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13/04/2021

Tamujo das ilhas

O arquipélago dos Açores é feito de terra jovem de origem vulcânica. A ilha mais nova é o Pico, com cerca de 40 mil anos, sendo Santa Maria a mais antiga, não tendo, porém, mais do que 14 milhões de anos. Como medida de comparação podemos usar o arquipélago da Madeira, que terá nascido há uns 70 milhões de anos. As ilhas açorianas distam relativamente pouco dos continentes europeu e africano, e as plantas que hoje vegetam nestas ilhas resultaram da colonização de espécies continentais (possivelmente com uma passagem por outras ilhas da Macaronésia), que sobreviveram à viagem, se adaptaram ao solo poroso mas muito fértil, e cujo ciclo de vida se coordenou com o clima atlântico de temperaturas amenas e muita chuva. Passados milhões de anos, algumas das plantas açorianas têm já fraca lembrança dos progenitores, e são hoje espécies autónomas, que não existem em mais nenhum local do mundo. Por exemplo, o Cerastium azoricum, a Myosotis azorica e a Euphrasia azorica só ocorrem nas ilhas mais ocidentais, Flores e Corvo, embora os géneros correspondentes estejam representados na flora continental. Noutras espécies, porém, a herança genética foi mais resistente à erosão do tempo, ou a chegada às ilhas foi mais tardia, ou a colonização foi mais difícil — e as semelhanças morfológicas com as espécies continentais mantêm-se. Por isso, é ainda controverso que essas plantas açorianas constituam espécies distintas.

Myrsine retusa Aiton — flores femininas em cima; masculinas em baixo


É o caso da Myrsine retusa, cuja designação científica não é definitiva, havendo botânicos que preferem considerá-la uma subespécie ou variedade da Myrsine africana. A M. africana ocorre no centro, leste e sul de África e em grande parte da Ásia, preferindo aí locais pedregosos e bem drenados, em ambiente florestal. Uma ecologia, afinal, não muito diferente da açoriana. De qualquer modo, havendo actualmente meios de diferenciação genéticos bastante eficientes, é uma questão de tempo até que algum botânico se disponha a encetar tal estudo, dissipando de uma vez quaisquer dúvidas.

O tamujo tem, todavia, um perfil peculiar entre os cerca de 70 endemismos açorianos conhecidos: para além da Myrsine retusa, só duas espécies adicionais (Smilax azorica e Corema album subsp. azoricum) são dióicas. Supomos que, nesse pormenor, estas espécies tenham estado em desvantagem, pois são precisas plantas dos dois sexos para que a espécie se instale com sucesso num novo habitat.

Da família Primulaceae, o tamujo está presente em todas as ilhas açorianas, aprecia os bosques sombrios e frescos de cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), e forma arbustos baixos de folhagem perene muito ramificada, com folhas ovais arredondadas, alternadas, coriáceas e dentadas no ápice. A floração inicia-se no fim de Março, pelo menos na ilha de Santa Maria, onde pudemos finalmente ver este ano as flores: as masculinas com anteras vermelhas muito vistosas; as femininas diminutas (cerca de 2 mm), esbranquiçadas, com sépalas pintalgadas. O fruto é uma baga com uma semente.

Santa Maria: Picconia azorica (à esquerda); Pico Alto (à direita); Monte Gordo (em baixo)

26/05/2020

Sinos da neve

Numa visita à estância de esqui de Lunada, na Cantábria, no fim de Maio de 2018, tivemos oportunidade de ver plantas que se apressam a florir logo que a neve começa a derreter. São, em geral, herbáceas perenes, de pequeno porte, com folhas espessas de formato arredondado para captarem toda a luz disponível, e com pé longo para não ficarem rentes ao solo onde correriam o risco de se estragarem com o excesso de humidade. Esperam ter as flores fáceis de localizar, no que ajuda ter uma haste floral erecta e alta, e estar prontas para atrair a também recém-nascida, e decerto esfomeada, geração de polinizadores que ainda aprende a interpretar o mundo. Apesar de os dias já serem um pouco mais quentes no fim da Primavera, nesse ano havia ainda muita neve a uns 1350 m de altitude, e eram poucas as horas do dia sem nuvens a ensombrá-las. É talvez difícil detectar flores nestas condições, sobretudo se elas forem minúsculas e pouco coloridas. Mas as da Soldanella (cujas hastes não excedem os 12 cm de altura) jogam pelo seguro: são vistosas pela cor e pelo formato das pétalas.


