitas e ásperas, com nervuras longitudinais bem vincadas, vêm dispostas aos pares; as flores exibem cálices tubulares arroxeados, e as suas cinco pétalas, que começam por ser brancas, tornam-se cor-de-rosa ao murcharem.

4 comentários :

Pedro PM disse...

E deve ser um detergente com autoridade para afirmar o seu aroma "floral".

Paulo Araújo disse...

Pois, se estivesse à venda teria a vantagem sobre a concorrência de ser um produto natural genuíno, e não uma imitação química de coisas silvestres. Vejamos se algum empreendedor pega na ideia.

Unknown disse...

será que se pode encontrar em zonas do alentejo ?

Paulo Araújo disse...

A acreditar no mapa de distriubição nesta página, parece que sim, embora ela seja bem mais frequente no norte.