8.10.16

Salsifis

As plantas do género Tragopogon têm inúmeras designações populares graças ao seu uso em culinária. Comecemos pelas de língua inglesa. O nome do género (do grego tragos, bode, e pogon, barba, em alusão ao enorme fruto com penachos cedosos) terá sugerido ou sido escolhido a partir de goatsbeard. Mas como as flores se fecham ao meio-dia, jack-go-to-bed-at-noon é também uma alcunha que lhes atribuem. Porém, é muito mais vulgar ouvir-se tratá-las por salsify, a que se acrescenta um qualificativo (common, meadow, western, wild, woolly, pasture, yellow, purple) para se distinguirem as várias espécies. Procurámos num dicionário a etimologia desta palavra, mas sem sucesso, pois lemos que deriva do francês salsifis ou do italiano salsefica, ambos de origem desconhecida. Certo é que o género é comum em alguns locais na Europa e Ásia, onde ainda se cultiva para se consumirem as longas raízes (que, dizem os entendidos, sabem a ostra), os talos, as folhas finas como relva, a seiva leitosa, as flores ou as sementes. No livro Portugal Botânico de A a Z (de Francisca M. Fernandes e Luís M. Carvalho), a designação vernácula adoptada para as espécies de Tragopogon aí listadas é cersefi, palavra que soa a uma variante fonética de salsify. Curiosamente, o nome salsifi é reservado nessa obra para a Scorzonera hispanica, de cujas raízes (com casca escura e miolo branco) cristalizadas se faz (ou fazia) no Alentejo uma guloseima, conhecida como escorcioneira, que mereceu a distinção de constar na Ark of Taste, uma versão da arca de Noé para alimentos bem concebidos e realmente saborosos.




Tragopogon porrifolius L.

Vimos o T. porrifolius em Maio junto a Alcobaça, com a ajuda do João Gomes. As hastes florais são altas de um metro e meio, e as flores (ainda as vimos abertas, era de manhã) medem uns 5 cm de diâmetro.


Tragopogon crocifolius L.


Tragopogon dubius Scop.

Estas duas outras espécies têm porte mais modesto e foram fotografadas em Junho, numa berma de estrada junto a um prado em Macedo de Cavaleiros forrado de orquídeas, galocristas e rainhas-dos-prados. Como se pode ver, a cor das flores neste género varia bastante. Os botânicos que as estudam asseguram que as espécies de Tragopogon hibridam com facilidade, havendo reconhecimento recente de novas espécies na natureza, poliplóides para poderem ser férteis, originadas por cruzamento espontâneo entre T. dubius e T. porrifolius, ou entre T. dubius e T. pratensis.

3 comentários :

bea disse...

Devia ser bem bonito esse prado com quatro espécies de plantas. Mas, ou as fotos estão mesmo extraordinárias ou a salsify é muito agradavelzinha à vista. E, pelo visto, até ao paladar.

Maria Carvalho disse...

São lindas, bea, e o roxo tem um tom inusitado. Quando voltarmos a Évora, teremos de provar o rebuçado.

Sementes de Portugal disse...

Obrigado pela referência! Abraço