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20/06/2020

Ensaiões


Aeonium aureum (Hornem.) T. H. M. Mes [= Greenovia aurea (Hornem.) Webb & Berthel.]


It is a law of nature we overlook, that intellectual versatility is the compensation for change, danger and trouble. An animal perfectly in harmony with its environment is a perfect mechanism. Nature never appeals to intelligence until habit and instinct are useless. There is no intelligence where there is no change and no need of change.

H. G. Wells, The Time Machine, 1895


Aeonium spathulatum (Hornem.) Praeger

29/11/2019

Festival de mini-suculentas

Crê-se, com algum fundamento, que as espécies que ocorrem nas ilhas Canárias descendem de plantas de regiões mais antigas, no continente europeu ou africano. Uma vez nas ilhas, a adaptação induziu mudanças que geraram versões autónomas, hoje endemismos com uma ténue lembrança dos seus progenitores. Ainda que pareça ser evento raro, estas espécies podem re-colonizar o continente, fazendo a viagem inversa da dos seus antepassados. Alguns estudos sugerem precisamente esse retorno relativamente ao género Monanthes, com centro de dispersão em Tenerife.


Monanthes polyphylla Haw.



As plantas deste género, suculentas que não suportam o frio, terão tido origem em regiões tropicais. Mas a maioria das cerca de dez espécies conhecidas de Monanthes está nas ilhas Canárias, ocorrendo uma nas Selvagens (M. lowei). Ou seja, de momento estão essencialmente desaparecidas no continente, sobrevivendo nas ilhas enquanto não arriscam a travessia de volta. Bem, não é exactamente assim. Tal como os cactos, não requerem cuidados de manutenção, exigindo apenas solo magro e pouca água, num ambiente quente mas sem calor excessivo. Por isso são muito apreciadas em jardinagem -- um uso que pode revelar-se um método eficaz (ainda que artificial) de dispersão.


Monanthes brachycaulos (Webb) Lowe


O que se nota de imediato ao ver estas plantas é a roseta mais ou menos densa de folhas carnudas, glaucas, rosadas ou verdes, de caule curto, garantindo assim mais estabilidade quando se agarram aos taludes a pique. Na época certa (entre Maio e Junho) tem-se também a sorte de apreciar as flores estreladas, com cerca de 9 milímetros de diâmetro e pé alto penugento sobressaindo da almofadinha de folhas. Repare nas fotos como as flores têm 6 a 9 pétalas fininhas, com os estames a embelezar o arranjo que lembra pequeninos guarda-chuvas de joalharia.



Monanthes laxiflora (DC.) Bolle


A M. laxiflora pode ver-se em todo o arquipélago das Canárias, com excepção para já de El Hierro; a M. brachycaulos ocorre na Gran Canaria e em Tenerife; da M. pollyphylla, que aos nossos olhos é a mais bonita das três, há registo em Tenerife, Gran Canaria, La Palma e La Gomera.

07/08/2019

Palmeiras de Famara


Phoenix canariensis Chabaud
Uma vivenda à beira-mar com relvado e palmeira, mais o BMW estacionado na garagem: era esse o sonho possível de prosperidade nos anos pobretes mas alegretes das últimas décadas do século XX. Que se mantém hoje desse sonho? O BMW e a beira-mar, com certeza, mas as vivendas (ou moradias) foram substituídas por prédios de apartamentos, as palmeiras morreram todas, e os jardins (ou espaços verdes) são agora simples rectângulos de terra ressequida ao serviço dos cães e dos seus donos. Talvez não haja muito a lamentar nessa mudança. As defuntas palmeiras eram um símbolo do estatuto conquistado, e a sua presença em relvados nus e rigorosamente aparados sublinhava um enfático desinteresse por plantas e pela jardinagem em geral. Mas a nostalgia está para além da racionalidade: Miramar e Francelos sem palmeiras representam uma amputação da memória.

Por palmeira entendemos, claro está, a palmeira-das-Canárias: embora haja centenas de espécies de palmeira, várias delas cultivadas entre nós, a preponderância da Phoenix canariensis é (ou era) avassaladora. Com a chegada, na última década, do escaravelho-da-palmeira (Rhynchophorus ferrugineus), houve uma mortandade quase total nos jardins privados, esforçando-se algumas câmaras municipais por salvar os exemplares mais emblemáticos em espaços públicos.

