14.8.09

Segredos do ofício



Alpine House - Kew Gardens

Os nossos leitores talvez se espantem com o desfile aparentemente infindável de novas plantas aqui no blogue. Onde é que eles a encontram? Que dificuldades e perigos enfrentam para chegar aos lugares recônditos onde vicejam estas raridades? É natural e legítima a curiosidade dos leitores. Se hoje não a satisfazemos por completo, pelo menos levantamos a ponta do véu, como diziam na rádio os locutores de antanho.

Nas nossas expedições ao norte da Europa, lugar de brumas e de mares revoltos onde se radicaram estranhos povos, acontece-nos aportar à ilha da Grã-Bretanha. Nessa nação persiste até hoje uma bizarra forma de governo chamada monarquia, na qual a rainha não detém qualquer poder. Tanto a família real como os seus súbditos se dedicam apaixonadamente, nos seus tempos livres (que, no primeiro caso, correspondem aos sete dias da semana), a hobbies incompreensíveis, como o cricket e a jardinagem. Se o cricket nem é bom tentar entender, já a jardinagem - certo que por métodos arcanos só ao alcance de iniciados - produz resultados dos mais aprazíveis à vista, de que é exemplo esta assembleia de flores sob curiosa estrutura envidraçada em forma de parábola. Fica ela em local que sempre visitamos quando as nossas errâncias nos conduzem a este reino: referimo-nos aos Kew Gardens, onde alguns fanáticos transformaram o hobby da jardinagem numa ocupação profissional a tempo inteiro.

Como bem inferem os leitores do relato supra, a descoberta da rota para tais paragens não foi proeza de somenos (e estamos claramente a usar de um eufemismo); nada mais justo que a recompensa seja proporcional ao feito. Só nesta casinha de vidro (a menor e mais recente das estufas de Kew, inaugurada em 2006) são às dezenas, e sempre diferentes, as plantas que se deixam entrevistar para o Dias com Árvores. Três delas subiram ao palco nas últimas semanas (clique na etiqueta Kew Gardens mais abaixo para lhes recordar o sorriso), e muitas mais aguardam impacientes que chegue a sua vez.

O ofício de explorador não é fácil. São estes gratificantes momentos de descoberta que lhe dão sentido e grandeza.

3 comentários :

Gi disse...

Começo a ter, já não pena, mas vergonha de nunca ter ido aos Kew Gardens.
Verdade que as minhas visitas ao Reino Unido têm sido muito espaçadas. Mas para a próxima espero não os falhar.

bettips disse...

Está a dar-me vontade de ir à procura dos meus álbuns dos Kew Gardens, em seráficas e imaturas visitas há que tempos...!!!
(Este Inverno, seguramente que me vai dar para passar no scanner a visão de Londres revisitada - vossa a culpa das saudades!)
Abçs

Maria Carvalho disse...

Gi: Pena não poder ir lá (vir cá) agora, a sua companhia seria bem-vinda nesta nossa visita aos Kew.