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28/12/2009

Senhora de Alcântara


Alcantarea geniculata (Wawra) J. R. Grant

As bromeliáceas, plantas herbáceas de que o ananás é o mais famoso representante, são quase uma especialidade brasileira: dos mais de 60 géneros e 3000 espécies que integram a família, pelo menos 40 dos géneros e 1200 das espécies pertencem à flora do Brasil. Muitas delas, sobretudo as que moram na Mata Atlântica, são epífitas: vivem empoleiradas em árvores e obtêm sustento da humidade, das poeiras e da matéria orgânica em decomposição que existe sobre a hospedeira. Outras espécies são terrestres, abundantes em caatingas (savanas semi-áridas características do nordeste brasileiro) e em restingas (terrenos arenosos, próximos do mar, cobertos com vegetação herbácea).

As inflorescências das bromeliáceas têm brácteas vistosas, por vezes dispondo-se em forma de espátula. As folhas, em roseta basal, frequentemente espinhentas, formam uma imbricação onde a planta armazena água como num tanque. Esses reservatórios líquidos, além de indispensáveis para a boa saúde da planta, cumprem papel ecológico importante, fornecendo humidade e nutrientes a pássaros, insectos, anfíbios e lagartos. Claro que há insectos que não nos são particularmente simpáticos, como os mosquitos. Para evitar que eles depositem as suas larvas no tanque das bromeliáceas, há quem recomende aspergi-las com óleo de cozinha e detergente para a louça, diluindo-se previamente num litro de água uma colher de chá dessa estranha mistura. Por serem em regra fatais para a planta, devem evitar-se o sulfato de cobre e outros insecticidas químicos.

O nome Alcantarea tem inconfundível ressonância portuguesa, e de facto deriva de Alcântara - supõe-se que em homenagem a Dom Pedro II (de seu nome Pedro de Alcântara), segundo e último imperador do Brasil. Até há poucos anos conheciam-se dezena e meia de espécies, todas do sudeste do Brasil. Sem que se tenha ampliado o seu âmbito geográfico, a partir de 2007 acelerou-se a descoberta de novas espécies, que totalizarão hoje umas 28 ou 29 (conferir aqui). São plantas terrestres, altas (de 1 m a 1,8 m), sem espinhos, com flores perfumadas abrindo cedo pela manhã, que preferem habitats rochosos e, quando cultivadas, agradecem um solo bem drenado.

12/12/2009

Pink quill


Tillandsia cyanea Linden ex K. Koch

Toda a estética é uma renúncia ao músculo.

Claro que a renúncia ao músculo é sempre temporária porque a morte vem, e nela o corpo tem de estar presente. Porém a estética não. A morte, poderias dizer, torna dispensável a estética.

Se colocares o ouvido junto ao dorso de uma vaca não escutarás o som do mar.

Gonçalo M. Tavares, Biblioteca (2004)

30/10/2007

Bromilde


Bromelia humilis («heart-of-fire»)

É parente do ananás (Ananas comosus), tem hábito rasteiro, folhas fibrosas dispostas em roseta com margens dentadas (perigosas para seres pequeninos e curiosos) e flores azul-arroxeadas tão diminutas que, por solidariedade, na época da floração o centro da planta se tinge de vermelho para avisar calorosamente os polinizadores que está na hora de cumprirem as suas obrigações. É o melhor exemplo que temos de uma flor-em-família.

Do norte da Venezuela, Guiana e Trindade, gosta de solos bem drenados e soalheiros, mas tolera bem o nosso Inverno. Este exemplar mora num declive escarpado da Quinta da Bonjóia.

O nome foi-lhe dado por Lineu em homenagem ao naturalista sueco Olaf Bromel (1639-1705).

31/10/2006

Filosofia da janela fechada

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela
.


Alberto Caeiro (1925)


Billbergia euphemiae