Soldanella alpina L.
Todos nós conhecemos outras espécies com pétalas fimbriadas, ou corolas com franja,  embora só recentemente nos tenhamos questionado sobre o eventual benefício de florir com tais enfeites. Não demorámos, porém, a descobrir que já houve botânicos a investigarem esta questão. Num estudo a propósito das flores do género Trichosanthes (da mesma família que produz as abóboras, as melancias, os melões ou os pepinos), os autores propõem algumas respostas. Conjecturaram que este formato das flores estaria relacionado com a acção dos polinizadores, embora a origem e função da subdivisão das pétalas pudesse variar com as espécies. Compararam então espécies do mesmo género, umas com flores fimbriadas e outras não, de várias regiões com habitats distintos, e concluíram que os polinizadores noctívagos são especialmente atraídos para flores com orlas franjadas. O recorte das pétalas decerto aumenta o contraste entre as suas margens e a escuridão envolvente, e a área (ou a impressão dela) exposta ao polinizador. Quando este perfil se combina com uma tonalidade adequada, um aroma sedutor e o ondear das tirinhas ao vento, a visibilidade da flor e o sucesso da polinização estão garantidos. Talvez a confirmar a conjectura, a adaptação a polinizadores diurnos em algumas espécies levou à perda do carácter fimbriado das corolas.

O género Soldanella abriga umas 10 espécies cuja distribuição se restringe às montanhas da Europa. Em todas elas, as flores têm um hábito pendente, mais ainda se chove, protegendo desse modo o interior da flor. Pode ver aqui os frutos da S. alpina, e ainda imagens de mais três espécies.

12/06/2018

Presas na neve


Androsace cantabrica (Losa & P. Monts.) Kress


Na nossa terceira visita ao pico onde nascem rios que desaguam em três mares, optámos por uma data intermédia às das visitas anteriores, que tinham sido em Maio e Julho. Desse modo esperávamos conhecer todas as plantas que, à vista da estância de esqui do Alto Campoo, florescem desde a Primavera até ao início do Verão. Só que a metereologia trocou as voltas ao calendário: chegando três semanas mais tarde do que em 2017, a muita neve que faltava derreter, impedindo o trânsito de veículos e de caminhantes, sugeria, em vez disso, que chegáramos um mês mais cedo. A estância encerrara já a temporada, mas alguns esquiadores ainda ensaiavam umas descidas trôpegas. O cenário bonito da neve cobrindo os picos, com uns caóticos rasgões negros quebrando aqui e ali a uniformidade do branco, significava que os nossos planos tinham saído furados e não havia onde apresentar reclamação. Todas as plantas com que tínhamos combinado encontro estavam prisioneiras da neve, e nenhuma pôde comparecer. Como na lenga-lenga infantil, apetecia-nos implorar ao "sol que és tão forte" para derreter a neve e libertar as plantinhas. Mas a força do sol estava atenuada pelas nuvens carregadas de chuva que se interpunham entre ele e nós; e, mesmo que toda a neve se fosse, as plantas têm os seus vagares e nós não poderíamos ficar à espera.

Estas fotos de Maio de 2017 documentam dois dos reencontros que não tivemos em 2018. São duas espécies perenes de Androsace, uma com a floração bem adiantada e a outra acabando de abrir a primeira flor. A de flores cor-de-rosa, A. cantabrica, desautorizava a Flora Iberica (F.I.) de forma escandalosa, uma vez que essa douta publicação só lhe permitia florir a partir de Julho. A A. vitaliana, de flores amarelas, desobedecia no sentido oposto, pois a F.I. dava-lhe licença para florir já a partir de Abril.

Da família das prímulas, com numerosas flores pequeninas (3 a 4 mm de diâmetro) formando almofadinhas de um colorido atraente, as Androsace vivem em ambientes rupestres nas altas montanhas da Europa e da Ásia. Os Himalaias albergam o maior número de espécies, mas a Península Ibérica, com 15 espécies, várias delas endémicas, não tem razão de queixa. Uma das endémicas é a Androsace cantabrica, que está confinada às montanhas entre as províncias de Cantábria e Palência (Pico Três Mares e uns poucos cumes adjacentes). Verdade que, sem uma contagem de cromossomas ou a verificação (nem sempre conclusiva) de alguns miúdos detalhes, a A. cantabrica distingue-se mal de espécies próximas como a A. halleri. De modo que o leitor talvez não precise das quinze espécies ibéricas para inaugurar o seu rock garden: poderá conseguir o mesmo efeito com apenas umas sete ou oito.


Androsace vitaliana (L.) Lapeyr.

19/12/2017

A prímula mais alta


Primula elatior (L.) Hill


As convulsões que têm afligido Espanha, ameaçando a sua integridade, são o resultado inevitável das más partilhas feitas pelos primeiros reis ibéricos. Na senda da deriva independentista da Catalunha, veio há semanas a público uma proposta do parlamento andaluz de se criar uma Grande Andaluzia, agregando-se à província com esse nome os demais «países andaluzes»: Múrcia, Algarve e Alentejo. Portugal não deve ficar mudo e quedo face a estas pulsões expansionistas que ameaçam reduzi-lo e retalhá-lo. Sim, deve afirmar desde já a vontade firme de anexar a Andaluzia — ou, em versão diplomática, a calorosa disposição de acolher a Andaluzia e as suas gentes, se elas enveradarem por uma trajectória secessionista face a Madrid. Mas não deve ficar por aqui. Que a Galiza não faça parte de Portugal é um erro crasso denunciado há muitos séculos por patriotas portugueses e galegos. Este é o momento de agir: Portugal cumpre o seu destino histórico e, ao mesmo tempo, remedeia a sua vergonhosa penúria em espécies do género Primula.

