16.3.05

"Sizentismo"

Já se criaram partituras sem notas, quadros sem cor, livros sem palavras, filmes sem imagens - e os artistas que desse modo levaram a criação às fronteiras do nada ficaram na história como visionários. O problema é que, uma vez assimilada a presumível intenção irónica do gesto, a repetição está fora de causa: ou se desiste de criar, ou se regressa a formas mais convencionais de expressão.

Mas há uma arte (a arquitectura) e um país (Portugal) em que o nada continua a render, e onde os artistas que o praticam, quais alfaiates do rei-que-vai-nu, explicam com minucioso detalhe a uma plateia reverente todos os subtis cambiantes do vazio. E o nada, na versão do pronto-a-vestir arquitectónico para espaços públicos, é uma calçada lisa de granito, sem réstia de ornamento em que a vista possa repousar. Vai ser assim a nova Avenida dos Aliados, como já o são a Cordoaria, o Carmo e muitos outros locais da cidade.

É preciso dizer claramente que a arte que assim destrói o espaço público não presta: é irrisória, é arrogante, é desrespeitadora da cidade e da sua memória; é infinitamente inferior à arte dos calceteiros que compuseram os expressivos desenhos que serão imolados ao cinzento uniforme do granito, e à dos jardineiros que mantêm pacientemente os canteiros agora proscritos.

P.S. 1) A crer na maquete do projecto, as duas magnólias junto à Igreja dos Congregados, a branca que se vê na foto e outra rosa mais jovem, também estão condenadas. Mas quem as manda florir tão escandalosamente? Não sabem elas que os arquitectos do dream team (como lhes chamou o nosso Presidente da Câmara) abominam flores?

2) Até que a voz nos doa. Não é esta a primeira vez, nem será infelizmente a última, que escrevemos sobre o floricídio que vai avassalando a cidade: confira aqui e aqui.


Fotos: pva 0502

19 comentários :

Anónimo disse...

Parabéns pelo blog. Notável! A não perder.

LM

manueladlramos disse...

"Dream team" ?!! Eu chamar-lhe-ia antes "nightmare squad". Até assusta pensar no granito de tom escuro uniformizando toda a avenida e nos espaços sem absolutamente nada.
Realmente é pertinente a pergunta de TAF no *A Baixa do Porto* http://www.porto.taf.net/:(esta equipa)"não tem talento suficiente para fazer um projecto igualmente bom, mas que seja menos contestado pelos munícipes a quem se destina?".

Micaela Vale disse...

De uma câmara cinzenta e amorfa, não se podia de facto esperar outra atitude. As magnólias são como andorinhas, anunciam a Primavera. Com elas desabrocha o primeio colorido do ano, a lembrar que virá aí o bom tempo. Haverá primavera nos Aliados sem aquela árvore ou ficarão para sempre as nuvens negras? Quando se vai perceber que matar uma árvore é crime? Ainda estamos assim tão atrasados?

Maria Carvalho disse...

«O que é bonito nas praças é o vazio que pode ser ocupado»

«Vimos imagens de praças europeias onde nem uma árvore existe e não consta que sejam desagradáveis»

Declarações dos artistas da "dream team" ao Público, edição de 15/III/2005.

AM disse...

Obrigado ao TAF por me dar a conhecer este espaço.
Obrigado a quem o faz florir.
.....Pudessem todos os "blogs" da nossa Cidade juntar-se num fórum aberto.....

Antonio Moreira
http://provotar.blogspot.com/

Joao Medina disse...

Flores implicam jardineiros, transplantes, regas, adubos, cuidados, carinhos...
Caro de mais meu caro Watson...

Paulo Araújo disse...

Jardineiros já existem, e as flores são produzidas em grande quantidade no Viveiro Municipal. Há a questão da rega, mas se o gasto de água fosse preocupação não se faria uma nova fonte na Avenida. Com o desaparecimento gradual dos canteiros na cidade o problema vai ser o que fazer com tanta flor e como ocupar os jardineiros. Ou seja, a Câmara tem "capacidade instalada" para manter os canteiros; se os suprime, está a desperdiçar essa capacidade, e não a fazer poupanças. O verdadeiro problema é a vaidade dos arquitectos (que querem impor à cidade uma estética que ela rejeita), e a atitude reverencial do poder político face às ideias disparatadas e iconoclastas dos supostos génios.

asa disse...

