Férias
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Paulo Araújo
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Paulo Araújo
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27.6.23
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Etiquetas: Açores - Flores , Açores - Pico , Açores - Terceira , Fetos & afins , Grammitidaceae
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Etiquetas: Açores - Flores , Elatinaceae , Potamogetonaceae

O ponto mais elevado da ilha das Flores, apropriadamente chamado Morro Alto, fica-se por uns escassos 911 metros de altitude. Quem a ele ascende, porém, vê-se rodeado, mesmo no Verão, por um nevoeiro frio e cortante, quase sempre reforçado por vento e chuva. Apesar do fácil acesso por um estradão de terra, a vista que poderia atrair excursões de mirones ávidos de fotografar raramente se deixa ver. Esse nevoeiro persistente, que nos encharca a roupa mesmo quando parece que não chove, alimenta a grande esponja que é a zona central da ilha. O material que absorve e armazena a água é o Sphagnum, popularmente chamado musgão, capaz de formar almofadas gigantes que nesta ilha cobrem por completo grandes extensões de terreno. Na prática, o musgão funciona como substituto do solo, já que as demais plantas, desde o cedro-do-mato às pequenas herbáceas, são obrigadas a crescer sobre ele.
Por grande que seja a capacidade de armazenamento que a natureza fez instalar na ilha, o excesso de água tem que ser continuamente libertado, e daí as muitas ribeiras que fazem um curto mas tumultuoso trajecto desde os cumes até ao mar. Seria esse o destino dos caudais que, atirando-se de um precipício de 250 metros, formam o poço da Alagoinha, também conhecido como lagoa dos Patos. Mas a geografia trocou-lhes os planos, e antes de se acolherem ao mar, estas águas, obrigadas a um compasso de espera, juntam-se numa lagoa que é uma das imagens mais fortes da ilha.
Partindo da estrada da Fajã Grande, chega-se ao poço da Alagoinha por um caminho íngreme e escorregadio, de uns 600 metros de extensão, por entre arvoredo cerrado. Não é subida que exija grande esforço, mas por cautela deve usar-se calçado imperméavel e com boa aderência. Muitos dos visitantes que percorrem esta vereda imaginam-se envolvidos pela mais pura natureza, pouco ou nada modificada pela acção humana. Que vantagem haveria em desenganá-los? Em explicar-lhes que as criptomérias foram plantadas, que incensos e conteiras são invasores temíveis, e que da vegetação original da ilha restam neste lugar apenas fetos e algumas herbáceas? Em revelar-lhes que o anfiteatro verde rasgado por cascatas é afinal um paraíso falsificado?




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Paulo Araújo
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20.11.19
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Paulo Araújo
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Etiquetas: Açores - Flores , Aspleniaceae , Fetos & afins
Uma espécie diz-se um endemismo quando só há populações silvestres dela num local restrito do planeta. Se a área onde ocorre a planta não é assim tão diminuta, diz-se que é nativa dessa região (é inapropriado falar de "endemismos europeus" ou, pior ainda, de "endemismos euro-asiáticos"). Na prática, como se atestam estas propriedades? Actualmente, com os meios tecnológicos ao dispor da genética, é mais simples destrinçar espécies; além disso, reconhece-se que a criação de endemismos é favorecida por habitats biologicamente isolados, pela radiação adaptativa, pela hibridação ou pela poliploidia. E, portanto, os botânicos sabem onde procurar endemismos. Mas há um problema intrínseco à definição anterior: ser ou não endémico é um estado que evolui com o tempo. A análise de fósseis tem revelado que algumas plantas, hoje consideradas endemismos de ilhas ou desertos, tiveram em outras eras uma distribuição muito mais ampla, foram quase cosmopolitas. Porém, com as alterações geológicas e do clima, ou por outras causas desconhecidas, extinguiram-se em quase todos os habitats, e as parcas sobras recolheram-se aos seus nichos de conforto.




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Maria Carvalho
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Etiquetas: Açores - Flores , Asparagaceae