9.12.11

Verbena & Irmã



Verbena supina L.

Lying in bed would be an altogether perfect and supreme experience if only one had a coloured pencil long enough to draw on the ceiling.
G.K. Chesterton, Tremendous Trifles (1909)

Há uma palavra que descreve o movimento de rotação da mão quando se coloca a palma para cima. É a mesma que se usa para mencionar a posição em que se está deitado de costas, a olhar o tecto: supinação. Deriva do latim supinus que também significa notável (como em supina violinista) ou excessivo (burrice supina). Para esta planta, o epíteto sublinha o modo prostrado como dispõe a ramagem, lançando nós que se enraízam e assim a fazem ganhar terreno.

O latim fornece aos taxonomistas múltiplos sinóninos da pequenez ou do hábito rasteiro que poderiam ter sido usados: procumbens (que, contudo, em rigor, pressupõe uma inclinação para a frente), humilis ou minor, que aludem ao tamanho, pois esta é a verbena mais pequenina que conhecemos. Porém não serviria pusilla (de que derivou pusilânime, de alma pequena) pois esta herbácea, que curiosamente consegue optar por um ciclo de vida anual ou perene, não é assim tão minúscula (mede de 5 a 40 cm).

Encontrámos este exemplar na franja ribatejana das serras de Aire e Cendeeiros, num terreno calcário arenoso onde se forma uma lagoa temporária. Este é o habitat que aprecia, mas também se encontra em prados húmidos desde que o solo seja rico em azoto. Floresce de Maio a Dezembro e foi pela inflorescência que a relacionámos com a V. bonariensis. É nativa do centro e sul da Europa, África, Ásia e ilhas Canárias. Na Península Ibérica restringe-se ao norte e metade sul. Em Portugal só há registo dela no Alto Alentejo, na Beira Baixa e no Ribatejo.

O género Verbena abriga mais de duas centenas de espécies, mas tem na Península Ibérica apenas cinco representantes, dos quais só dois são espontâneos, a V. supina e a V. officinalis L. Foi porém reconhecida uma variedade de folhagem glabra, a V. supina var. glabrescens Cout. (1939), e outra com os caules erectos, a V. supina f. erecta Moldenke (1964).


Verbena officinalis L.

Verbena é a designação antiga das plantas colhidas em lugares sagrados ou usadas em cerimónias religiosas, embaixadas, oferendas aos deuses ou como protecção contra vampiros e bruxas. Por essa herança, também se chamou, em vários tempos e lugares, lágrimas-de-Ísis, erva-sagrada ou cruz-do-diabo (devil's bane).

3 comentários :

João Pedro da Costa disse...

Olá, graças ao vosso livro, pude finalmente reparar na belíssima canforeira da Rua do Gólgota (Porto, zona do Campo Alegre). Criei uma página no facebook para sensibilizar a FAUP a criar um perímetro de preservação em torno da mesma. Agradecia a vossa coloboração para a divulgação da página:

www.facebook.com/pages/Vamos-salvar-a-Canforeira-da-Rua-do-Gólgota-Porto-Campo-Alegre/329433390401063?sk=wall

Obrigado!

Paulo Araújo disse...

Excelente ideia. Se não se pode acabar com o estacionamento, pelo menos impeçam-se os carros de se encostar à árvore. Logo que possível faremos aqui o anúncio da página.

Maria Carvalho disse...

Quando, em 2005, a Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) considerou como de interesse público algumas árvores do Porto - o que, em teoria, lhes confere uma razoável protecção legal -, esta canforeira estava na lista de árvores candidatas a essa classificação. A DGRF teve de a excluir, apesar do porte e da raridade, porque não conseguiu apurar quem é o dono da árvore.