Quando viajo, uma das coisas que mais me impressiona é constatar como certas cidades Europeias, meteorologicamente bem mais agrestes do que a terra Lusa, abundam em flores (tanto em diversidade como em quantidade).

Agora parece que de "mal-vestidos" queremos passar a ?bem-despidos?...

Como diz um amigo meu (eng. civil) são os tais projectos de "arquitontos"!

Felizmente um desses delírios do arquitecto da C. M. Horta (que pretendia trazer o "pugresso" ao largo do Mercado) foi chumbado.

Pior do que a ignorância só a imposição da mesma...

AM disse...

Quando os Jardineiros da Cãmara estiverem a mais, talvez seja altura de darem "uma mãozinha" nos jardins do Museu Nacional Soares dos Reis que, desde que o jardineiro se reformou, estão ao abandono, por não haver "orçamento" para contratar outro....
Claro que o Museu ser "Nacional" e não municipal complica um bocado .-(

António Moreira

Francisco Queirós disse...

Não me recordo de o blogue ter publicado um texto tão corrosivo e tão provocador como este, editado pelo Paulo Ventura. Não subscrevo a sua opinião sobre os projectos ?brancos? de alguns arquitectos portugueses, e discordo em absoluto do jogo de palavras associado aos ?alfaiates do rei que vai nu?. Mas compreendo que, por esta vez, P. Ventura se tenha zangado a sério. O novo projecto para os Aliados, criando espaços ocos, murados por edifícios, replica o que encontramos em muitas praças europeias, aquilo que os espanhóis designam por Plaza Mayor. Ou, a um nível mais complexo de urbanismo, os jogos de praças sucessivas, como em Salzburgo, Copenhaga, Maastriche, Brugge ou Gent. Acontece que nós não temos a tradição dos mercados (não falo das insuportáveis feiras) ao ar livre, quer sejam de flores, de legumes ou de livros. Também não temos a tradição das largas esplanadas de cafés. Quem se der ao trabalho de apreciar os serviços sediados nos Aliados, depressa percebe que Rui Rio ouviu cantar o galo mas não sabe onde fica o poleiro. Serão os bancos e as seguradoras a montar as tendas para as bancadas de frutos silvestres? A reconverter os funcionários em empregados de mesa? Claro que este projecto não vai combater a desertificação da Baixa. E parece que não se aprendeu nada com os maus exemplos da Cordoaria e do Carmo. Esta urgência em fazer desaparecer da cidade as calçadas pretas e brancas é suspeita. Onde páram as pedras que já foram retiradas? Quem é que ficou com elas? Que incompatibilidade têm com os espaço vazios? E não me venham com a teoria provinciana de que o Porto é a cidade do granito! Este novo granito (de Santo Ildefonso ou da Cordoaria) não é o nosso. Está muito polido, muito brilhante. O grão é mais galego. De Porriño, que Santiago de Compostela honra a sua história.

Anónimo disse...

Sizentismo diz tudo. Minimaliza o que os minimalistas da moda nos querem impôr. Há, pois, que divulgar em peso este novo rótulo de "Sizentismo". Eu já comecei. Octávio Lima (ondas2.blogs.sapo.pt)

Anónimo disse...

Dói-me a alma só em pensar que os nossos olhos vão deixar de poder descansar nas flores das Magnólias da Avenida dos Aliados...

manueladlramos disse...

