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20/06/2026

Daquela falésia voltada para o mar

Notícia recente dava conta de que há algures o desejo e a intenção de privatizar algumas praias no país. Sendo pequeno mas bem estacionado, Portugal tem uma costa formidável e, naturalmente, há quem queira ser mais rico em areal e água salgada. Note-se que não se trata apenas de comprar um quintal de areia em frente a uma casa construída quase em cima das ondas, ignorando o risco e talvez a lei. Pretende-se que o vulgo seja impedido de aceder à zona de rebentação das ondas, às dunas e ao mar adjacentes, de nadar nesse pedaço de oceano, ou de passear por muitos quilómetros nessa beira do mar. Até um saudável passeio a pé por habitats de vegetação costeira excepcional ficaria proibido nesses selectos pátios. Não se confunda, porém, essa privatização das praias com medidas de protecção da natureza. O que se ambiciona não é evitar a condução de veículos na areia que destruam a vegetação dunar, a presença de animais que pisoteiem e sujem o areal, a recolha excessiva de conchas e pedras moldadas pelas marés, ou a perturbação de locais de nidificação em rochedos costeiros.



Em Menorca não há praias privadas. Segundo a lei espanhola, toda a costa é pública, e uma faixa de seis metros em terra a partir do mar é de uso inteiramente livre. O problema é que os caminhos de acesso a parte relevante da costa cruzam terreno privado, e esbarram com frequência enervante em portões fechados com avisos como «Prohibido el paso», «Coto privado de caza» ou, com ironia, «Este camino no lleva a la playa». Ignorá-los é devassar propriedade privada, com multas de valores alarmantes, mesmo que a intenção seja ver de perto uma herbácea rara. Também é por isso que o longo percurso, inteiramente legal, junto aos rochedos da praia de Llucari, a sul da ilha, nos traz tão boas memórias.

Limonium minutum (L.) Chaz.


Este é um endemismo das ilhas Baleares que se agarra às rochas costeiras, que no sul de Menorca são essencialmente argilosas ou calcárias, formando almofadinhas de rosetas de folhas carnudas com face áspera. As flores, que surgem de Maio a Setembro, são pequenas mas cumprem o figurino dos limónios.

Polycarpon colomense Porta [= Polycarpon polycarpoides subsp. colomense (Porta) Pedrol]


Nestes rochedos da costa ocorre este outro endemismo balear, de hábito prostrado, folhas que parecem corações verdes e flores brancas encaixadas em cálices um pouco maiores do que as corolas. O género Polycarpon tem representantes nos solos arenosos do litoral português, como este que ocorre de norte a sul do continente.

Silene sedoides Poir.


Este assobio minúsculo (de 4 a 10 cm de altura) mora em quase todo o litoral mediterrânico, apreciando covinhas frescas em rochas calcárias costeiras. É uma planta anual revestida de glândulas que decerto a protegem do excesso de sal à beira mar.

Lomelosia cretica (L.) Greuter & Burdet


Foi no mesmo local, mas nas rochas calcárias mais altas e expostas, que avistámos este arbusto lenhoso em flor. Natural das ilhas Baleares, Sicília e sul de Itália, também agrupa as folhas em coxins para melhor se acomodar a este habitat ventoso. As inflorescências, de cor rosa-violeta, têm um perfil assimétrico, com as flores periféricas maiores. Pode conferir aqui como é o formato característico dos frutos do género Lomelosia.

