17.5.19

Exílio em Lanzarote



A quantidade de termos escolhidos pelos taxonomistas para nomear plantas pequenas, ou de porte rasteiro, e a frequência com que são utilizados revelam que esses cientistas se preocupam com a diversidade do léxico (o que se agradece pois torna a leitura das Floras menos entediante) e dão especial importância a esse pormenor morfológico. Realmente a apreciação do mundo parece mais simples se valorizarmos o contraste, e o dicionário gasta boa parte do seu esforço com antónimos. Ao que é mediano, dito normal, dedicamos em geral apenas a atenção bastante para entender que preenche o entremeio que separa o muito do pouco.

Os botânicos reservam nomes delicados para as plantas pequenas (ou menores do que outras do mesmo género), ou que vivem rentes ao chão, ou ainda que são pouco apelativas: humilis, procumbens, terrestris, parvus, minutus, nanus, tristis são alguns dos mais característicos. A planta que hoje mostramos mal se ergue do solo (e já se chamou Minuartia procumbens) e rasteja espalhando-se nas areias onde habita (e houve quem a designasse Alsine extensa), mas o epíteto que está em vigor é geniculata. Refere-se a joelhos, e alude às dobras dos talos que permitem à planta espraiar-se em muitas direcções, que fariam lembrar joelhos flectidos.



Minuartia geniculata (Poir.) Thell. [= Rhodalsine geniculata (Poir.) F. N. Williams]



A Minuartia geniculata é uma herbácea perene de folhas estreitas e opostas, talos ramificados e glandulosos, e flores rosadas com pétalas em geral menores do que as sépalas, que são debruadas por uma membrana branca e fina. Comum em Gibraltar e noutros pontos da costa mediterrânica, onde os invernos não costumam ser demasiado frios, ocorre também nas Canárias, conhecendo-se populações nas ilhas de Lanzarote, Fuerteventura e Gran Canaria. Os exemplares que vimos, floridos em Dezembro, estavam na Playa de las Conchas, da ilha La Graciosa, a norte de Lanzarote.

Esta espécie também consta da lista da flora de Portugal (e da Flora Ibérica), com o nome Rhodalsine geniculata, mas os últimos avistamentos por cá foram em 1949 e 1951 em Sines, por Abílio Fernandes, e em 1968 na praia de São Torpes, também no concelho de Sines. As prospecções infrutíferas feitas no âmbito da elaboração da Lista Vermelha da Flora de Portugal sugerem que ela está provavelmente extinta em Portugal.

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