6.4.05

Flores, folhas e frutos novos - lódãos

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Todos os anos é assim nas primeiras semanas de Março: umas espessuras apenas mais marcadas nas axilas e nas extremidade dos ramos, que se mantêm por um dia ou dois, alimentando a nossa expectativa. Um tom e uma textura ligeiramente diferentes. Algo no ar... Já é ? Ainda não? Mas logo se dissipam as dúvidas: em todos os ramos rebentam borbulhitas farfalhudas, de onde brotam flores e folhas de tamanho diminuto.


Fotos: mdlramos 05 - Flores, folhas e frutos de lódão (Celtis australis) em março e abril .

Passado pouco tempo, os frutos, as futuras "ginginhas de rua" como dantes lhes chamavam, fazem também a sua aparição, verdes, da cor das folhas. (Só mais tarde farão a alegria dos pássaros...)
Reparei em todo este processo com mais atenção depois de ler um pequeno livro sobre lódãos (em francês micocouliers), da interessante colecção "le nom de l'arbre"* do qual transcrevo os seguintes parágrafos. Neles ficamos a saber que estas floritas não são todas iguais: há as masculinas, as femininas e as hermafroditas:
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«Vers le mois d'avril, à l'aisselle des jeunes feuilles à peine formées, naissent de petites fleurs presque invisibles. Dépourvues de pétales elles se réduisent à une collerette découpée en quatre ou cinq languettes ovales entourant les organes reproducteurs. Curieusement l'arbre dispose de trois types de fleurs différentes.
Des fleurs mâles, qui naissent à la base des jeunes rameaux. Tantôt isolées, tantôt regroupées en bouquets, elles possèdent un calice à cinq sépales lanceolées, et autant de courtes étamines qui de façon étonnante s'allongent après la dissémination du pollen.

Des fleurs femelles, solitaires ou groupées par deux ou trois à l'aisselle des jeunes feuilles. Elles se distinguent par leurs styles saillants en forme de flèche recourbée.
Des fleurs hermaphrodites, plus rares, possédant à la fois des étamines (la partie mâle) et un pistil (la partie femelle). Portées par un long pédoncule, elles sont situées au dessus des fleurs mâles.
Ces florules, qui ne durent que quelques semaines, se flétrissent avant que les feuilles n'acquièrent leur forme et leur taille définitives.
Généralement chez les angiospermes, plantes dont la graine est enfermée dans un fruit, les fleurs peuvent être soit hermaphrodites, la fleur renfermant à la fois les deux sexes, mâle et femelle, soit monoique, quand sur une même plante les fleurs mâles et les fleurs femelles sont différenciées. Quand la nature les a généreusement dotées, les plantes possèdent en même temps fleus mâles, fleurs femelles et fleurs hermaphrodites. Elles sont trimonoiques (trois sexes dans une même habitation). C'est le cas de certains érables et du micocoulier.» Lionel Hignard, Le micocoulier, p. 16. "le nom de l'arbre"* (ed. Actes du Sud)

* colecção iniciada em 1997, já tem cerca de duas dezenas de números publicados. A Temas & Debates edita desde 2003 a versão portuguesa destes pequenos manuais, na colecção homónima "o nome das árvores". Já aqui falámos destes livrinhos preciosos.
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Ver com mais detalhe as flores do lódão na página sobre o Celtis australis do Herbari Virtual de les Illes Balears (informação via Húmus).
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8 comentários :

Joao Soares disse...

Ola, amigos, tudo bem?
Só mais um site, tem lódãos e muito mais...
http://selectree.cagr.calpoly.edu/treedetail.lasso?rid=295
do Urban Forest Ecosystem Institute.Talvez conheçam, não sei...
Claro que o Dias com
Árvores já É,
por PROPRIEDADE, um Instituto com fins semelhantes!!!

Um abraço fraterno
João

Ana disse...

Esse recomeço (ó "já é? ainda não é?") das folhas dos lódãos é fantástico. Este ano dei pelo cheiro numa madrugada e no dia seguinte já havia uma névoa verde. É mesmo muito bonito. O cheiro é muito bom. Até aos grandes calores do Verão, sente-se sempre. No Verão, atenua-se durante o dia, mas à medida que anoitece cheira mais e mais.

Hoje reparei que no pequeno jardim em frente ao Parlamento está um enorme. Tem duas a três vezes o tamanho destes e estes não são pequenos.

Ana disse...

Já conhecia essa aventura de Eugénio de Andrade com o lódão arrancado para estacionamento. Fiquei espantadíssima quando li, "Ah, afinal escreveu sobre um!" :)

Ana disse...

+ "alguém"

manueladlramos disse...

;-)olá João tudo bem!
Ana- em frente ao Parlamento? Como se chama o jardim?
No "Arvores isoladas, maciços e alamedas de interesse Público" publicado pelo Instituto Florestal (DGFlorestas) vêm referidos os "dois maciços constituídos por 3 lódãos bastardos de grande porte" centenários no Jardim da Praça da Alegria (aí em Lisboa) estão classificados como árvores de interesse público desde 1947. Conheces?
Quanto ao perfume delas...;-( só posso dizer que desde que referiste isso no Húmus eu fiquei espantada porque pura e semplesmente nunca me tinha apercebido e não consigo "cheirar" nada! Bem sei que os "meus" lódãos não estão em frente à casa, mas ando sempre de nariz e de olho neles... ;-) Manuela

Ana disse...

Conheço bem a Praça da Alegria e adivinho quais sejam as árvores. Se lá passar de máquina, fotografo-as. Mas, não, não sabia que eram lódãos. Mesmo o da Assembleia (não sei o nome do jardim, é um jardim muito pequeno, com poucas árvores, todas muito grandes, que fica ao lado do palácio, ao fundo da Rua de São bento) só o reconheci porque reparei no cheiro e a partir daí nas outras coisas. É gigantesco. O cheiro é um cheiro de planta, doce, como perto de mim nascem muitas folhas e as árvores são mesmo muito coladas às minhas ajnelas, basta abri-las um bocado que se concentra dentro de casa, fica de certeza menos óbvio do que na rua.

Ana disse...

"MAIS óbvio" (tenho sempre um disparate!)

Anónimo disse...

sim + "alguém"