Os números são de uma triste eloquência: temos uma única espécie, Primula acaulis, quando, sem contar híbridos nem subespécies, em Espanha há oito, na Europa 33, e na China e Himalaias mais de 300. Unindo-nos à Galiza passaríamos a ter três. Sem ser bom, ajudaria a atenuar a injustiça. A mais alta das prímulas (é isso que garante, com algum exagero, o epíteto específico), Primula elatior, faria parte do enxoval, acompanhada pela Primula veris (se o seu latim anda tremido, saiba que aquele veris não significa que esta prímula seja mais verdadeira que as outras, mas sim que floresce na Primavera, como aliás fazem quase todas). Ficaríamos ainda privados desta jóia, mas ganharíamos alento para novas conquistas.

A P. elatior, que encontrámos nas Astúrias e na Cantábria, é mais frequente no norte de Espanha, ao longo dos Pirenéus e da cordilheira cantábrica; no resto da Península, só aparece na serra Nevada e, muito esporadicamente, em algumas serras do Sistema Central ibérico (Gredos e Guadarrama). As suas flores são pálidas como as da P. acaulis e surgem agrupadas na extremidade de hastes erectas como na P. veris; as suas folhas muito rugosas, reunidas em roseta basal, são também uma média entre as folhas das duas outras espécies. É natural que se levante a suspeita: será a P. elatior, não uma verdadeira espécie, mas um híbrido da P. verna com a P. acaulis? A resposta é negativa, pois o híbrido entre as duas ocorre naturalmente, acompanhado pelos seus progenitores, em grande parte da Europa; e, como podemos confirmar nesta página, não tem a cara da P. elatior, embora faça lembrar. As flores são mais pequenas, exibem manchas escuras na base das pétalas, e não estão todas viradas para o mesmo lado como sucede na P. elatior; além disso, os cálices são claramente diferentes (compare com a 3.ª foto acima) e as hastes florais mais curtas.

18/10/2017

Flores do arco-íris

Hibernar não é, como sabemos, um privilégio dos ursos. Nas montanhas que se cobrem de neve quase todo o ano, são inúmeras as espécies de plantas que, tendo começado por arriscar pouco sendo anuais, evoluíram para formas perenes ou que geram sementes que, como as princesas dos contos de fadas, adormecem por longos períodos sem perder a viabilidade. Adequar-se com prudência a esse habitat extremamente frio, que só permite uma espreitadela ao sol numa fracção mínima do ano, exigiu adaptações minuciosas, e decerto várias tentativas até ao sucesso. No caso do género Androsace, um dos poucos com espécies a viver acima dos 4000 metros, o que notamos hoje é que as rosetas basais de folhas cobertas de penugem da Androsace villosa sem dúvida a beneficiam, pois as almofadinhas de folhas agasalham melhor a base frágil da planta e asseguram estabilidade em fissuras rochosas de taludes inclinados e expostos. E também nos parece que, num habitat com tanta brancura, as flores alvas têm maior chance de sobreviver aos predadores, não deixando de ser avistadas pelos polinizadores graças ao centro da corola mais garrido (como é usual na família Primulaceae). E não diriam igualmente que formar tapetes de flores é um excelente plano para uma planta rasteira com flores minúsculas como estes jasmins-da-rocha?


Androsace villosa L.


Pois sim, acreditamos que estes aspectos morfológicos são adaptações ao ambiente, mas como se confirmam cientificamente estas opiniões? Fomos à procura de artigos científicos neste assunto, e encontrámos publicações de botânicos empenhados em comprovar que as condições climáticas nas montanhas do hemisfério norte ajudaram a moldar a forma e o ciclo de vida que hoje conhecemos em algumas espécies do género Androsace, criando oportunidades valiosas de colonização.

Para testar as inúmeras hipóteses sobre os possíveis mecanismos de pressão selectiva, houve que criar modelos matemáticos que simulassem vários cenários de evolução, a interacção gradual com o habitat e a variação mais ou menos aleatória das condições necessárias à viabilidade das plantas. Juntaram-se-lhes análises genéticas para aferir o grau de diversidade de várias espécies conhecidas neste género (que somam cerca de 110), adaptadas a distintas ecologias, e para quantificar outros sinais filogenéticos com valor estatístico. Em resumo, as conclusões dos cientistas revelam que é bastante provável que, neste caso, haja uma conexão relevante entre a ecologia e a evolução morfológica: quando as espécies ancestrais de Androsace, com regimes anuais, chegaram a zonas mais frias e de maior altitude sem poder retroceder, a forma almofadada da folhagem foi a inovação que lhes conferiu a resistência e a tolerância adequadas ao clima agreste.