Daqui a uns anos, com o gradual desaparecimento das palmeiras citadinas, talvez só as possamos ver se viajarmos para fora do país. E o lugar de eleição para esse reencontro é, obviamente, o arquipélago das Canárias. Afinal a palmeira é endémica dessas ilhas - e, além de a vermos plantada por todo o lado, também a encontramos em estado silvestre, formando pequenos bosques em encostas e ravinas. O temível escaravelho também chegou às Canárias, sem ter porém causado estragos muito visíveis, talvez por o combate ter sido eficaz, ou por o clima seco das ilhas não ser favorável à propagação do bicharoco.

Uma característica simpática das palmeiras-das-Canárias é que sempre acolheram de palmas abertas as pequenas herbáceas que sobre elas se quiseram instalar: fetos, dentes-de-leão, malmequeres, gramíneas... Todo um jardim clandestino em miniatura que era muitas vezes o único rasgo de cor nos manicurados jardins suburbanos. E essa índole hospitaleira da Phoenix canariensis já lhe vem de origem: nas Canárias não há palmeira, mesmo cultivada, que não tenha inquilinos. Um exemplo entre muitos é dado pelas palmeiras que ladeiam a Ermida de Las Nieves, no maciço de Famara, em Lanzarote (foto acima). Entre as plantas nelas empoleiradas detectámos quatro endémicas das Canárias, três delas exclusivas de Lanzarote e Fuerteventura.



Reichardia famarae Bramwell & G. Kunkel ex Gallego & Talavera


Os dois dentes-de-leão que se hospedaram nas palmeiras de Famara são endémicos das duas ilhas mais orientais do arquipélago, e ambos aparecem com abundância na crista rochosa de Famara, não raro em paredes perfeitamente verticais. A verticalidade do habitat disponível no espique de uma palmeira não é pois coisa que lhes cause vertigens. Talvez a maior visiblidade das plantas nas palmeiras as obrigue ao esforço suplementar de uma floração precoce, já que quando as vimos, no final de Dezembro, eram elas as únicas entre as suas iguais que estavam em flor.

A Reichardia famarae (em cima) é uma planta rasteira, glabra, com hastes florais de não mais que 15 cm de altura, quase sempre rematadas por um único capítulo, e com folhas glaucas, algo carnudas, de margens dentadas, dispostas em rosetas basais densas.

A Crepis canariensis (em baixo) tem folhas maiores, verdes, formando uma roseta mais difusa, e as suas hastes, além de pubescentes, são mais empertigadas (até 50 cm de altura) e várias vezes ramificadas.

No canto inferior esquerdo de duas das fotos espreita uma terceira endémica destas mesmas ilhas: trata-se de uma planta suculenta, o Aichryson tortuosum, que foi avaro em mostrar-nos as flores (fora de época, é verdade) e por isso apresentamos só de raspão. Bonito como todos os seus congéneres, singulariza-se por ser uma planta perene e formar tapetes rastejantes (os Aichryson mais costumeiros são plantas anuais, com hastes erectas bem individualizadas).


Crepis canariensis (Sch. Bip.) Babc.

20/06/2017

Na pista da Pistorinia


Pistorinia hispanica (L.) DC.


Às vezes dá ideia que a fronteira luso-espanhola foi desenhada com o único intuito de nos espoliar de plantas interessantes. O roubo de Olivença, empurrando a linha fronteiriça uns quilómetros para oeste, foi tavez planeado para que alguma planta até então também nossa deixasse de existir em território português. Infelizmente, estão por estudar as motivações botânicas nas disputas territoriais entre estados vizinhos. Numa época de fronteiras abertas, em que as maiores diferenças entre cá e lá são as matrículas dos automóves e a dificuldade em encontrar um restaurante que nos sirva sopa, não é este um tema de pesquisa que atraia muitos eruditos. Podemos sem dificuldade visitar essas plantas que nos foram negadas, mas ainda dói pensar que não são nossas. Nessa partilha tão desigual, há géneros botânicos (como Sempervivum, Androsace e Petrocoptis) bastamente representadas na Península (cada um com pelo menos meia dúzia de espécies) que estão tristemente ausentes da flora portuguesa.

