22.12.11

Margaridetas

Valerianella discoidea (L.) Loisel.


Valerianella locusta (L.) Laterr

São como as valerianas, mas com talos ramificados e fascículos de flores muito mais pequenas (1-2 mm de diâmetro), como sublinha o diminutivo latino ella. Apesar de as flores, com a forma tubular da corola, parecerem ser adaptadas a borboletas, plantas anuais de dimensões tão reduzidas têm fraca chance de serem polinizadas. Por isso é escasso o investimento nas flores, que não têm perfume nem néctar e se auto-fecundam, e reduzida a produção de pólen. Uma planta condenada. Ou não?

Na verdade, estas herbáceas concentraram-se no essencial: uma produção suficiente de frutos, sem desperdícios nem excedentes, e um processo eficiente de a escoar. O polimorfismo dos frutos é o maior encanto das valerianelas. Os frutos são nozes com três cavidades desiguais, uma delas com uma semente e as outras duas ocas ou recheadas de um material esponjoso como cortiça, talvez para protecção ou alimento da semente. Mas eles podem ser mais ou menos hirsutos, com ganchos mais ou menos aduncos, com um maior ou menor desenvolvimento das cavidades estéreis, com ou sem membranas aladas, etc, etc, características importantes que resultam da adaptação ao habitat - que pode ser uma escarpa rochosa, um terreno cultivado ou um muro velho - e, sobretudo, aos dispersores das sementes. As variações em cada espécie podem ocorrer numa mesma população e até numa mesma planta. O que naturalmente complica a tarefa de arrumação taxonómica se baseada na morfologia do fruto. Os apêndices dentados que se notam nas fotos são parte dos cálices que rodeiam as corolas (azuladas ou rosadas, com cinco lóbulos) e persistem nos frutos.

O género tem cerca de 50 espécies nas regiões temperadas da Europa e da Ásia, mais de trinta nativas da Turquia. Na Península Ibérica há registo de doze, cerca de metade das quais ocorrem em Portugal. A V. locusta é comestível e até popular em saladas suíças: é a nossa alface-de-cordeirinho (ou, como nos informou Carlos Aguiar, canónigos) e a nüsslisalad deles, com um sabor acentuado a avelã.

2 comentários :

Carlos Aguiar disse...

A V. locusta cultivada é mais conhecida por canónigos. Começa a aparecer nos nossos supermercados. Óptimas fotos de um género raramente fotografado.

Maria Carvalho disse...

Pois é, esqueci-me de mencionar isso. As folhas da cultivada são maiores; é do paparico que lhe dão na horta.