28.6.11

Borboleta verde

Platanthera micrantha (Hochst.) Schlecht. Platanthera pollostantha R. M. Bateman & M. Moura.

Nota. Em Dezembro de 2013, graças ao artigo Systematic revision of Platanthera in the Azorean archipelago, de Richard Bateman et al., esta espécie passou a chamar-se Platanthera pollostantha R. M. Bateman & M. Moura.

Esta orquídea já se chamou Habenaria (do latim habena, rédea) e, ainda hoje, na bibliografia inglesa, lhe chamam rein orchid - em alusão, diz-se, à flor, com as sépalas laterais puxadas para trás, o labelo saliente e o esporão curvo. Nos Açores, de onde é endémica (há já registo dela em todas as ilhas, de acordo com o Portal da Biodiversidade), é o conchelo-do-mato, por semelhança da inflorescência densa e cilíndrica, com cerca de 15 cm de altura, com a do conchelo (Umbilicus rupestris ou Umbilicus horizontalis), que no continente tratamos por umbigo-de-Vénus. Mas quem já viu uma flor de Platanthera tem poucas dúvidas de que se trata de uma espécie próxima. Contudo, esta tem um esporão com apenas 4 mm de comprimento, talvez graças a um polinizador menos trombudo, e é mais alta, podendo atingir 40 cm de altura.

Como a P. bifolia, tem duas folhas basais, acompanhadas por meia dúzia de folhas caulinares que diminuem de tamanho à medida que sobem no caule, até serem mais brácteas que folhas. O epíteto específico (micros+anthos) avisa que as flores esverdeadas são minúsculas - e, de facto, cada uma não ultrapassa um centímetro e meio de diâmetro. As sépalas são elípticas, as pétalas triangulares e ligeiramente carnudas e o labelo, de dois a quatro milímetros, é estreito e curvado para baixo. O fruto, como é usual nas orquídeas, é uma cápsula com numerosas sementes diminutas que o vento leva.

E vento, chuva intensa, nevoeiro cerrado é o que não falta, até na época de floração (Maio-Junho), nas zonas apauladas e turfosas que ela escolheu para habitar. A preferência por lugares expostos a norte é comum às orquídeas do continente, mas os matos húmidos de montanha (entre os 200 e os 1400 metros) e as margens de lagoas em caldeiras de vulcões são privilégio açoriano. As das fotos estavam perto da Lagoa Comprida, na ilha das Flores, numa brenha de Erica azorica Hochst. e Calluna vulgaris (L.) Hull que as protegia destes vendavais, mergulhadas em almofadas de Sphagnum intumescidas porque o dia tinha  sido bastante chuvoso. Expressão esta que os locais, com mais ou menos ironia mas sempre de guarda-chuva, corrigem por ser redundante.

É uma planta rara, com populações relativamente isoladas e de distribuição restrita, ameaçada pela invasão de espécies exóticas, pelo pisoteio dos turistas e pelas derrocadas. Apesar disso, não consta de nenhum plano de conservação.

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