24.7.09

Bom dia, glória da manhã


Calystegia silvatica (Kit.) Griseb.

Eis uma versão com flores brancas da trepadeira que aqui denunciámos como perigosa invasora. As duas plantas, com folhas e flores semelhantes (8 a 9 cm de diâmetro), até são conhecidas em Portugal pelo mesmo nome: bons-dias. É sabido, porém, que os nomes vernáculos originam grandes confusões, sugerindo parentescos que na verdade não existem. Bons-dias é como nós chamamos à generalidade das plantas convolvuláceas, com flores em forma de funil ou de altifalante. Nos países de língua inglesa, os britânicos usam bindweed e os americanos preferem morning glory. O primeiro nome é pragmático: essas plantas exibem muitas vezes um comportamento desregrado (são weeds - ou plantas daninhas), e têm por hábito agarrar-se (bind) às outras. Morning glory, nome poético, explica-se por as flores (que são realmente bonitas, talvez gloriosas) abrirem de manhã e durarem poucas horas: a meio da tarde, em regra, já estão murchas. Os nossos bons-dias representam uma terceira via entre o pragmatismo e o embevecimento: observamos que as flores desabrocham de manhã, cumprimentamo-las educadamente, mas abstemo-nos por timidez de lhes comentar o aspecto.

Posto que em menor grau do que os bons-dias azuis, estes bons-dias brancos também podem ser infestantes e cobrir largas manchas de terreno; é isso que documenta a primeira foto em cima. Acontece que a Calystegia silvatica está praticamente a jogar em casa, e por isso lhe desculpamos estes desmandos: não sendo embora espontânea em Portugal, é originária do sul da Europa, da Espanha até à Turquia.

Dadas as semelhanças entre os dois géneros, como distinguir a Ipomoea da Calystegia? Se o leitor comparar as fotos de perfil, verifica como são diferentes os cálices de uma e de outra flor. Na Calystegia há duas brácteas (folhas modificadas) que envolvem e escondem as sépalas; na Ipomoea as sépalas estão bem visíveis. (Esquecendo termos técnicos, as flores da Calystegia têm um cálice reforçado, muito mais gordo que o da Ipomoea.)

Ainda que menos comum, existe também a Calystegia sepium, essa sim espontânea em Portugal e muito semelhante à C. silvatica. Contudo, dá flores um pouco mais pequenas (de 5 a 7 cm), e as brácteas que envolvem o cálice não têm a base inchada, como visivelmente têm na C. silvatica. (Pode ver a flor da Calystegia sepium aqui.) E, claro está, há a Calystegia soldanella, plantinha cosmopolita que dá cor e graça às dunas de todo o mundo.

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