24.5.11

V-de-pétala


Stellaria alsine Grimm

Só nos meses de floração, em geral na Primavera e início do Verão, as ervas do género Stellaria se destacam em bosques, charnecas e estuários. Apesar de quase cosmopolita, esta estrela ribeirinha não foi fácil de encontrar pois só cresce em sítios húmidos e sombrios (já se chamou Stellaria uliginosa) e as sépalas medem menos de 3 milímetros de comprimento.

É uma herbácea perene de rizoma ramificado, caules delgadinhos, quadrangulares e rastejantes, com folhas lanceoladas, sésseis e vincadas ao centro. As inflorescências de poucas flores são axilares ou terminais, e as cinco pétalas brancas, menores que as sépalas verdes, são fendidas quase até à base, cosendo-se cada metade à da pétala adjacente, o que justifica a designação bog stitchwort. Não sabemos que vantagem tem esta configuração em que as pétalas fingem estar de braço dado com a pétala vizinha, mas o efeito é bonito e repete-se na S. debilis, a única espécie do género na Patagónia.

As sépalas lembram empregados de mesa ágeis que seguram a bandeja com várias xícaras enquanto rodopiam pela sala: desunidas, suportam o tabuleiro de pétalas e afunilam na base, formato incomum em outras morugens. No centro da flor, há em geral dez estames e três estiletes de cerca de um milímetro. O fruto é uma cápsula verde com sementes vermelhas e tantas aberturas quantos os estiletes.

A origem do epíteto alsine é obscura, embora o dicionário Houaiss assegure que deriva do grego alsos, lugar com árvores.

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