15.6.13

Arroz nordestino



Sedum rubens L.

As plantas do género Sedum, a que colectivamente gostamos de chamar arrozes por causa da folhagem miúda, especializaram-se, de um modo geral (há excepções), em colonizar lugares secos e quentes, funcionando as folhas carnudas como reserva vital de água. Dir-se-ia que a sua morfologia peculiar as preparou para resistirem anos a fio às condições mais adversas, sem receio da estiagem ou das variações extremas de temperatura. Com alguma estranheza, aprendemos que há espécies de Sedum que são anuais, contrariando a corajosa opção de vida da maioria das suas congéneres. Para quê tal aparato defensivo contra as inclemências do tempo se a intenção é desistir logo ao fim da primeira temporada?

Entre as espécies anuais duas há que nos recordam que o norte se divide em noroeste e nordeste, pois não é só na paisagem que o Minho verdejante e superpovoado difere das ermas lonjuras transmontanas. Da segunda espécie daremos notícia proximamente; a primeira é o S. rubens, que ocorre esporadicamente nuns poucos cumes nordestinos, com Espanha quase à vista. Se bem que, de acordo com a Flora Ibérica, a espécie exista em todas as províncias portuguesas tirando o Minho e a Estremadura, os escassos registos no portal Flora-On sugerem que ela é pouco vulgar.

O S. rubens é uma planta glandulosa, avermelhada, com hastes simples ou pouco ramificadas que se costumam ficar pelos 7 cm de altura; as flores, que são sésseis e se apresentam agrupadas em cimeiras terminais, têm uns 6 a 8 mm de diâmetro, com cinco pétalas brancas tingidas de rosa no ápice; o fruto (foto 3) tem a forma de uma estrela de cinco pontas, e vem recheado com inúmeras sementes mínusculas.

Adenda. Obrigado ao Miguel Porto por ter corrigido a identificação da planta.

3 comentários :

bea disse...

A sobrevivência dita tanto da morfologia das plantas que me pergunto se nas características mais pessoais que de espécie – aquilo a que Aristóteles chamaria acidentes - será visível, nos seres humanos, esse esforço de viver. Já li que o cérebro e as ligações neuronais dizem o percurso individual, nos mapeiam a vida. Mas, quem sabe, tenhamos o equivalente a essas folhas carnudas, do caespitosum. E um observador mais atento as enxergue.

E até nas espécies sedum o mistério existe. Ou serão burrinhas mesmo:):
“Para quê tal aparato defensivo contra as inclemências do tempo se a intenção é desistir logo ao fim da primeira temporada?”

Admiro as sedum. É obra sobreviver no meio de tais agruras. Têm o meu entendimento. Que de nada lhes serve. Mas pronto.

Carlos M. Silva disse...

Olá
Não sei se haverá mais variedades destes 'arrozes' que do arroz cultivado; em todo o caso ..e à excepção de um ou dois, principalmente estes de coloração branca, só mesmo pormenores ..e claro a clara intenção de os encontrar ..ou encontrando-os ..saber que ..serão diferentes! E não será o meu caso ..que os não distingo.
Serão das plantas mais resistentes.
Andando na N13/N14 (Via Norte),à Unicer,e 'desejavelmente em fila e na faixa esquerda' pois não!,e até por que tem de ser..preventivamente!), chegado o mês de Maio e ainda agora, creio, ..é ver um destes (não este certamente!) tocando a linha demarcadora da faixa e fugindo ao pequeno mundo de herbáceas e plantas que o espaço entre as faixas permite, e espaço esse que ainda existe (e ainda bem) em parte dela.
Pena ..que não me possa meter por aí ..como quem passeia ..por que há alturas do ano em que, mesmo de passagem, dá vontade de parar!
Abraço.
Carlos M. Silva

Paulo Araújo disse...

Sim, há pelo menos um Sedum que frequenta separadores de vias rápidas e de auto-estradas. A velocidade a que costumo passar por ele não permite arriscar uma identificação (nem sei se é sempre o mesmo). Mas talvez na Via Norte, num dia de trânsito mais emperrado, possas tirar uma foto num instantinho enquanto a bicha não avança.

Abraço,
Paulo