8.2.11

Erva-das-nuvens



Sanicula europaea L.


Sanicula azorica Guthn. ex Seub.

The Greeks were right when they made Apollo the god both of imagination and of sanity; for he was both the patron of poetry and the patron of healing. G.K. Chesterton (Orthodoxy, 1908)

Insanos, quase não fotografámos esta herbácea ao vê-la tão pequenina e com inflorescências que nos pareceram de asterácea: capítulos de uma dezena de flores masculinas na periferia e uma ou duas flores hermafroditas ao centro. De facto, trata-se de umbelas: as flores exteriores, com cinco pétalas brancas de cerca de 3 mm de comprimento, são pediceladas e formam um "guarda-chuva" aberto. E afinal esta planta é parente da cenoura (Daucus carota L.), da salsa (Petroselinum sativum L. Mill.) e da cicuta (Conium maculatum L.), e útil como as duas primeiras: a infusão das folhas, com aroma a coentro, é ainda hoje recomendada como antiséptico e expectorante.

A sanícula é uma planta perene, rizomatosa, que requer prados húmidos e sombrios em bosques de montanha, mas não é caprichosa quanto ao substrato. Da Península Ibérica, prefere o norte - e na serra do Açor, onde a encontrámos, só ocorre na Mata da Margaraça (a julgar pelo livro A flora da Serra do Açor, de Paulo Cardoso da Silveira). As folhas, quase todas em ramalhete basal e com pecíolos curvados que nem sachos, são palmadas com cinco a sete lóbulos. A floração decorre entre Abril e Julho e os frutos são cerdosos (vêm-se dois numa das fotos).

O género Sanicula abriga duas espécies europeias, a S. europaea (da Europa, Ásia Menor e norte de África) e a S. azorica, um endemismo açoriano conhecido como erva-do-capitão, de habitats permanentemente encharcados (a chamada zona das nuvens), presente em poucos locais e quase sempre em populações pequenas. Diferem pouco na fotografia, mas de facto a açoriana é muito mais alta e tem folhas maiores com dentes aguçados nas margens.

Sanicula é um diminutivo do latim sanu, que alia o são ao sisudo.

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