Ditoso...
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Ditoso o que em paternas, poucas jeiras
seus desejos encerra e seus cuidados,
e respira, contente, o ar nativo
em terra sua!
Seus gados lhe dão leite; pão seus campos;
seus rebanhos vestido; pelo Estio,
acha nas próprias árvores a sombra;
de Inverno, o lume.
Correm-lhe em um desleixo abençoado
suavemente as horas, dias e anos:
com saúde no corpo, paz no espírito
vela tranquilo.
A sono solto dorme; o estudo e cómodo
possui unidos - lícito recreio -
e com a meditação mais saborosa
goza o retiro.
Deixem-me assim viver, desconhecido;
deixem-me assim morrer, sem ser chorado,
do mundo homiziado e sem que a campa
diga onde jazo.
José Anastácio da Cunha in Composições Poéticas (1836)