27.10.04

Uma flor no labirinto


Foto: pva 0410 - Parque de S. Roque (Porto)

Este labirinto é dos fáceis: as circunferências concêntricas de buxo (Buxus sempervirens) formam um desenho quase simétrico, e as passagens transversais entre os anéis parecem distribuir-se a intervalos regulares; visto do patamar superior de onde a foto foi tirada, tem a nitidez de um diagrama geométrico. Não é desafio para um adulto, pois a sebe, que atinge pouco mais de um metro de altura, não lhe tolhe a visão; e mesmo uma criança dificilmente se sentirá perdida nos seus previsíveis meandros.

É pois com um encolher de ombros que um apreciador de labirintos reagirá a tão pobre criação (que, registe-se, nem sequer é original, pois o labirinto de S. Roque é cópia de um outro na Quinta da Prelada). Mesmo a secção de passatempos do jornal dominical lhe traz exemplos mais aliciantes. E o melhor é nem invocar o famoso labirinto de Hampton Court, construído num tempo e para uma classe em que o entretenimento era a ocupação de uma vida inteira. Hoje em dia, a criança aprende desde cedo a não brincar: aos dez anos é crescida demais para andar de baloiço, e até o labirinto já perdeu toda a graça.

Fiquemo-nos pelo labirinto como adereço da paisagem, e aí só temos a ganhar. Vemo-lo bordejado de camélias, e quando elas florirem teremos, mesmo os adultos, bom pretexto para reavivar o espiríto lúdico: qual o melhor caminho para aquela flor? E no centro da foto, pinceladas com tons laranja, vemos duas árvores, a mais alta um carvalho-americano (Quercus coccinea) e a outra uma faia (Fagus sylvatica), marcadas pelo Outono que atravessamos.

3 comentários :

manueladlramos disse...

A beleza deste labirinto está na sua simplidade, no seu caracter lúdico e inofensivo. Não mete mede, nem é aterrador. Nele não nos perdemos nem perdemos os outros. Já vimos um casal de jovens pais, o pai e a mãe cada um para seu lado a fingirem para as crianças que andavam à procura um do outro, rindo por entre as sebes de buxo.
--)Será que chamaram a atenção dos seus filhotes para o aroma intenso e peculiar dos arbustos? Para o formato lanceolado da pequena folha, para a sua cor...?(--
Do patamar superior a paisagem é uma das mais bonitas da cidade: que bela gotografia!
Este labirinto faz lembrar um cujo desenho se pode ver na página sobre labirintos que indicaste, num jardim de Dublin, desenhado por Ninian Niven (?) em 1863 e que incluí: - rustic grotto, cascade, fountains, maze, rosarium, archery grounds, wilderness and woodlands-.
Quanto ao da Prelada, confesso que não o conheço.

Pedro disse...

Diziam as más linguas que o proprietário da Casa da Prelada se entretia a ver, do alto da janela da sua casa, as pessoas a perderem-se no labirinto...
Pelos vistos, só se no tempo dele as pessoas fossem muito baixinhas... :)

João Mena Barreto Neto disse...

Acabo de utilizar a imagem do labirinto para ilustrar a página inicial www.sitiodoguara.com.br, neste espaço encontra-se experiencias de professores que estão buscando construir um conhecimento compartilhado nas suas atividades de ensino aprendizagem.
Muito obrigado e caso tenha alguma objeção por favor entrem em contato.