5.4.05

Aprendendo a olhar

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Embora estivesse pouca gente na Fundação Eng. António de Almeida à hora marcada para o início da palestra no passado sábado, a sala lá se foi compondo e acabámos por registar quase quarenta ouvintes.
A chuva terá obviamente dissuadido algumas presenças, mas a primeira parte do programa decorreu em local abrigado, com uma janela espreitando discretamente a promessa do jardim; e, quando chegou a altura de sairmos, recebeu-nos um odor a terra fresca num jardim reluzente, acabado de lavar.
Teresa Andresen une um raro dom de comunicar com uma óbvia paixão pelos jardins e um profundo conhecimento da génese e história desses lugares que, na Terra, criam uma frágil evocação do paraíso. Começando por recordar alguns dos grandes mestres jardineiros (Marques Loureiro, Jacinto de Matos, Moreira da Silva) que marcaram a história e o carácter urbano do Porto nos séculos XIX e XX, e terminando com uma citação de Sophia de Mello Breyner Andresen, ofereceu-nos uma viagem fotográfica por jardins de várias épocas e lugares; aprendemos como o jardim se mostra ou se esconde, como se fecha sobre si próprio ou se abre à paisagem envolvente.



Visitámos de seguida, por gentileza da Fundação, a Casa Museu do Eng. António de Almeida. Apesar de a casa, seguindo o gosto da época, não ter acesso directo ao jardim, a presença das flores é uma constante: quadros, tapeçarias, papel de parede, porcelanas, móveis, cortinas - tudo é decorado com motivos florais.
No jardim reinavam azáleas, rododendros, camélias e um carvalho soberbo ostentando a folhagem nova.

Não houve garden party como nos tempos de Olga Andresen, a senhora da casa, embora a chuva não tivesse faltado e os músicos de granito, hoje mais corroídos pela humidade, lá continuassem expectantes. Uma óptima tarde de sábado em Abril.
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4 comentários :

vitorsilva disse...

eu gostei muito. sabe sempre bem ouvir pessoas falarem das coisas com paixão e com saber.
gostei também do sobreiro que estava meio escondido. também me impressionaram as faias que eu na minha ignorância não sabia como eram.

Anónimo disse...

Gostava de lá ter estado. Aprecio o vosso blog.
Alguém

Sonia F. disse...

Se estivesse por esses lados, não faltaria.

Alexandre Leite disse...

Também lá estive, e gostei bastante! Para a próxima tem de ser com chá incluído! É sempre bom saber que não somos os únicos maluquinhos! Há por aí mais ?maluquinhos das árvores?! Fiquei a conhecer mais um jardim e achei também engraçado saber que o ?paraíso? é um ?jardim?. A palavra ?paraíso? significava, na sua origem, se bem me lembro, ?um jardim murado? ou uma coisa assim parecida. No fundo andamos a tentar fazer aqui o nosso paraíso! Quando houver assim mais iniciativas avisem, claro!

Teresa Andresen, falou sobre a origem de algumas árvores, que desconfiava que tinham vindo do jardim botânico, ou do horto não sei de onde. Fiquei a pensar se não seria possível, através da análise de DNA, verificar se realmente são ou não ?parentes? umas das outras. (? e depois queixo-me que se fale em ?maluquinhos da árvores!).
Já percebi, pelo post "Abril, flores mil" que isso é possível!