27.6.11

Couve, alface e colher



Alisma plantago-aquatica L.

Na Poça da Ladra, em Francelos (litoral de Gaia), o único sinal de gatunagem é terem roubado a água quase toda. Antes havia ali uma verdadeira lagoa onde desaguavam vários ribeiros. Com a urbanização acelerada das últimas décadas do século XX, os ribeiros foram entubados ou desviados e a lagoa foi entulhada: no lugar que antes lhe pertencia há agora ruas e moradias com relvados e palmeiras. O pouco que sobrou não se chama lagoa nem charco, mas sim poça: alimentada exclusivamente pela água da chuva, nos anos de estiagem está praticamente seca logo no início da Primavera. A vegetação aquática vai desaparecendo, vitimada tanto pela míngua de água como pelo cerco das canas (Arundo donax) e dos chorões (Carpobrotus edulis).

De modo que esta população de colhereira, erva-alface ou erva-couveira (tudo nomes certificados pela Flora Digital de Portugal), a única que conhecemos em todo o concelho de Vila Nova de Gaia, está a prazo condenada ao desaparecimento. Como este episódio gaiense anda longe de ser caso único a nível nacional, é de recear que a Alisma plantago-aquatica, planta que já foi vulgar no nosso país, tenha conquistado o direito a figurar no sempre adiado Livro Vermelho da Flora Vascular de Portugal.

O que lhe vale é ser ela uma cidadã do mundo, presente como nativa em grande parte do hemisfério norte, desde a América à Europa e ao Extremo Oriente. É uma planta vivaz, que vive em lagos pouco profundos ou nas suas margens, e que, com as suas hastes floridas muito ramificadas, pontilhadas pelas diminutas flores (1 cm de diâmetro), é capaz de atingir um metro e meio de altura. Tem folhas exclusivamente basais, com cerca de 30 cm de comprimento, pontiagudas e dotadas de pecíolos longos. A sua floração, pelo menos no litoral, começa logo em Abril e estende-se até Julho ou Agosto.

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