22.12.18

Uvas do mar



Apesar de inóspitas para banhistas, as costas rochosas do sudoeste de Tenerife são a casa ideal para uma grande variedade de plantas, às quais não desagrada a maresia e a exposição ao sol. A que lhe mostramos hoje, fotografada no Malpaís de Güímar, é das mais estranhas que por lá vimos. Ao longe, parecia uma videira atarracada e recheada de cachos ascendentes de uvas verdes (para vinho branco, claro).


Tetraena fontanesii (Webb & Berthel.) Beier & Thulin

Mas as tais uvas eram afinal folhas suculentas, que nascem aos pares no topo de pedúnculos curtos e carnudos. Os frutos são minúsculos, com textura de cortiça e esbranquiçados. A floração decorre entre Janeiro e Junho, por isso não vimos flores; são pequenas, axilares, com cinco pétalas de um tom branco-rosado (foto em baixo). Como é usual noutras suculentas sujeitas aos ventos de beira-mar, a base deste arbusto é lenhosa e, no período de dormência, a folhagem adquire uma coloração púrpura.



De distribuição restrita a algumas ilhas da Macaronésia (Canárias, Cabo Verde e Selvagens) e ao norte de África (Argélia e Marrocos), esta espécie deveria pertencer, de acordo com as regras da nomenclatura botânica, ao género Petrusia. De facto, esta designação foi proposta por Henri Baillon em 1881, oito anos antes do nome Tetraena ser adoptado por Carl Johann Maximowicz para várias espécies da família Zygophyllaceae frequentes em desertos, zonas áridas ou com salinidade elevada. Segundo a Flora Ibérica, os botânicos continuam a usar o nome Tetraena pois a mudança para Petrusia exigiria demasiadas alterações na taxonomia. Alimentando a confusão, algumas Floras preferem o sinónimo Zygophyllum fontanesii. Comum aos três nomes, o epíteto específico homenageia o botânico René Desfontaines (1750-1833), autor da Flora Atlantica que anunciou, em plena Revolução Francesa, a descoberta de cerca de 300 novos géneros de plantas da região mediterrânica e do norte de África.

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