29.10.04

«Obras de Outubro...

...Conforme Avicena - Neste mês se deve vindimar nos lugares enxutos e tardios; é muito boa ocasião para semear todo o género de grãos que servem para pão, como trigo, centeio, cevada e outros semelhantes. Podem semear-se favas e tremoços.
Devem colher-se as bolotas, castanhas, avelãs e todas as frutas do tarde (sic). Podem plantar-se cerejeiras, gingeiras, pereiras e macieiras.
Se neste mês se ouvirem os primeiros trovões do ano, mostra haver tempestades de vento, e comoções nos ares; carestia de pães e frutas, com pouca vindima e morte de peixes e gados nos lugares em que se ouvirem.

Segundo o Almanaque do Horticultor - (...) Arvoredos: Nesta época as árvores privadas dos seus frutos, despojam-se também das suas folhas. "É este o momento, diz A. Dumas, segundo experiências feitas, mais oportuno para fazer-se a poda em toda a casta de árvores."
Neste mês devem colher-se os frutos de Inverno aproveitando o tempo seco, e com preferência de tarde, depois que tenha cessado o calor. Não há grande vantagem em apressar a colheita destes frutos, antes se ganha em os obter mais volumosos e de melhor qualidade, deixando-os na árvore até à queda das folhas.
Se houver chuvas, deve proceder-se à plantação do eucaliptus nos sítios em que os frios não sejam muito rigorosos. (...)»

in Lunário e Prognóstico Perpétuo para todos os Reinos e Províncias por Jeronymo Cortez Valenciano. Reformado e muito acrescentado. Porto : Lello & Irmão, 1980 (obra original do séc. XVIII)
Obras de Julho - Obras de Agosto - Obras de Setembro

2 comentários :

Anónimo disse...

curiosa afirmação
"Se houver chuvas, deve proceder-se à plantação do eucaliptus nos sítios em que os frios não sejam muito rigorosos"

vitorsilva

manueladlramos disse...

Curioso de facto. Este conselho faz sem dúvida parte das alterações que a obra sofreu ao longo das suas muitas reedições. Não sei ao certo quantas mas de acordo com as referências bibliográficas recolhidas no catálogo on line da BN, houve pelo menos duas numa época posterior à introdução do cultivo do eucalipto no nosso país (possivelmente em 1852, segundo Ernesto Goes). Por essa razão já acrescentei a menção "Reformado e muito acrescentado" que não deveria ter omitido.
Manuela