4.7.05

Um murmúrio do passado


Fotos: pva 0506 - Wollemia nobilis - Kew Gardens

Em Setembro de 1994, David Noble, ao serviço do NSW National Parks & Wildlife (Austrália) , deparou-se com um bosque, numa zona arenosa e de difícil acesso de um desfiladeiro a cerca de 700 metros de altitude do Wollemi National Park, com umas 40 árvores que não reconheceu. Começou aí a revelação da história fascinante da espécie Wollemia nobilis, uma das mais importantes descobertas botânicas do século XX.

O "pinheiro" de Wollemi - ou, mais carinhosamente, wollemia - conífera da família Araucariaceae e portanto parente próxima das araucárias e da agathis, é uma das mais antigas plantas do planeta. Contemporânea dos dinossauros, conheciam-se dela fósseis bem conservados com 91 milhões de anos, tendo os botânicos deduzido que se teria extinguido há 2 milhões de anos. Os poucos exemplares adultos vivos do Wollemi Park, que curiosamente não revelam diferenças genéticas entre si, estão agora a ser alvo de medidas especiais de salvaguarda e conservação; a par está a ser seguido um programa cuidadoso de reprodução a partir de sementes ou estacas, de que resultou esta jovem wollemia plantada nos Kew Gardens.

Os exemplares adultos têm cerca de 40 metros de altura e 1 metro de diâmetro do tronco. O ritidoma parece ter bolhinhas e é da cor do chocolate. Trata-se de uma espécie monóica, isto é, cada planta tem cones masculinos e femininos, que nascem nos extremos dos ramos. A folhagem da wollemia é peculiar. Cada árvore apresenta dois tipos de ramos: os que crescem na vertical, geralmente desde a base da árvore, e se assemelham a troncos suplementares; e os que se desenvolvem lateralmente e onde se dispõem as folhas, que são sésseis e se alinham em 4 fiadas, estruturadas em duas camadas de cada lado do ramo essencialmente sobrepostas (o que parece um desperdício da natureza...). Os botânicos têm detectado que, caprichosamente, as estacas retiradas do topo da árvore produzem rebentos que crescem verticalmente, enquanto que das colhidas da base resultam ramos que crescem lateralmente.

O nome científico do género, Wollemia, deriva da latinização da palavra Wollemi, o nome do parque onde as árvores foram encontradas; o epíteto da espécie, nobilis, é um tributo a David Noble que as descobriu.

O governo australiano, através do Department of the Environment and Heritage e em colaboração com os Royal Botanic Gardens de Sydney, tem ajudado a divulgar e a conservar esta espécie preciosa, conforme aqui se descreve.

2 comentários :

Robson Freire disse...

Sim, Maria Carvalho, apreciável sua referência e as fotografias aqui gentilmente registradas.
Há poucos meses acessei o site do Parque Wollemi, da Austrália.
Foi, para mim, uma descoberta magnífica!!!
Outra grata surpresa, ver aqui retratada e com seu texto em língua-pátria, que tanto nos conforta.
Quiçá futuramente possamos apreciar na Araucariácea "Pinheiro-de-Wollemi" o "fóssil-vivo" resgatado pelas pessoas como o foi o chinês Gingko biloba e mesmo a Cicas spp.
Grande legado para as futuras gerações.

Abraços.

António Augusto disse...

Já chegou o meu exemplar. Espero que não seja muito sensível á geada.