6.10.04

Verde e branco em dia cinzento

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Esta é altura em que os jardins se enchem das flores de princípio do Outono, e sabe bem espantar a melancolia da estação passeando os olhos nas variegadas cores dos crisântemos, no vermelho vivo das salvas, nas begónias, e em tantas outras de que desconheço o nome.
No jardim da Rotunda da Boavista as únicas flores que se encontram agora são as de uma Camellia sasanqua, quase completamente brancas, já na última fase de floração. Salve belas flores!


foto: mdlramos 0410 - Jardim da Rotunda
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Deste jardim foram banidos os canteiros coloridos, e até os tradicionais bancos vermelhos 'viraram' verdes. É um jardim "requalificado".
O cidadão comum e ingénuo a quem tinham prometido o jardim de volta (?), sente-se defraudado por ser obrigado a um inapropriado e insípido exercício de contemplação em tons de verde e branco. Contudo resta-lhe uma certa esperança porque pensa que o jardim não está pronto e que brevemente lá reporão flores. Nós, que pertencemos ao número de cidadãos comuns mas não ingénuos, sabemos que isso não vai acontecer, porque os 'novos primitivos' abominam as flores!

6 comentários :

Paulo Araújo disse...

Em Portugal parece que cada ofício tem um único oficial a que os poderes públicos sempre recorrem. Agora, de norte a sul do país, as câmaras municipais chamam o mesmíssmo arquitecto para projectar espaços públicos; e, apesar de ele declaradamente não gostar de flores, também lhe pedem para (re)desenhar jardins. Na mesma linha de pensamento, aguarda-se a nomeação de um veterinário para delegado de saúde pública, ou de um vegetariano militante para chefe de cozinha numa churrascaria.

Anónimo disse...

ainda ontem estava a comentar como todas as cidades que sofreram obras ao abrigo do plano polis (e outras também) estão a ficar iguais com aquelas lajes grandes no chão, passeio todos iguais, grandes espaços sem nada no meio (como por exemplo em frente à cadeia da relação, ou em frente à fcup, ou na praça d.joao iv, ou....)
modas é o que é.
em relação á rotunda há uma coisa que gosto que é o ar menos claustrofóbico que o jardim tem, mais arejado... e embora tb não seja muito apreciador de canteiros ;) aceito a vossa observação...

vitorsilva

manueladlramos disse...

Que fique bem claro: nós também não somos apreciadores do pirosismo floral, do canteiro pelo canteiro, do alegrete rococó! Gostamos isso sim de flores nos jardins, dispostas modernamente, com critério e gosto, não obrigatoriamente circundadas por pedrinhas alinhadas; e ainda bem que essa arte vai surgindo das mãos dos jardineiros municipais com gosto e talento (como se pode apreciar nos jardins onde não chegou a moda minimalista) numa cidade que possui um belíssimo viveiro-horto municipal onde se produzem dezenas de variedades de flores sazonais.

Jorge Ricardo disse...

Concordo em absoluto. Particularmente nessa questão do monopólio dos dois ou três arquitectos que controlam tudo o que é obra importante no país.

M.P. disse...

Concordo em ABSOLUTO com o que aqui se diz em relação ao jardim da Rotunda ( e outros)... Foi com tristeza que reparei que não havia mais aquele bordado no sopé do "leão".. Primeiro vi tudo castanho, depois desse castanho jorraram vários esguichos que deixavam adivinhar o que viria. Gosto do verde mas... não é o "meu" jardim da Rotunda! :/

bea disse...

Confesso que só vi esse jardim este ano. Claro que já o conhecia, a proximidade à Casa da Música não nos deixa escapar a zona. Mas só este ano o olhei vendo - atravessei-o a pé algumas vezes e pés e pernas ajudam a ver melhor que os óculos:). E gosto. Até julgo preferível bancos verdes a vermelhos.
Concordo no entanto que talvez falte uma cor sazonal; mas deve ser o que se pretende eliminar. Que também os jardins seguem moda.