É assim motivo para moderado regozijo saber que a Pistorinia hispanica é também portuguesa, embora só saibamos dela na margem direita (a nossa) do Douro internacional, e em tão escasso número (vimos umas dez plantas em flor) que a sua futura permanência por cá é incerta. A sua preferência por margens arenosas de rios explica o seu gradual desaparecimento por perda de habitat. Em Portugal não há grande ou médio rio que esteja livre de barragens, e é pouco provável que a Pistorinia ainda exista, como reportava Franco na Nova Flora de Portugal, no Tejo ou no Sabor. Neste último, com o recente enchimento da barragem, as margens e as plantas que lá viviam foram afogadas numa extensão de 40 Km.

O número de espécies de Pistorinia é incerto: estão descritas umas seis, mas alguns nomes são tidos como sinónimos. Confirmadas (e documentadas com fotos nesta página) estão três espécies distribuídas entre a Península Ibérica e Marrocos; a que nos ocupa é um endemismo ibérico. Todas elas são plantas anuais carnudas, de porte erecto e baixa estatura (a P. hispanica não excede os 20 cm de altura), com flores tubulares dispostas em cimeiras. A decoração extravagante das "pétalas" -- ou, mas precisamente, dos segmentos terminais em que a corola se divide -- é a marca mais distintiva da Pistorinia hispanica: sobre um fundo rosa choque, traçam-se a vermelho três riscos paralelos, rematados por uma mancha também vermelha como se a flor pintasse as unhas.

21/03/2017

Farrobo & ensaião

Se houvesse que escolher uma planta frequente na Madeira para constar de um postal turístico no lugar das próteas sul-africanas que se vendem em lojas de souvenirs no aeroporto, poderíamos escolher uma das duas espécies de Aeonium que são endémicas do arquipélago da Madeira. De facto, não parece haver fissura de rocha, escarpa ou ravina, do litoral até às maiores altitudes, que não acolha uma dessas plantas; e, no Verão, as suas inflorescências amplas, ramosas e cheias de flores com pétalas amarelo-douradas são um regalo para quem visita a ilha.



Aeonium glutinosum (Aiton) Webb & Berthel.


Dir-se-ia que a vida espalmada numa rocha é arriscada, sujeita a ventanias, tempestades e deslizes, mas estas suculentas superaram há muito estes perigos. O género Aeonium parece mesmo apreciar este tipo de habitats nas ilhas Canárias (onde há mais de vinte e cinco espécies), em Marrocos e na parte leste de África. São plantas de base lenhosa mas de caule curto que, no caso do A. glandulosum (dito ensaião de pasta) só se vê se, com algum esforço, levantarmos a roseta de folhas colada à rocha. Ao espreitarmos, notamos ainda como as folhas são penugentas e de margens ciliadas, e como exalam um agradável aroma a bálsamo. O A. glutinosum (a que também chamam farrobo) é subarbustivo e muito viscoso, podendo o conjunto roseta & inflorescência chegar a um metro de altura.



A disposição das folhas, imbricadas como telhas de um telhado (ou um saião da Nazaré), ajuda a evitar que demasiada água se acumule no centro das rosetas de onde emerge a panícula de flores. Pelo contrário, em situação de seca extrema, algumas espécies conseguem fechar a roseta de folhas, preservando desse modo alguma humidade. As duas espécies madeirenses são bienais ou perenes, mas cada planta floresce uma só vez, restando então a roseta de folhas que se vai bronzeando ao sol forte, tingindo-se por vezes de um tom de lava incandescente.


Aeonium glandulosum (Aiton) Webb & Berthel.

17/06/2016

A importância de ser endémica


Aichryson villosum (Aiton) Webb & Berthel.