As drásticas alterações climáticas que a humanidade está a impor à Terra, combinadas com a reduzida capacidade destas herbáceas de migrar rapidamente para outros nichos, podem levar a que estes ajustes ao clima e ao meio ambiente, que nos parecem tão fantásticos, as condenem afinal a desaparecer depois de milhões de anos de esforço de sobrevivência em regiões montanhosas dispersas, isoladas e antes fragmentadas pela neve. Com elas se apagará um legado notável na história geológica e evolutiva do planeta.

13/06/2017

Olho de pássaro

Este ano retornámos à Cantábria, mas viajámos em Maio, dois meses mais cedo do que na visita anterior. Da nossa agenda constavam algumas das espécies de montanha que em Julho de 2015 já só tinham frutos para nos mostrar. Mas desenganámo-nos logo à chegada: é difícil acertar na melhor data para ver esta e aquela flor. Restarão, pois, sempre motivos para lá voltar.

Desta vez, em alguns locais a neve ainda não tinha derretido, e as plantas, cautelosas, aguardavam em folha até que o tempo aliviasse. Exemplo disso foi a Pulsatilla vernalis, que estava em flor, sim, mas teimosamente fechada. Pensámos nisso, mas não cedemos ao impulso de lhe forçar as pétalas; demos mais uma volta pelo Pico Tres Mares para lhe dar tempo de acordar, mas nem assim. Outra desilusão foi a Paris quadrifolia que, abrigada nas fissuras de rocha calcária do Picon del Fraile, tinha a haste floral a assomar mas parecia encolher-se para evitar a chuva fria que entretanto desabou sobre nós. Nos fantásticos bosques de faias, por outro lado, a pressa era outra. A maioria das herbáceas tem de florir enquanto há luz, antes que as folhosas tapem o solo com a sua sombra cerrada. Por isso, em muitos deles (mas não em todos, como vos contaremos), da Hepatica nobilis, da Anemone nemorosa, do Allium ursinum ou da Oxalis acetosela já só havia folhas. Contudo, nas turfeiras de alta montanha (acima dos 1300 metros), a natureza parecia regular-se pelo mesmo relógio que nós. E num terreno muito encharcado, entre inúmeros pés de martaguinho, lá estavam as flores que procurávamos, acabadas de fazer.

Primula farinosa L.


Esta é uma espécie perene que ocorre nas montanhas do norte e centro da Europa até ao Ártico, com plantas baixinhas (3-12 cm de altura, raramente mais) e muito atraentes. Nas flores em tom carmim destaca-se o centro amarelo, numa combinação que a alguns lembra um olho de pássaro. As folhas com formato de colher, unidas numa roseta basal, parecem polvilhadas de farinha (justificando o epíteto farinosa), mas são de facto revestidas a lã-de-prímula para agasalhar a haste floral erecta.

O género Primula parece especialmente bem adaptado a regiões frias, ocorrendo a maioria das 500 espécies em prados ou escarpas abrigadas dos Himalaias, ainda que haja também registo de algumas nas montanhas do norte de África. O nosso clima cálido não parece permitir, nem na serra da Estrela, grande variedade de prímulas, e o contingente por cá reduz-se à P. acaulis.

29/03/2013

Linho das lagartixas

Asterolinon linum-stellatum (L.) Duby
Desta vez o título absurdo não é culpa portuguesa, mas sim do nome que em Espanha é dado a esta discreta planta anual. Não se vê que relação possa ter ela com as lagartixas, a não ser talvez a preferência — que lhe é atribuída pelos manuais, mas nem sempre é respeitada — por sítios secos e soalheiros. A alusão ao linho, que remonta pelo menos a Lineu, primeiro descritor da planta, é de mais fácil entendimento, e justifica-se pela semelhança de porte e folhagem entre os dois géneros. Ambas as plantas têm folhas pontiagudas, lanceoladas e sésseis, mas só no Asterolinon elas se dispõem aos pares ao longo do caule. À semelhança morfológica não correspondem predicados equiparáveis, e não consta que o Asterolinon forneça, como o linho-comum (Linum usitatissimum), boa fibra para confecção de tecidos, ou que das suas sementes se extraia alguma essência medicinal.