Dado o facto deste texto "incontornável" não se encontrar na versão on-line do Público, aqui se transcreve na íntegra a opinião de Teresa Andresen, arquitecta paisagista, sobre o projecto para a Avenida dos Aliados : (Público-Local Porto 22 de Março)
«14 de Marco, a televisão apresentou uma notícia sobre uma sessão na Câmara do Porto relativa à apresentação do projecto da Avenida dos Aliados e da Praça da Liberdade da autoria dos arquitectos Siza Vieira e Souto Moura, que foram entrevistados.
As palavras de Eduardo Souto Moura produziram em mim um efeito duplo de mágoa e de indignação. Não gravei esses minutos de televisão e, por isso, não sou capaz de reproduzir o que ali foi dito textualmente. Mas transmitiu a ideia que esperava que agora as pessoas não começassem a contestar a obra como sempre acontecia quando no Porto se tocava numa pedra. E até acrescentou que estaria surpreendido pelo facto da obra da Rotunda da Boavista, que teria ficado tão bem, não tivesse recebido aplausos. O Público de 15 de Março dá conta da posição do presidente da câmara: "Do que ninguém parece duvidar á da contestação que estas alterações irão desencadear na cidade.No Porto, é impossivel começar o que quer que seja sem haver contestação", antecipou Rui Rio, sublinhando que o desenho final decorre de condicionamentos vários mais do que de meros caprichos e insistindo na ideia de que "a intervenção terá a mão de um dos dez melhores arquitectos do mundo, ou seja, Siza Vieira"
Calada tenho estado e sei que muitos outros [tambem o estão]. Mas não posso calar mais. A mágoa é grande, assim como a estupefacção pelo continuado desconhecimento ou menosprezo do "ser" das coisas públicas e isto impele-me a me a não ficar calada.
Estamos a falar de espaço público. Espaço publico é do público, da colectividade, dos munícipes que pagam os seus impostos e que mais frequentemente o utilizam e dele legitimamente se apropriam e o abrem aos visitantes diários ou de passagem. Eles adquiriram naturalmente um direito e um sentimento de posse sobre este espaço, assim como contribuem para a construção do imaginário que se vai tecendo sobre essa apropriação colectiva e que lhes confere o direito de ter uma palavra a dizer sobre os seus desígnios. Ou seja, estamos a falar de cidadania, de cidadãos que não ficam calados e que não gostam de ser admoestados a não falar.
A evolução do espaço público não pode prescindir de intervenções validadas por consurso público, com apresentação de ideias alternativas, acompanhada de pareceres institucionais das tutelas e sobretudo participadas pelo público que precisa de atempadamente, ser informado de forma inteligível e tranquila. A participação é um valor democrático. Aliás, ao longo de anos tem sido reclamada pela população neste seu local por excelência de afirmação e exercício de princípios democráticos. A Praça e a Avenida (Ironia! chamadas da liberdade e dos aliados!... Humberto Delgado!!! E reparem a simbologia: as estátuas de D. Pedro IV e Garrett nos extremos!) são, como Nuno Corvacho, no Público, dizia: " ...o terreiro dos Aliados, chamemos-lhe assim, é o espaço por excelência onde a cidade manifesta a sua alma colectiva, no que quer que isto signifique".
A solução apresentada pelos arquitectos é uma solução possível. Não conheço o programa encomendado a que estiveram sujeitos, enunciando os objectivos pretendidos Apenas conheço os elementos que a imprensa reproduziu. Aparenta ser uma solução que privilegia o espaço avenida em vez do espaço praça. Que privilegia a simplificação da intervenção "verde" recorrendo prioritamente a alamedas (já agora, por favor avaliem a opção das árvores, pois, segundo o jornal, aponta-se para "árvores da mesma família das que lá existem" e isso deixa-me perplexa, pois nenhuma das lá existentes tem revelado adaptar-se bem às condições estéticas e ambientais do lugar? Devia-se trocar ideias e soluções sobre isto!). Que a privilegias as pessoas nos passeios laterais a alargar, em detrimento da faixa central! Que provavelmente, antecipa um programa de reabilitação funcional dos edifícios envolventes de mais forte relação com os passeios e que ainda desconhecemos. Que opta pela neutralização da cor. Que não atende ao caracter neoclássico/beauxartiano/ecléctico dos edificios circundantes, assim como do espaço avenida e do espaço praça que ali coabitam construídos ao longo do tempo e nunca de uma vez só. Que opta par uma solução moderno-tardia de simplificação do tratamento do espaço exterior num local onde a remodelação das fachadas dos edificios ao encontro da nova solução agora proposta é impensável (julgo eu!).
O Porto 2001 trouxe investimentos assinaláveis a cidade no respeitante ao espaço publico. É urgente fazer uma avaliação rigorosa e participada desta experiência. Eu diria que houve muita intervenção cujo resultado, em termos gerais, é asseado e asséptico ou higienizado ou esterilizado, ou como lhe queiram chamar, conduzindo a espaços com maior transparêcia e aparente largueza, por vezes pulverizados de mobiliário, mas ambiental, patrimonial e vivenciahnente muito mais pobres.
A qualidade dos materiais - vivos e inertes- introduzidos tem deixado muito a desejar e as soluções projectuais, na maioria dos casos, não revelam qualquer preocupação ou sensibilidade com a sustentabilidade dos programas de conservação e manutenção do espaço público, havendo já sinais de manifesta degradação.
A marginal ribeirinha sera uma excepção, embora continue a achar que obrigou a ceder muito espaço público de usa pouco flexível par causa da manutenção do eléctrico. Mas veja-se a Cordoaria, Poveiros, Montevideu, Batalha, Leões, Infante, etc. A Avenida e a Praça estão agora em marcha. A opção é criar o vazio, como noticia o Público, citando Souto Moura. "O vazio que pode ficar ocupado".
E o que estará para vir? A Arca de Água resistirá ao vazio? E São Lázaro? E o Passeio Alegre? Também seremos admoestados a calar?!