Quando se fala da flora das ilhas, são as espécies endémicas que atraem as maiores atenções e concentram os mais desvelados esforços de conservação. Daí também terem sido os endemismos do Porto Santo que primeiro quisemos aqui mostrar. Esse foco prioritário nos endemismos não deve porém fazer-nos esquecer o resto. Em primeiro lugar, porque as plantas endémicas não sobrevivem sozinhas: os habitats que ocupam acolhem muitas outras plantas nativas, e é impossível proteger umas ignorando outras. Preservar o equilíbrio ecológico que sustenta as plantas endémicas obriga-nos a cuidar das plantas indígenas como um todo, sejam elas ou não endémicas. Se uma planta indígena desaparece de uma ilha, é a biodiversidade local que fica empobrecida. E as alterações de habitat que conduzem a tal extinção (ou resultam dela) não deixarão, a prazo, de ameaçar igualmente as espécies endémicas.

Outra razão forte para não desdenhar das plantas nativas que não são tidas como endémicas é que esse estatuto pode sofrer alteração. O isolamento próprio da condição insular (passe a redundância) faz com que as populações da mesma espécie instaladas em diferentes ilhas acabem por se diferenciar - e chega um momento em que as diferenças são tantas que não é razoável declarar que são ainda da mesma espécie. Essa evolução não se passa à nossa escala temporal, podendo levar centenas de milhares de anos. Assim, as mudanças de estatuto (de nativa para endémica) devem-se, não a uma evolução súbita das populações estudadas, mas a comparações mais atentas, à maior facilidade em realizar estudos genéticos, e (por vezes) a divergências de opinião entre peritos.

Outra questão, esta quase de índole semântica, é a escala a que se usa o termo "endémica". Há os endemismos de uma ilha só, os que surgem em várias ilhas do mesmo arquipélago, e ainda os que se estendem por dois ou mais arquipélagos. Por vezes os arquipélagos formam uma unidade geográfica indiscutível, outras vezes nem por isso. Pode argumentar-se que os Açores não são um mas três arquipélagos, e que foram as vicissitudes da história humana que criaram uma unidade algo artificial.

Mas não há convenções geo-políticas que possam desvalorizar o facto de uma planta ser exlusiva de uma pequena ilha: há-de ser sempre só dessa ilha, e só do arquipélago a que a ilha pertence, seja qual for o nome que se lhe dê. Em 2015, a ilha de Santa Maria viu reconhecido um novo endemismo, Aichryson santamariensis, antes chamado Aichryson villosum. No artigo em que fundamentam a promoção, os autores (Mónica Moura, Mark A. Carine, Miguel Menezes de Sequeira) assinalam, além das diferenças genéticas, importantes diferenças morfológicas entre a "nova" espécie e a espécie madeirense com que antes tinha sido confundida (e que, fotografada em Porto Santo, aparece nas imagens aí em cima). A mais notória é que a versão madeirense é muito mais peluda (vilosa, justamente) e com pêlos muito mais compridos do que a versão de Santa Maria. Distinguem-se também na forma das folhas (as do A. santamariensis têm o ápice ligeiramente crenado) e dos cálices. Nem sempre óbvia é a diferença de tamanho, mas o Aichryson villosum é tendencialmente maior do que o Aichryson santamariensis, com inflorescências mais abundantes.

De resto, ambas estas crassuláceas são plantas anuais de lugares pedregosos, vivendo tanto a pleno sol como em lugares sombrios. Com a separação, também a Madeira ganhou um "novo" endemismo, o terceiro do género Aichryson no arquipélago, e o único que ocorre na ilha do Porto Santo.



Porto Santo: campo de golfe e parque eólico vistos do Pico de Ana Ferreira

03/11/2015

Semprevivas na Cantábria


Sempervivum vicentei Pau


Hoje, mais uma vez, é uma planta da Cantábria que está na montra, e estamos ainda longe de esgotar o rol de espécies em flor que lá vimos no Verão passado. Julgar-se-á que a nossa estadia foi longa, mas não, não houve tempo para isso. Andámos pouco mais de um dia num bosque e num pico a grande altura, e foi o bastante para encontrarmos sem esforço uma mão-cheia de novidades que só conhecíamos em fotos. Os astronautas da missão Apollo 11 estiveram quase o mesmo tempo na Lua, ou a levitar junto a ela, e não viram tanto.