Num raro exemplo de dupla redundância, o nome científico da planta refere por duas vezes tanto o linho como as estrelas; dado que ela não tem nome em português, iremos tratá-la por linho-das-estrelas. As estrelas, no formato estilizado das cinco pontas, são os cálices das flores, que têm corola diminuta, branca, quase invisível a olho nu, e são sustentadas por pedúnculos filiformes que brotam das axilas das folhas. Tudo no linho-das-estrelas é miniatural: a planta fica-se pelos 5 ou 6 cm de altura (as mais altas podem chegar aos 18), as flores (incluindo cálice) medem um máximo de 4 mm de diâmetro, e as folhas terão 5 a 6 mm de comprimento. O seu breve ciclo de vida cumpre-se entre o fim do Inverno e os primeiros calores de Verão. Por ser efémera, pequena e pouco vistosa, é frequente a planta passar despercebida. A sua silhueta é, no entanto, inconfundível; e, em condições favoráveis, ela é capaz de formar populações muito numerosas.

O linho-das-estrelas está presente em todas as províncias portuguesas e em toda a Península Ibérica, em altitudes variando desde o nível do mar até mais de 1000 m. Globalmente a sua distribuição abrange a bacia mediterrânica e ainda as Canárias.

26/09/2011

Morrião dourado

Lysimachia azorica Hornem. ex Hook. [= Lysimachia nemorum subsp. azorica (Hornem. ex Hook.) Palhinha]


Após um intervalo de quatro semanas, regressamos à ilha das Flores e à flora açoriana para fazer dois aditamentos. Neste primeiro mostramos uma das plantas mais comuns em lugares húmidos - o que nas Flores abrange quase a ilha inteira. Aí, de facto, a Lysimachia azorica só está ausente dos pontos mais baixos do litoral. À medida que subimos pela estrada em direcção às caldeiras, o amarelo das suas flores vai-se tornando mais frequente nos taludes; até que, nas turfeiras que se sucedem às pastagens, não há metro quadrado de terreno que ela desaproveite. A única outra planta nativa que com ela rivaliza em abundância é o feto-pente (Blechnum spicant). E a Lysimachia azorica não é apenas nativa: é uma planta endémica açoriana; existe em todas as ilhas do arquipélago, mas não existe em nenhum outro lugar do mundo.

Ou será que existe? A Lysimachia azorica é sósia quase perfeita da Lysimachia nemorum, uma espécie europeia que se distribui do norte da Península Ibérica até à Grã-Bretanha e à Escandinávia, e daí desce até à Itália. Já que a espécie açoriana nem sequer ganhou nome vernáculo, inspiramo-nos naquele que os britânicos dão à sua irmã gémea (yellow pimpernel) para lhe chamar morrião-dourado. A semelhança entre as duas suscita uma pergunta inquietante: não se dará o caso de serem uma e a mesma espécie?

A pergunta não tem deixado de apoquentar os botânicos desde que, em 1817, Jens Wilken Hornemann (1770–1841), director do Jardim Botânico de Copenhaga, cultivou a planta a partir de sementes trazidas dos Açores por um oficial da marinha dinamarquesa. O próprio Hornemann começou por considerar que se tratava da Lysimachia nemorum, mas mudou de opinião e baptizou-a como Lysimachia azorica. No entanto, Moritz August Seubert (1818–1878), na sua Flora Azorica (1844), volta a chamar-lhe Lysimachia nemorum. Em meados do século XX a contenda não estava ainda decidida. Rui Teles Palhinha (1871-1957), estudioso da flora açoriana e autor de um Catálogo das plantas vasculares dos Açores (publicado postumamente em 1966), dedicou-lhe um artigo (Acerca de uma Lysimachia açorense) que apareceu em 1956 no Boletim da Sociedade Broteriana. Conta Palhinha que ele próprio teve uma opinião oscilante sobre o assunto, mas que, depois de observar ao vivo tanto as plantas continentais como as insulares, concluiu que as dois taxónes não configuravam espécies separadas. Entendeu, ainda assim, que as plantas açorianas eram diferentes (caules não tão prostrados; folhas obtusas e de margens recurvadas; flores maiores e de pétalas mais estreitas), e por isso se justificava autonomizá-las numa subespécie. Estava salvo um endemismo açoriano, embora despromovido para uma divisão secundária.

O próprio Palhinha, consciente de que a taxonomia botânica não é uma ciência exacta, parecia adivinhar que a história não terminava aí. Escreveu ele a dado passo: A observação de uma planta é objectiva, mas a sua posição sistemática é totalmente subjectiva. Baseia-se esta, sem dúvida, nos caracteres observados, mas a apreciação desses caracteres e, o que é mais, o seu valor, dependem apenas do critério do estudioso.

O critério do João do Amaral Franco, no vol. II da Nova Flora de Portugal (1983), foi diferente do de Palhinha: segundo ele, o morrião-dourado açoriano não é claramente distinguível da sua versão continental. Estava o enterro consumado: o que existe nos Açores, na opinião de Franco, é a Lysimachia nemorum sem mais, e não uma subespécie.