01/12/2023

O rosalito que faltava



É boa pedagogia fazermos pausas ocasionais para rever a matéria dada, consolidando conhecimentos antes de nos embrenharmos em novos assuntos. Sem uma atenção constante aos fundamentos não há como atingir a sabedoria, seja qual for o campo de especialização. Neste caso o âmbito do estudo é modesto, e a revisão da matéria faz-se em poucos minutos. Convidamos o leitor a relembrar o que lhe ensinámos aqui mesmo há um ano sobre o género Pterocephalus. Ficou então a saber que só saindo de território português poderia admirar ao vivo e no habitat próprio estas primas arbustivas das bem conhecidas escabiosas. De facto, e apesar de existir um Pterocephalus no sudoeste de Espanha (veja aqui), a aposta mais segura é dirigir-se às Canárias, onde são quatro as espécies do género, todas endémicas do arquipélago. Como três delas existem em Tenerife, é essa a escolha óbvia para um principiante na matéria, e foram precisamente as espécies tenerifenhas que ilustraram a nossa primeira lição sobre o assunto. Essa primeira lição bem poderia ter sido a última, pois nada temos a acrescentar aos fundamentos teóricos então expostos. Ficou por ilustrar o Pterocephalus porphyranthus, endémico de La Palma. Tendo entretanto visitado essa ilha, completámos a nossa colecção de rosalitos canarinos e podemos agora mostrar o cromo que faltava.

Pterocephalus porphyranthus Svent.


Porphyranthus significa "flores púrpuras", e salta à vista que este rosalito palmense tem flores mais escuras que os seus primos de Tenerife. À parte disso, distingue-se pelo porte (é bem mais pequeno do que o P. dumetorus), pela forma, tamanho e disposição das folhas, e pelas brácteas dos capítulos florais. São esses detalhes morfológicos que permitem afirmar com toda a certeza que as plantas de flores brancas das duas últimas fotos — e que se encontravam misturadas com plantas normais — pertencem à mesma espécie, apesar da cor anómala das flores. Estas mutações de cor surgem ocasionalmente em muitas linhagens de plantas e, pelos lucros que podem trazer, são muito apreciadas por horticultores. As exigências ecológicas do Pterocephalus porphyranthus e dos demais rosalitos das Canárias não parecem, infelizmente, torná-los propícios à domesticação, e é improvável que o cultivo destas plantas em jardim seja bem sucedido. Vivendo a mais de 2000 de altitude numa ilha sub-tropical, sobre rochas vulcânicas, e sujeito a grandes amplitudes térmicas, o rosalito de La Palma está adaptado a condições de vida que dificilmente podem ser recriadas noutro local do planeta — ou mesmo numa estufa. Quem quiser vê-lo em flor tem mesmo que ir a La Palma e subir ao cume da ilha, de preferência entre meados de Maio e princípios de Julho.

07/10/2022

Saudades das Canárias

Do género Pterocephalus conhecem-se cerca de 30 espécies que se distribuem pela região mediterrânica, Ásia, norte de África e Macaronésia. Mas não há registo da sua presença em Portugal. Por isso, deixamos-lhe aqui um roteiro, e um bom motivo, de passeio pelos arredores, caso queira conhecer este género sem ter de viajar para demasiado longe.

No sul e sudeste de Espanha, entre os 1000 e os 2300 metros de altura, ocorre uma espécie endémica do género Pterocephalus, o P. spathulatus. A rascapiedras é uma herbácea cespitosa, que aprecia o solo magro de rochas calcárias e dolomíticas. As folhas são inteiras, espatuladas e protegidas por uma camada grossa de penugem. As flores rosa-violeta, de Verão, nascem em capítulos solitários terminais que parecem grandes quando comparados com as folhas, mas na verdade as flores maiores (as externas) não ultrapassam os 3 cm de diâmetro.

Morando igualmente perto, e preferindo também taludes rochosos entre os 1500 e os 3100 metros de altitude, o Pterocephalus depressus é uma preciosidade da montanha do Atlas. É um endemismo de Marrocos que floresce mal chega o Verão. As folhas são lobadas e rechonchudas, formando tapetes de onde sobressaem as flores vistosas de pé alto.

Se puder viajar para um pouco mais longe, digamos até ao arquipélago das Canárias, terá o benefício de poder aí apreciar não um mas quatro endemismos do género Pterocephalus.

