26.4.05

Imperatriz perfumada



Foto: pva 0504 - Camellia japonica "Impératrice Eugénie" - Palácio de Cristal - Porto

É axiomático que as camélias não deitam cheiro - pelo menos as vulgares japoneiras não o fazem, embora haja outras espécies do género Camellia, como a C. sasanqua, também comum nos nossos jardins, com flores intensamente odoríferas. Mas estava muito mal informada aquela jornalista que, há cerca de dois anos, escrevendo num jornal portuense, explicava como no Inverno a cidade se enchia do perfume das camélias - de que, acrescentava, existiriam precisamente quarenta variedades.

Já tantas vezes aqui falámos de camélias que quem nos lê regularmente pode honestamente acompanhar-nos na gargalhada triste que tamanha desinformação nos suscita. Desinformar é pior do que não informar: é substituir, na mente de quem ouve, uma noção correcta por uma falsa. Mas... não é que, das milhentas variedades de japoneiras, há pelo menos uma cuja flor liberta um leve perfume? É o caso da da foto, bastante debilitada, que existe à entrada do Palácio de Cristal: trata-se de uma "Impératrice Eugénie", variedade de camélia criada em França em 1854, um ano depois de a dita imperatriz ascender ao título ao casar com Napoleão III.

Além do exemplar no Palácio, encontrámos esta mesma variedade de camélia no Jardim Botânico do Porto e na Quinta de Villar d'Allen, locais onde moram as melhores colecções portuenses de camélias oitocentistas.

3 comentários :

Alexandre Leite disse...

Engraçado que hoje mesmo reparei numa dessas camélias que há bem no centro de Guimarães. É uma alameda onde existem umas placas identificativas das espécies das árvores aí presentes. E nunca tinha reparado nela, nem conhecia a espécie. Não notei o cheiro. Fiquei a pensar recolher sementes quando for a altura. Nesta altura tenho algumas sementes a germinar de Camelia japonica e de Camelia sinensis!! Fica na Alameda de S.Dâmaso. E chego a casa, vejo a vossa referência!

Alexandre Leite disse...

P.S. - A que vi em Guimarães é uma Camelia sasanqua!

Paulo Araújo disse...

Curiosa essa coincidência. Mas a camélia do Palácio é japónica ou, no mínimo, um híbrido de japónica com alguma outra espécie. É que, além das sasanquas terem folhas pequenas, o seu perfume é distinto do desta e muito mais intenso (não é necessário, como neste caso, encostar o nariz aos estames da flor para lhe sentir o cheiro). Além disso, há já alguns meses que passou a floração das sasanquas (que se inicia em Setembro, antes das japónicas), e esta camélia é de floração tardia.