Numa reviravolta inesperada, não é a opinião de Franco, o patriarca da botânica portuguesa, que hoje em dia prevalece. Nem sequer a de Palhinha. A Lysimachia azorica ressuscitou, já não subordinada à L. nemorum, e surge em todas as listas recentes de endemismos açorianos. Que se terá passado? Alguém com olho mais apurado e prestígio ainda mais firme viu mais e melhor do que Palhinha e Franco? O que aconteceu foi que a taxonomia botânica evoluiu, e não depende tanto, como na época de Palhinha, do critério subjectivo de um estudioso. A evolução é tecnológica: são os estudos genéticos que servem agora para tirar a prova dos nove. Os botânicos alemães Günther Rudolf Heubl e Robert M. Vogt publicaram na revista Mitteilungen der Botanischen Staatssammlung München, em 1988, um artigo (com um título difícil de ler em voz alta: Zyto- und chemotaxonomische Studien an Lysimachia nemorum L. und Lysimachia azorica Hornem. ex Hooker) que parece ter encerrado de vez a discussão. Dizemos parece porque não vimos o artigo: os textos publicados em revistas científicas só estão, em geral, disponíveis ao público que os paga assinando-as. Alguém nos pode ajudar?

Adenda. O artigo de Heubl & Vogt sobre a Lysimachia (o qual, de facto, revalida definitivamente a L. azorica como espécie autónoma, distinta da L. nemorum) pode ser lido aqui (PDF) - muito obrigado a Ricardo Lima pela ajuda.

02/03/2011

Prímula dentuça

Primula denticulata Sm.
Nome vulgar: drumstick primula
Ecologia e distrbuição: zonas montanhosas húmidas do Afeganistão ao sudeste do Tibete, e ainda da Birmânia e do sul da China
Época de floração: Abril a Agosto
Data e local das fotos: Gordon Square (Bloomsbury, Londres), Maio de 2010

14/09/2010

Morrião dos brejos

Anagallis tenella (L.) L.


Submersos pelas crises que nos tolhem o passo, pouco se tem discutido o facto de o sol ser uma estrela anã, que tem brilhado intensamente e por isso consumido hidrogénio com apetite voraz, não tardando o dia, que então se confundirá com a noite, em que só restará um carvãozinho frio. Acabarão finalmente os incêndios no nosso sistema planetário, é certo, mas alguns seres lamentarão este destino, como a herbácea da foto e as suas irmãs cujas flores temerosas só abrem se o sol as aquece.

Não há semelhança notória entre as manas e até Lineu hesitou: começou por chamar-lhe Lysimachia tenella e só depois emendou a mão para Anagallis (daí o (L.) L. no nome científico, que o leitor já estava a apontar no seu caderninho de erros deles). De qualquer modo, as flores são também de Primavera-Verão, miniaturais (cerca de 10 mm de diâmetro) e as folhas opostas, glabras e carnudas revelam alguma parecença com as dos outros morriões. Contudo, a planta da foto, que é perene e natural do oeste europeu, região mediterrânica e Macaronésia, é mais delicada (tenella) e precisa de solo bastante encharcado. Por isso rasteja, enquanto enraíza os ramos pelos nós, acedendo a mais água sem nunca se expor ao risco de apodrecer com a humidade excessiva.

Mas, ainda antes do sol, talvez se extinga por descuido de quem gere áreas (des)protegidas — apesar de, pelo menos nos Açores, constar da lista da flora vascular de conservação prioritária.

25/08/2010

Alfacinha do rio

Samolus valerandi L. — rio Coura, Caminha (fotos de M. M. F.)
É uma planta comum em estuários e outros ambientes húmidos e salobros. Há que procurá-la durante o Verão, quando floresce, pois de outro modo passa despercebida. As suas minúsculas flores brancas, levantadas num frágil cacho, são tudo quanto possui para nos chamar a atenção. Apesar das insistentes referências à ocorrência desta planta, só a conhecia de a ver mencionada em listas de espécies e representada em livros. Mas poderei chamar a isso conhecer?

Encontrei-a uma noite destas, agigantada, com flores do tamanho de punhos fechados, de um branco faiscante. Apesar de disforme, não hesitei em reconhecê-la: aqui estás, Samolus valerandi, até que enfim! Quando acordei, um único impulso me tomou, apesar do calor extremo do dia: procurá-la no sítio mais à mão, a junqueira do Coura próximo de Caminha, onde tinha andado em pleno Inverno a registar plantas adormecidas. Quase como no sonho, ali estava ela à minha espera, multiplicada numa pequena população em flor, enraizada na vasa e nas paredes do antigo valado que atravessa a junqueira, à sombra dos caniços e das austrálias. Só estando ali se percebe o que não vem nos livros: que aquele milagre de delicadeza é suficientemente firme para suportar duas vezes por dia a submersão pela água da maré (pode mesmo apreciar-se o efeito da tensão superficial da água, à medida que os cachos erectos vão sendo submersos). Um implacável vai-vem de água salobra liga esta humilde planta à força gravítica da Lua.