O Pterocephalus dumetorus restringe-se às ilhas centrais, Grã-Canária, Tenerife e La Palma. Distingue-se dos anteriores por ter porte arbustivo (daí o nome dumetorus), podendo chegar ao metro e meio de altura. As inflorescências arroxeadas não são solitárias, e estão vistosas entre Maio e Agosto. As folhas são grandes, de textura frágil e cor verde-pálido, lanceoladas e com um ápice pronunciado. Vimos o rosalito selvaje na Ladera de Güímar, em Tenerife, mas parece ser mais frequente na Grã-Canária.

Pterocephalus dumetorus (Brouss. ex Willd.) Coult.


Caso decida ir mesmo até La Palma, não deixe de procurar o rosalito palmero (Pterocephalus porhyranthus), de folhas ovais, ramagem densa e flores cor-de-rosa forte (o centro é quase púrpura). É também uma herbácea de altitude (1300-2450 m) que forma coxins baixos (uns 50 cm no máximo), em floração entre Junho e Agosto. Não temos fotos para lhe mostrar, porque ainda não visitámos La Palma, mas pode ver imagens aqui.

O Pterocephalus lasiospermus é um endemismo da ilha de Tenerife, havendo dele registo apenas na zona subalpina das Cañadas del Teide. O rosalito de cumbre é também arbustivo, de folhas em tom verde-cinza e capítulos de flores de corola rosada com pedúnculo longo, que surgem em pleno Verão (com o tempo já bastante quente na ilha, mas fresco e até ventoso nas zonas altas do Teide). O epíteto específico lasiospermus alude à protecção aveludada que cobre as sementes. Já foi raro, porque o gado o comia regaladamente, mas recuperou com a criação do Parque Nacional do Teide, e é hoje talvez a espécie de Pterocephalus mais abundante nas Canárias.

Pterocephalus lasiospermus Link ex Buch


Finalmente, temos o rosalito de Anaga (Pterocephalus virens). Forma almofadas de uns 30 cm de espessura feitas de folhas coriáceas de cor verde-escuro (virens), inteiras e arredondadas, e que se cobrem de capítulos solitários de flores com haste de tamanho médio. É um endemismo rupícula de Anaga, em Tenerife, e ocorre desde o nível do mar até aos 600 m de altitude.

Pterocephalus virens Webb & Berthel.


É uma espécie rara e protegida, mas continua ameaçada pelo pastoreio de cabras e pelo turismo excessivo nos locais onde se resguarda da aragem fria do norte. Mas o leitor não desista já da viagem: a planta não se incomoda se a visitar com as devidas cautelas.

08/04/2019

Histórias da Lista Vermelha: Succisella carvalhoana



Succisella carvalhoana (Mariz) Baksay



Uma Lista Vermelha de espécies, sejam elas animais ou vegetais, indica aquilo que, por estar em risco de desaparecer num certo território, é merecedor de protecção. Idealmente, tal protecção passaria por medidas activas de conservação: recuperação de habitats, reforços populacionais, minimização de ameaças. Em Portugal, onde ao descaso pela natureza se junta a falta de dinheiro, é de recear que essa protecção se fique apenas, na generalidade dos casos, pela recomendação de não se destruir. O que, valha a verdade, já não seria mau. Se algum dia uma barragem no nosso país deixar de ser construída para não se afogarem plantas ameaçadas, então já terá valido a pena elaborar a Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental (LFV), projecto agora em curso que estará concluído no próximo mês de Junho.

Portugal será então o último país europeu (pelo menos o último da União Europeia) a dispor de uma Lista Vermelha da Flora. Durante os anos de construção desenfreada de auto-estradas, barragens e parques eólicos, as únicas espécies vegetais com algum grau de protecção eram as que constavam dos anexos da Directiva Habitats, datada de 1992 mas com vários aditamentos posteriores. Muitos botânicos se queixaram do desfasamento entre essa directiva europeia e o verdadeiro grau de ameaça das espécies presentes em território português: embora algumas espécies indiscutivelmente raras fossem protegidas, a grande maioria delas ficou de fora; e várias das espécies listadas na Directiva não justificam qualquer protecção especial (um exemplo óbvio é a gilbardeira).