No domínio de novos espaços públicos, ditos verdes, se exceptuarmos a Parque da Cidade, Sobreiras, Pasteleira (recuso-me a incluir a alameda de Cartes, a negação do desenho urbano e da compreensão da vivência do espaço público!) pouco mais se terá feito nos tempos recentes. Privilegiou-se "redesenhar" espaços estabilizados na malha urbana com carga patrimonial -cultural/natural- apropriados pelo imaginário colectivo, ignorando que a defesa do património diz respeito a todos.

Será de ficarmos calados? Mesmo quando, como no caso da Praça e da Avenida , a Câmara do Porto usa a autoridade de dois consagrados nomes da arquitectura para manter-nos clados? Ora isto não pode estar bem! Eis a minha mágoa e a minha indignação!»

Teresa Andresen, Arquitecta Paisagista

;-) ;-) ;-) ;-);-)
Este texto e o que o acompanhava na mesma página - em que Rui Sá comunicava a intenção de recomendar a votação do projecto no executivo da Câmara (o que vai acontecer segundo notícias de hoje, dia 23)- "fizeram o meu dia" e o de muito boa gente.
Esperemos que impere o bom senso e o respeito pela cidade!

joao medina disse...

Os Alfaiates do Rei


Em tempos que já lá vão, existiu um Rei diminuído que decidiu encomendar um novo fato. O único fato que tinha, apesar de ainda manter porte digno e majestático que se impunha, encontrava-se bastante deteriorado e gasto, fruto do uso que lhe vinha sendo dado, não só pelo nosso Rei, mas também pelos os seus antecessores. Com efeito, tratava-se do fato de festa, com o qual todos os anteriores reis gostavam de ser retratados. Mesmo o nosso diminuído Rei, sempre que o vestia, sentia uma altivez tal, que conseguia empinar o nariz e falar daquela forma arrogante e pomposa que apenas é atingível pelos grandes monarcas pequenos.

O nosso diminuído Rei, aconselhado pela sua côrte e apoiado pelo seu bobo, tomou a decisão que se impunha: chamou para tal empreitada os dois maiores alfaiates do Reino ? Os ateliers do Olimpo. O dinheiro não era problema, porque como Rei que se prezasse, assumiu logo à partida, que não iria ser a Coroa a pagar.

Os digníssimos alfaiates propuseram a Sua Majestade a criação do traje real mais magnífico de todos os tempos. Seria inspirado no que estava a ser feito nos melhores ateliers da Europa. Passado uns tempos apresentaram o traje.

O pobre Rei e a sua corte, ao verem uma t-shirt cinzenta ficaram pasmados.

De imediato, antes que sua majestade pudesse até abrir a boca, os digníssimos alfaiates começaram a utilizar expressões justificativas de elevada retórica, do tipo ?O que é bonito nestes trajes reais é o vazio que pode ser ocupado?, ou ?Vimos imagens de t-shirts europeias não consta que sejam desagradáveis? ou que ?apenas os profissionais do contra não o conseguem ver a majestade dessa roupagem?.

Ora, sendo estas justificativas ininteligíveis para o nosso diminuído Rei, e não querendo el-Rei assumir-se como profissional do contra, ele convence-se de que na realidade está na posse de uma peça de valor inestimável. E com ele concordou toda a Corte de forma ululante ? mesmo só vendo uma t-shirt cinzenta, ninguém queria mostrar discordância em relação a um traje vindo dos ateliers do Olimpo.