Creio que não foi um acaso que me levou até lá, embora não saiba bem o que foi. Antes de sair dali, uma restolhada súbita pôs-me alerta: viria alguém pelo valado fora, naquele sítio de tão difícil acesso? Uma pessoa? Um cão? Uma cabeça castanha espreitou do outro lado do tronco da árvore a que estava encostado: focinho escuro, longos bigodes, olhos salientes. Ali estava uma lontra a olhar tranquilamente para mim. Mergulhou, reapareceu, continuou a olhar para mim, mergulhou de novo e foi à sua vida.

Compreendi que por vezes a realidade pode ultrapassar certos sonhos. Na junqueira do Coura ainda está (quase) tudo por descobrir.


Manuel Miranda Fernandes
Agosto de 2010

Samolus valerandi L. — Mindelo, Vila do Conde

22/03/2010

Primavera oriental

Primula japonica A. Gray
Tenho um vizinho que, gostando embora de plantas e cultivando uma variedade razoável delas no seu minúsculo jardim, revela alguma dificuldade com os nomes científicos. Como não gosta de fazer má figura, recorre amiúde a uma ou duas muletas de efeito assegurado. Uma delas é socorrer-se do epíteto japonica. São tantas as plantas que legitimamente ostentam esse nome que o erro, a existir, não será grave: se aquela não é japonica, outra haverá da mesma família que já o é, e a diferença entre as duas não será de grande monta. Foi assim que a magnólia-sempre-verde do jardim do meu prédio passou a ser uma Magnolia japonica — ela que, originária do sudeste dos EUA, sempre foi tratada como Magnolia grandiflora por causa das suas grandes flores. Mas não se ofendeu nada com a troca, até porque tem muitas primas japonesas.

Também as prímulas ou primaveras europeias (de que já mostrámos dois exemplos) têm família no país dos samurais. E nada melhor, para comprovar a asserção, do que trazer aqui a Primula japonica. Como país do hemisfério norte situado aproximadamente à mesma latitude que o nosso, as estações do ano, no Japão, são comparáveis às que aqui temos, e ocorrem na mesma altura. Contudo, lá a floração das primaveras (falo da flor, não da estação) é mais tardia, prolongando-se até ao Verão.

A P. japonica distingue-se da P. veris por ter as inflorescências organizadas em patamares: em cada andar — pode haver até seis — as flores dispõem-se em círculo, formando uma espécie de grinalda. Flores que podem ser brancas, ou assumir vários tom intermédios entre o branco e vermelho carregado. Nos dois extremos da escala cromática há cultivares registados no mercado europeu de jardinagem: «Miller's crimson» e «Postford white».

10/03/2010

Recado da Primavera

Primula veris L. [fotografada em Inglaterra]
Primaveras é como por cá chamamos às plantas do género Primula, de que já aqui mostrámos a única representante na flora espontânea portuguesa. De resto, prímulas temos muitas, e muito coloridas, nos canteiros de flores sazonais que ainda não foram abolidos em favor das calçadas de granito. Plantas de floração precoce, são elas que asseguram os serviços mínimos da jardinagem pública durante o Inverno. Mas essas produções viveiristas, por muito que nos encantem, não nos compensam da tristeza de sermos o único país da Europa onde a Primula veris (cowslip em inglês) não quis viver. Afinal os nossos problemas não se reduzem ao PIB e ao défice orçamental, pois também no que às prímulas diz respeito ocupamos a cauda do pelotão europeu.

Também em latim existem os falsos amigos que fazem tropeçar quem se inicia numa língua estrangeira. Assim, o epíteto veris não nos informa de que esta é a única prímula verdadeira, mas sim de que floresce na Primavera. Sirva de consolação a quem pratique tradução fonética e outras tropelias linguísticas que os franceses, neste caso, meteram o pé na argola: primevère vraie é um dos nomes que eles dão a esta planta (o outro é coucou).

A Primula veris — que é a flor-símbolo de três condados ingleses (Northamptonshire, Surrey e Worcestershire) — partilha com a Primula vulgaris um gosto por bosques e prados, embora tenha tendência a escolher habitats mais soalheiros. Nos locais onde ocorrem ambas as espécies, é comum formar-se o híbrido Primula veris X vulgaris, com flores de um amarelo pálido que é um meio-termo entre o tom vivo da P. veris e o desbotado da P. vulgaris, agrupadas em umbelas no topo de hastes mais curtas do que as da P. veris (estas atingem os 25 cm de altura).