O género Sempervivum é uma dupla novidade porque não ocorre em Portugal, ainda que em Espanha se conheçam umas seis espécies, com flores que parecem versões gigantes das do Sedum. O S. vicentei é um endemismo espanhol, das montanhas da metade norte da Península Ibérica. Pareceu-nos muito abundante nas fissuras de rochas expostas ao frio, a evitar a sombra de plantas vizinhas, em locais onde quase todas as herbáceas nascem agasalhadas por uma lanugem muito conveniente. Notem como as folhas carnudas, ciliadas, glaucas mas com pontas púrpura como narizes vermelhos no ar gelado, se dispõem em rosetas basais densas que seguram bem a planta na pedra, e cobrem como telhas as hastes florais. O nome do género, optimista ao aludir à eternidade, refere-se ao facto de serem herbáceas perenes, de folha persistente, traços que até são comuns a muitos outros géneros da família Crassulaceae.

Para quem se anime a programar um passeio botânico à Cantábria ou às Astúrias, aqui ficam duas informações: do Porto até lá, não há portagens nas autovias espanholas, muito em contraste com o que se passa deste lado da fronteira; se viajar no fim da Primavera, conseguirá ver flores de inúmeras outras espécies (de Saxifraga, Euphrasia, Campanula, Globularia, Pinguicula, Primula, Hepatica, Helleborus, etc., etc.) que a meio do Verão já só nos mostraram as folhas.

10/10/2015

Com o frio nas orelhas



Sedum candollei Raym.-Hamet


Excluindo as quatro espécies de Sedum que são endémicas do arquipélago da Madeira, o que deste género se conhece em Portugal pode ver-se nesta página da Flora-on, onde apenas faltam registos de Sedum candollei. De acordo com Amaral Franco na Nova Flora de Portugal (que usa a designação Mucizonia sedoides (DC.) D.A. Webb.), deveríamos encontrá-lo em fendas de rocha e margens secas de lagoas na serra da Estrela, em solos pedregosos e siliciosos acima dos 1800 metros; mas a verdade é que nunca o vimos por cá. Ocorre em zonas montanhosas da Península Ibérica e de França, e a Flora Ibérica indica várias cordilheiras ibéricas onde há notícia da sua presença. As fotos são de uma população numerosa que formava em Julho passado um tapete rosado no topo do Pico Tres Mares, na Cantábria.

Esta herbácea é anual e a floração decorre essencialmente no Verão. Note-se como as flores são erectas e se agrupam em cimeiras terminais densas e vistosas. Esta é uma espécie morfologicamente próxima do S. andegavense, S. brevifolium e S. pedicelatum, mas as corolas sésseis rosadas (lembram as do S. maireanum), de pétalas mais compridas do que o tubo, distinguem-na perfeitamente das outras três.

A designação Sedum candollei, proposta em 1929 pelo botânico francês Raymond-Hamet (1890-1972) homenageia o botânico suiço Augustin Pyrame de Candolle (1778-1841), um dos professores de botânica de Karl Wilhelm von Nageli. Ao mesmo tempo, o epíteto assinala que a primeira descrição desta planta se deve precisamente a A. de Candolle, que lhe chamou, em 1808, Cotyledon sedoides. Ironicamente, à luz das regras de taxonomia estabelecidas pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica, o nome Sedum candollei não é actualmente considerado válido. Ao leitor curioso sobre os meandros deste caso sugerimos o artigo Un nombre nuevo para Sedum Candollei Raym.-Hamet, nom illeg., que começa na página 221 do número 52 (1994) da revista Anales do Jardin Botánico de Madrid, onde pode analisar as razões aduzidas por Ginés López González para se considerar ilegítima esta nomenclatura. Nesse texto, G. López propõe um novo nome, Sedum candolleanum Raym.-Hamet ex G. López, mas algumas Floras ainda não o adoptaram. Entretanto, podemos optar, como os espanhóis, por lhe chamar orelhas-de-monge, em alusão às folhas carnudas, roliças, vermelhuscas e imbrincadas.


Alto Campoo, Cantábria