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06/09/2006

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

«Desde 1808, quando o nosso príncipe-regente D. João fundou o nosso Jardim Botânico, o Rio é forte em botânicos, naturalistas e geólogos. Naqueles idos, o império português tinha filiais por toda parte, o que fez com que o Jardim Botânico fosse agraciado com as mudas exóticas que o príncipe mandava trazer da África, da Índia e da China - de insaciáveis plantas carnívoras, capazes de abocanhar uma nuvem de gafanhotos, às especiarias e folhas de chá mais delicadas. Era tanto exotismo, na verdade, que a escritora inglesa Maria Graham, em visita ao jardim em 1823, queixou-se de não ver ali nenhuma planta brasileira. Mas, como sempre acontece no Brasil, em pouco tempo tudo aquilo se tornaria brasileiro, tanto quanto os tinhorões, jacarandás, comigo-ninguém-pode e outros milhares de espécimes locais que foram colhidos nas redondezas e incorporados à coleção. Os cariocas aprenderam e processaram aquela riqueza em menos tempo do que você levaria para pronunciar ecobiodiversidade - inclusive os escravos, que foram os primeiros botânicos e naturalistas negros de que se tem notícia. O Rio passou a atrair cientistas de toda parte - sumidades como William Swainson, Carl Philipp von Martius, Johann Baptist von Spix, Auguste de Sainte-Hilaire e o barão de Langsdorff - e, de seu intercâmbio com os nativos, resultaram estudos na área da farmacopéia que devem ter feito a fortuna de vários laboratórios europeus. Desde então, o próprio Jardim Botânico tornou-se um laboratório vivo.

Pode-se passar uma eternidade ali sem esgotar suas possibilidades: 8 mil espécies vegetais, quase duzentas espécies de pássaros e um farto sortimento de borboletas, cigarras, grilos, besouros, aranhas, sapos, lagartos e outros bichos cascudos, cabeludos e úmidos. Tudo fichado e catalogado - nem uma libélula escapa à observação de seus institutos de pesquisa. É uma festa da Natureza e da investigação científica. (...) O incrível é que o Jardim Botânico não fica em nenhuma serra bucólica e longínqua, a quilómetros dos limites urbanos. Seus 180 hectares estão plantados bem no coração do Rio, a dez minutos de Copacabana, oxigenando pulmões e avenidas.»

Ruy Castro, Rio de Janeiro Carnaval no fogo (2006)

24/08/2006

Jardim Botânico de Munique



Fotos cedidas pelo desNorte (clique para aumentar)

O Jardim Botânico de Munique foi fundado em 1812, mas só em 1914 se fixou na sua actual localização, um parque de 22 hectares nos arredores da cidade, contíguo ao palácio de Nymphenburg. Um jardim botânico com notáveis colecções, excelentemente planeado e mantido. As fotos que hoje publicamos (e outras que ficarão a aguardar melhor oportunidade) servem para aguçar o apetite a quem, como nós, nunca lá foi.

A árvore da segunda foto é um Acer sieboldianum, árvore de pequeno porte originária da China e da Coreia que tem a elegância característica dos áceres orientais; não nos recordamos de alguma vez a ter visto em Portugal. Na última foto aparecem prímulas de uma espécie (Primula vialii) pouco comum nos nossos jardins.