08/03/2010

Prímula entre iguais

Primula vulgaris Huds. subsp. vulgaris
Desde o tempo de um certo ministro da educação que o grilo do Campo Alegre toca violino num patamar entre dois curtos lanços de escadas. Viveu tempos de decadência: ficou maneta, perdeu a cor, desapareceu-lhe o arco com que atacava o instrumento. Mas lá o restauraram com o dinheiro de alguma Queima das Fitas, e agora está como novo. Menciono-o por me servir de ponto de referência: no patamar logo acima há um gradeamento que veda um quintal desleixado, pertença de uns barracos pré-fabricados onde ainda vai morando gente. Tanto os barracos como o quintal são invisíveis da rua, ocultos que estão por um muro rústico e por velhas casas de um ou dois pisos, numa fiada que destoa vivamente dos altos prédios habitacionais do outro lado da rua.

Graças ao abandono, o quintal quase merecia ser promovido à categoria de reserva natural local. Encontram-se lá flores que nos desabituámos de ver na cidade, seja por falta de solo livre, seja porque a jardinagem a que estamos condenados insiste na abolição de tudo quanto é espontâneo. Sirva de exemplo o imenso relvado que cerca os edifícios universitários. Só as boninas e outras flores de existência acelerada conseguem pôr a cabeça de fora enquanto não vem o cortador de relva para a carecada mensal. Em contraste com esse verde impenitente, o desgrenhado quintal parece um arco-íris. A rede que o impede de ser assaltado pela zelosa máquina cria um refúgio onde proliferam, entre outras plantas espontâneas, alhos silvestres (Allium triquetrum L.), fumárias, dentes-de-leão, jarros, Bidens aurea e Calystegia silvatica. E, claro está, prímulas — que, como sugere o seu nome, são as primeiras em cada ano a dar um ar da sua graça, quando o Inverno ainda está para durar.

Das cerca de 400 espécies do seu género, só a Primula vulgaris [sinónimo Primula acaulis (L.) L.] é nativa de Portugal, onde, tirando breves incursões ao centro e ao sul, parece restringir-se à metade norte do território. Várias congéneres suas têm flores agrupadas em umbelas na extremidade de hastes erectas; no entanto, a flores desta prímula brotam em curtas hastes individuais e ficam aninhadas na roseta basal formada pelas folhas.

Se o leitor observar com atenção as fotos acima (clicando pode vê-las em ponto maior), notará que nalgumas flores o estigma é saliente, enquanto noutras ele parece estar escondido. Essa variação é típica do género Primula, e — conforme é aqui muito bem explicado — tem como propósito evitar o cruzamento entre plantas geneticamente próximas.

27/10/2009

Salgueirinha

Have you not a moist eye, a dry hand, a yellow cheek, a white beard, a decreasing leg, an increasing belly? Is not your voice broken, your wind short, your chin double, your wit single, and every part about you blasted with antiquity?
....Shakespeare, Henry IV (Parte 2)


Lysimachia vulgaris L.

O amarelo é cor de simbologia ambígua. Tanto serve a primazia da vida, tingindo as espigas do milho maduro, a gema de ovo e o pólen, como veste a mansidão do Outono, a decadência e a morte. É a cor do ouro e do poder, seja ele diabólico enxofrado ou angélico com um bizarro halo pálido; e também da irritabilidade associada a uma bílis imperfeita. Unido ao preto, não raro indicia perigo; precaução é afinal o que este alegre pigmento aconselha.


Argiope bruennichii (não clique que aumenta; note a teia em ziguezague)

As fontes de amarelo que se usam em pintura variam com o lugar e os meios. Pode vir do âmbar - uma resina fóssil que o contacto da água transforma em gotas de amarelo - e de plantas como o dispendioso açafrão (Crocus sativus), a tóxica Garcinia hanburyi ou a deliciosa mangueira (Mangifera indica). Algumas são venenosas, o que muitos pintores (crê-se que também Van Gogh) descobriram tarde de mais, mas terão por isso protegido muitas pinturas famosas do ataque de insectos.

Também esta lisimáquia, com floração no Verão, fornece corante amarelo, embora sejam mais aclamadas as suas qualidades medicinais, nomeadamente o efeito cicatrizante e febrífugo. É planta vivaz da Europa e Ásia, de folhagem caduca, que se multiplica facilmente por divisão das raízes. Habita ambientes ripícolas, apreciando a humidade que ajuda os rizomas a fixarem-se em solo novo.

O género Lysimachia contém cerca de 150 espécies de herbáceas no hemisfério norte (11 europeias - ou 10, uma vez que a L. minoricensis Rodr. é dada como extinta -, cerca de 130 chinesas, algumas descobertas recentemente, e 9 na América do Norte) e mais umas 30 espalhadas por África, Austrália e América do Sul. As folhas de L. nummularia L. e a L. quadrifolia L. foram em tempos usadas como substituto do chá.