Uma das plantas esquecidas pela Directiva Habitats é a Succisella carvalhoana. Atendendo ao habitat paludoso e à semelhança com as plantas do género Scabiosa, a cuja família aliás pertence, não será desajustado chamar-lhe escabiosa-dos-pauis. As diferenças mais marcantes para as verdadeiras escabiosas estão nas flores de quatro pétalas (em vez de cinco) e nos frutos (compare as fotos acima com esta). No âmbito da LFV, a escabiosa-dos-pauis, como todas as mais de 600 plantas-alvo do projecto, foi avaliada à luz dos critérios da UICN, e ficará com o estatuto de "Em Perigo".

Descrita em 1890 por Joaquim Mariz, botânico na Universidade de Coimbra, sob o nome de Succisa carvalheana, a escabiosa-dos-pauis habitava margens de lagoas, charcos temporários, valas e outros lugares alagadiços da faixa litoral entre o Mondego e o Douro. Enfim, um tipo de habitat que, por força da expansão urbana e do aproveitamento agrícola e florestal dos terrenos, tem recuado a grande velocidade numa das zonas mais povoadas do país. A planta já existiu em Vila Nova de Gaia (onde foi colhida pela última vez em 1979), em Coimbra e em diversos outros lugares onde hoje é impensável encontrá-la. Foi de tal ordem a destruição que até há poucos meses o seu último reduto conhecido era junto à Pateira de Fermentelos, onde na mais recente visita foram contadas quatro plantas. Em 2004, os espanhóis Francisco Amich, Juan A. Devesa e Sonia Bernardos, autores do artigo Taxonomic revision of the genus Succisella (Dipsacaceae) in the Iberian Peninsula, não lograram encontrar a planta em nenhuma das localidades portuguesas onde ela havia sido assinalada.

A boa notícia é que as nossas fotos não foram tiradas na Pateira de Fermentelos, e que nesse outro local, algures entre Vagos e Cantanhede, eu e a Maria encontrámos centena e meia de exemplares da planta, espalhados por uma área ampla entre charcos, matos baixos, salgueirais e plantações de eucaliptos. A produção de flores e frutos era abundante; e, a menos de catástrofe ou de intervenção destrutiva em larga escala, a planta dificilmente desaparecerá dessa zona.

O sumiço quase completo da Succisella carvalhoana originou um episódio invulgar: uma outra planta do género Succisella, essa existente em Espanha, fez-se passar por ela numa autêntica usurpação da identidade. Em 1980, uma dita «Succisella carvalhoana» foi detectada em Espanha, na província de Salamanca, e mais tarde a mesma planta foi reencontrada em várias outras províncias espanholas. Ninguém parece ter posto em dúvida essa identifcação, e quando foi feita a revisão do género Succisella para a Flora Iberica (pelos autores do artigo atrás referido) as plantas do litoral português não foram tidas em conta, por não terem sido encontrados exemplares vivos. Resultado? A descrição da Succisella carvalhoana nessa obra não se ajusta às plantas portuguesas, as únicas que legitimamente podem usar esse nome.

No vol. 2 (de 1984) da sua Nova Flora de Portugal, Franco informa que as folhas caulinares da planta são lineares ou linear-lanceoladas, enquanto que a Flora Iberica descreve as folhas caulinares médias como "linear-lanceoladas, de pinatífidas a pinatissectas". Esse carácter pinatífido ou pinatissecto das folhas é omitido não apenas por Franco, mas também por Xavier Coutinho (Flora de Portugal, 2.ª ed., 1939), que informa serem as folhas caulinares "inteiras ou subinteiras"; e, além disso, também não há menção dessa característica na descrição original da planta por Joaquim Mariz.

