Borboleta verde
Platanthera micrantha (Hochst.) Schlecht.
Esta orquídea já se chamou Habenaria (do latim habena, rédea) e, ainda hoje, na bibliografia inglesa, lhe chamam rein orchid - em alusão, diz-se, à flor, com as sépalas laterais puxadas para trás, o labelo saliente e o esporão curvo. Nos Açores, de onde é endémica (há já registo dela em todas as ilhas, de acordo com o Portal da Biodiversidade), é o conchelo-do-mato, por semelhança da inflorescência densa e cilíndrica, com cerca de 15 cm de altura, com a do conchelo (Umbilicus rupestris ou Umbilicus horizontalis), que no continente tratamos por umbigo-de-Vénus. Mas quem já viu uma flor de Platanthera tem poucas dúvidas de que se trata de uma espécie próxima. Contudo, esta tem um esporão com apenas 4 mm de comprimento, talvez graças a um polinizador menos trombudo, e é mais alta, podendo atingir 40 cm de altura.
Como a P. bifolia, tem duas folhas basais, acompanhadas por meia dúzia de folhas caulinares que diminuem de tamanho à medida que sobem no caule, até serem mais brácteas que folhas. O epíteto específico (micros+anthos) avisa que as flores esverdeadas são minúsculas - e, de facto, cada uma não ultrapassa um centímetro e meio de diâmetro. As sépalas são elípticas, as pétalas triangulares e ligeiramente carnudas e o labelo, de dois a quatro milímetros, é estreito e curvado para baixo. O fruto, como é usual nas orquídeas, é uma cápsula com numerosas sementes diminutas que o vento leva.
E vento, chuva intensa, nevoeiro cerrado é o que não falta, até na época de floração (Maio-Junho), nas zonas apauladas e turfosas que ela escolheu para habitar. A preferência por lugares expostos a norte é comum às orquídeas do continente, mas os matos húmidos de montanha (entre os 200 e os 1400 metros) e as margens de lagoas em caldeiras de vulcões são privilégio açoriano. As das fotos estavam perto da Lagoa Comprida, na ilha das Flores, numa brenha de Erica azorica Hochst. e Calluna vulgaris (L.) Hull que as protegia destes vendavais, mergulhadas em almofadas de Sphagnum intumescidas porque o dia tinha sido bastante chuvoso. Expressão esta que os locais, com mais ou menos ironia mas sempre de guarda-chuva, corrigem por ser redundante.
É uma planta rara, com populações relativamente isoladas e de distribuição restrita, ameaçada pela invasão de espécies exóticas, pelo pisoteio dos turistas e pelas derrocadas. Apesar disso, não consta de nenhum plano de conservação.
Esta orquídea já se chamou Habenaria (do latim habena, rédea) e, ainda hoje, na bibliografia inglesa, lhe chamam rein orchid - em alusão, diz-se, à flor, com as sépalas laterais puxadas para trás, o labelo saliente e o esporão curvo. Nos Açores, de onde é endémica (há já registo dela em todas as ilhas, de acordo com o Portal da Biodiversidade), é o conchelo-do-mato, por semelhança da inflorescência densa e cilíndrica, com cerca de 15 cm de altura, com a do conchelo (Umbilicus rupestris ou Umbilicus horizontalis), que no continente tratamos por umbigo-de-Vénus. Mas quem já viu uma flor de Platanthera tem poucas dúvidas de que se trata de uma espécie próxima. Contudo, esta tem um esporão com apenas 4 mm de comprimento, talvez graças a um polinizador menos trombudo, e é mais alta, podendo atingir 40 cm de altura.
Como a P. bifolia, tem duas folhas basais, acompanhadas por meia dúzia de folhas caulinares que diminuem de tamanho à medida que sobem no caule, até serem mais brácteas que folhas. O epíteto específico (micros+anthos) avisa que as flores esverdeadas são minúsculas - e, de facto, cada uma não ultrapassa um centímetro e meio de diâmetro. As sépalas são elípticas, as pétalas triangulares e ligeiramente carnudas e o labelo, de dois a quatro milímetros, é estreito e curvado para baixo. O fruto, como é usual nas orquídeas, é uma cápsula com numerosas sementes diminutas que o vento leva.
E vento, chuva intensa, nevoeiro cerrado é o que não falta, até na época de floração (Maio-Junho), nas zonas apauladas e turfosas que ela escolheu para habitar. A preferência por lugares expostos a norte é comum às orquídeas do continente, mas os matos húmidos de montanha (entre os 200 e os 1400 metros) e as margens de lagoas em caldeiras de vulcões são privilégio açoriano. As das fotos estavam perto da Lagoa Comprida, na ilha das Flores, numa brenha de Erica azorica Hochst. e Calluna vulgaris (L.) Hull que as protegia destes vendavais, mergulhadas em almofadas de Sphagnum intumescidas porque o dia tinha sido bastante chuvoso. Expressão esta que os locais, com mais ou menos ironia mas sempre de guarda-chuva, corrigem por ser redundante.
É uma planta rara, com populações relativamente isoladas e de distribuição restrita, ameaçada pela invasão de espécies exóticas, pelo pisoteio dos turistas e pelas derrocadas. Apesar disso, não consta de nenhum plano de conservação.




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