Deve aqui dizer-se que el-Rei tinha ainda recentemente mandado fazer outras t-shirts, as quais nunca usava. Apesar da falta de uso apresentavam-se já sem côr e descosidas em diferentes pontos. A diferença é que dessas vezes, sabia à partida que eram t-shirts.

Mas a euforia do momento foi tal, que foi mandado queimar o traje antigo. Esta era, aliás, uma antiga tradição do pobre Reino. A noção de património ou de memória era completamente diferente da que existe nos tempos actuais. Sempre que um Rei mudava de palácio, demolia-se o antigo, sempre que mudava de coche, mandava-se o antigo para fundir e fazer miniaturas, etc...

No dia do desfile triunfal, organizado para mostrar o fato, o Rei envergou o traje mais «magnífico» que jamais tinha sido imaginado: a t-shirt cinzenta!

Foi aí, que os seus súbditos comuns, os do Povo, que el-Rei praticamente nunca via ou ouvia, viram o traje pela primeira vez. ?Uma t-shirt?? Perguntam uns. ?Que escuro!? Dizem outros. E continuam... ?Falta côr?, ?Gostava mais do antigo?, etc...

O Rei, estremunhado, apercebeu-se de que algo se passava. Aquelas pessoas não eram os terríveis ?Profissionais do contra?, sempre dispostos a sabotar o progresso do reino. Eram súbditos comuns. E agora? Nem sequer podia ir ao Palácio vestir o fato antigo, que estava reduzido a cinzas... Afinal, nem os alfaiates do Olimpo, o tinham ajudado. A chorar de raiva e sentindo-se injustiçado, el Rei, não conseguiu permanecer mais tempo junto do seu Povo e fugiu para o seu refúgio no palácio. Aí fechado, isolado do exterior, passou o resto do seu breve reinado.

Anónimo disse...

A Avenida de que tanto gostamos é-o por via de uma intervenção . A Avenida não surgiu do nada. Alguém se dedicou a pensá-la e desenhá-la.
Não sabemos se toda a população e as ELITES estiveram de acordo...provavelmente dependeu apenas e exclusivamente do poder. Como, de resto, a maioria dos monumentos que hoje nos encantam.
Esta teima das ELITES em se constituírem como porta-voz de todos os cidadão revela um pensamento tirânico absolutamente insuportável e que nos deve fazer reflectir sobre a natureza dos valores democráticos.

José F. Alves disse...

Resposta a(a) senhor(a) anónimo(a).

Como não lhe conheço o género, e para que não tenhamos sucessivas repetições de "senhor(a) anónimo(a)", tratá-lo-ei por Vossa Excelência, aqui abreviado para V.E.

"A Avenida de que tanto gostamos é-o por via de uma intervenção". Já que tanto gostamos (V.E inclui-se no grupo?), diga-me, então, qual o valor tão alto que se alevanta, para que se imponha tão profunda transformação?

Por que razão não deixam as vacas sagradas da nossa arquitectura o que já temos em paz e, em contrapartida, se dedicam a conceber novos monumentos, novas avenidas e novas praças, para que nos enchamos de orgulho da massa "sizenta" com profunda veia artística que prospera nas elites arquitectónicas portuenses?

O que incomóda V.E. não é (o que chama de) as elites agirem em nome do povo, mas o povo contestar as vacas sagradas.

O verdadeiro desrespeito aos valores democráticos não é a contestação a uma intervenção polémica num espaço público, seja ela feita em nome de quem quer que seja, mas o epitetar tal acto de "pensamento tirânico absolutamente insuportável". É feita por pessoas que têm voz e não a calam, porque a verdadeira democracia assim o permite!

José F. Alves disse...

Ouvi dizer que a Valentim de Carvalho deixará de comercializar a obra de Amália Rodrigues na sua versão original. Contratou o melhor naipe de músicos minimalistas da actualidade para substituirem aquelas guitarras estridentes por suaves sintetizadores. As guitarras são pirosas e estão ultrapassadas! Como os músicos contratados são, sem dúvida, o "dream team", melhor contribuição não poderia a VC dar para a música portuguesa. Bem haja a VC!

P.S. As fitas com as gravações originais serão queimadas.

manueladlramos disse...

Não à destruição dos ALIADOS e da PRAÇA da LIBERDADE

Anónimo disse...

Leça é da palmeira, não é de Siza Vieira!