As plantas existentes no litoral português, e que serviram de base às descrições de Mariz, Coutinho e Franco, apresentam folhas caulinares invariavelmente inteiras, facto que confirmámos tanto nos exemplares vivos como (por amabilidade de Filipe Covelo) nos que estão guardados no herbário da Universidade de Coimbra. Por outro lado, as plantas espanholas já apresentam folhas caulinares médias pinatífidas ou pinatissectas. Além disso, as folhas basais das primeiras são muitas vezes obovado-espatuladas, enquanto que as das segundas são quase sempre lanceoladas. Outra diferença importante está no invólucro dos frutos, que são de um vermelho carregado nas plantas espanholas e de uma cor amarelada próxima do bege nas plantas do litoral português.

Quando o equívoco for desfeito, a verdadeira Succisella carvalhoana recuperará o seu legítimo estatuto de endemismo português, e a usurpadora terá que adoptar outro nome. Mas essa outra planta não ficará a ser um endemismo espanhol, visto que em 2017 a botânica Adelaide Clemente a encontrou do lado de cá da fronteira, no concelho do Sabugal. As fotos da «Succisella carvalhoana» que constam do portal Flora-On são dessa planta raiana, e poderão servir ao leitor para conferir as diferenças.

26/09/2015

Cabeça de plumas


Pterocephalidium diandrum (Lag.) G. López


Se não estivesse em flor, talvez não reparássemos nestas plantas quando nos cruzámos com elas em Vinhais ao seguirmos por um caminho de terra solta e taludes de xisto. Já a tínhamos visto aqui, e até foi uma surpresa que as inflorescências, que nas fotos parecem grandes, fossem afinal diminutas quando comparadas com a altura da haste (uns 70 centímetros). O que chama a nossa atenção de imediato é a penugem a proteger o capítulo de flores (com corolas pequenas de cor violácea), as brácteas ciliadas, e os dois tipos bizarros de aristas nos cálices.

Para que servirão estes apêndices que persistem nos frutos e a nós quase parecem ameaçadores? É provável que impeçam a acção de predadores e ajudem à disseminação dos frutos. Mas talvez tenham também a função de atrair polinizadores especializados nestas flores, beneficiando-os relativamente aos polinizadores generalistas. Esta diferença é importante. É verdade que haver muitas visitas de diferentes polinizadores aumenta a probabilidade de ocorrer a fecundação. Porém, também é plausível que um polinizador generalista, que é inconstante na escolha das flores onde poisa ou recolhe o néctar, transporte pólen de várias espécies e, desse modo, não deposite o pólen adequado na flor certa. O desperdício de pólen e de área no estigma se as abelhas ou formigas lá colocam pólen não compatível, impedindo sistematicamente a fecundação, pode condenar uma população pequena de uma espécie a ficar à mercê do acaso. Por isso, é vantajoso que as flores formem capítulos vistosos e densos (como é comum nas asteráceas e dipsacáceas), onde os polinizadores se demorem como num jantar gourmet; e lucrativo que as populações formem agregados cerrados, com pouco espaço para a presença de espécies competidoras, as tais que distraem os polinizadores e provocam a mistura inconveniente de pólenes.

Esta é uma herbácea anual com uma distribuição vasta em Espanha, e os registos nacionais também são animadores. Em 1805, Lagasca designou-a Scabiosa diandra. O género Pterocephalidium (que alude às tais praganas curvadas nas inflorescências) é recente (proposto por López Gonzalez em 1987), monoespecífico e endémico da Penísnsula Ibérica. O epíteto diandrum refere-se ao par de estames em cada flor (que se podem ver na antepenúltima foto). Não se lhe conhece nome comum, seja em português ou em espanhol.