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07/09/2009

Esponjeira


Escallonia bifida Link & Otto

O Jardim Botânico e o Instituto Botânico que lhe fica anexo são pedaços da Universidade de Coimbra onde a história está viva. Visitar o jardim na íntegra não é fácil: estufas, mata e vários outros lugares só são franqueados aos participantes em visitas guiadas, que têm de se inscrever com dias de antecedência. Mas mesmo um passeio pelos espaços abertos ao público, dos quais avulta o setecentista Quadrado Central, permite entrever a continuidade de uma história com mais de 230 anos. Nem todas as árvores são monumentais ou muito antigas - poucas aliás haverá nessas categorias -, mas moram nos mesmos recantos que, sabemo-lo, foram ocupados por outras árvores noutras gerações. Os muros estão forrados por trepadeiras e arbustos que por vezes são difíceis de destrinçar, e que cresceram e se multiplicaram num abandono controlado, dispensando placas de identificação. Tanto assim é que uma expedição botânica ao Jardim Botânico de Coimbra haveria de trazer descobertas interessantes.

Uma das plantas que, abraçada a um muro, viceja num tranquilo anonimato é a Escallonia que aqui trazemos hoje, a terceira do seu género a subir ao palco (clique na etiqueta Grossulariaceae mais abaixo para ver as outras duas). Mora no extremo norte da Alameda Júlio Henriques, que delimita o jardim a leste, e goza no seu canteiro de uma vista invejável para o Aqueduto de São Sebastião. Não que isso lhe importe, mas é do máximo interesse para o brio do fotógrafo - a quem cabe procurar, para cada planta, o ângulo que mais a favoreça.

A Escallonia bifida, ou esponjeira, é uma espécie arbustiva de folha perene originária do Brasil e do Uruguai; atinge os três metros de altura e floresce no Verão e no Outono. Tal como sucede com a sua congénere mais vulgarmente cultivada, a Escallonia rubra, a folhagem lustrosa e o crescimento vigoroso, a que neste caso se junta o vistoso efeito das panículas floridas, fazem dela uma óptima escolha para a formação de sebes.

01/09/2007

Escallonia «Iveyi»



São cerca de 40 as espécies do género Escallonia (de Escallon, um fidalgo espanhol que acompanhou expedições à América do Sul no século XVIII), nativas do Chile, Brasil, Argentina e Uruguai. São muito resistentes ao vento e há inúmeros cultivares europeus, criados como ornamentais ou para protecção costeira. Segundo o livro The Botanical Garden, de Roger Phillips e Martyn Rix (Macmillan, 2002), o da foto apareceu em Caerhays Castle, Cornwall, nos anos 20 do século passado. É notória a semelhança da folhagem e das flores com as da espécie E. rubra, e foi isso que nos permitiu identificá-la.

No Brasil as escalónias são popularmente conhecidas como esponjas-do-mato. Por que será?

10/04/2007

Doces bagas


Ribes sanguineum

O género Ribes, de arbustos silvestres bem disseminados no hemisfério norte, é, a par dos scones, o responsável pela fama do chá-das-cinco, servido num regalo de tartes - as de maçã ainda quentes ou as de groselha, seja ela escarlate ou negra - de compotas, geleias e natas. Estes frutos são pequeninos, redondos, suculentos, ricos em vitamina C, com uma pontinha aguçada herdada da flor seca. A espécie da foto, Ribes sanguineum, endémica no norte da Califórnia, é sobretudo ornamental. A folhagem é pendente, frondosa e aromática; as flores nascem em cachos e têm perfume insinuante.

À família Grossulariaceae pertencem também as escalónias, como a Escallonia rubra que é frequente nas nossas sebes, suporta estoicamente a poluição urbana e também está agora em floração.


Escallonia rubra