1.4.05

A uma cerejeira em flor


Foto: pva 0503 - Quinta da Aveleda - Penafiel

Acordar, ser na manhã de Abril
a brancura desta cerejeira;
arder das folhas à raiz,
dar versos ou florir desta maneira.

Abrir os braços, acolher nos ramos
o vento, a luz, ou o quer que seja;
sentir o tempo, fibra a fibra,
a tecer o coração de uma cereja.

Eugénio de Andrade, As mãos e os frutos (1948)

4 comentários :

Anónimo disse...

Perfect! S. (de Sementinha ;-)

manueladlramos disse...

Que bela combinação; a foto (linda!) e o poema!
Não pude deixar de aproveitar a tarde de sol (e o facto de ainda estar em férias...;-) para lá voltar ontem!
Uma boa notícia: no horário de verão (a partir deste mês) passa a estar acessível ao público ao sábado de manhã. É um local verdadeiramente paradisíaco.

Duarte disse...

Hoje lembrámo-nos do mesmo. Menos da Quinta da Aveleda, que não conheço e sobre a qual fiquei curioso.

DK disse...

How beautiful... Nem sei o que diga. O melhor mesmo é não dizer nada - limito-me a contemplar... :o)