1.12.09

Prenhe de cor



Quercus coccifera L.

Habituados aos carvalhos de grande porte, quase não reparámos neste, um arbusto que não ultrapassa em geral os 2m de altura. Valeram-nos as inflorescências (amentilhos masculinos, na foto à esquerda em baixo) com que identificámos o género e, há poucos dias, o bichinho da cor carmesim.

Este carvalho, conhecido popularmente como carrasco ou carrasqueiro, é monóico, de folha perene, glabra, verde brilhante com margens onduladas e espinhosas. Ramifica-se desde a base e os ramos entrelaçam-se numa copa quase impenetrável. O ritidoma é cinzento e, dizem, a madeira boa para lenha. O fruto é uma bolota lustrosa com uma carapuça coberta de escamitas com ápices recurvados. Floresce de Março a Maio, às vezes também em Setembro e Novembro, e as bolotas amadurecem no fim do Verão do ano seguinte. É frequente em matos xerófitos (com estios longos), escarpas secas e terrenos pedregosos da costa portuguesa no centro e sul, mas desenvolve-se melhor em solos calcários - e há de facto muitos exemplares nas serras de Aire e Candeeiros. Dá-se bem em azinhais e até hibrida com a azinheira de bolota doce (Q. rotundifolia Lam.), criando o Q. x auzandrii Gren. & Godr. (ou Q. x airensis Franco & Vasc.), de morfologia intermédia.

O nome científico da espécie deriva do latim coccum, o quermes, cujas fêmeas grávidas, entre Maio e Junho, confundem os amadores por parecerem bagas vermelhas.

P.S. Um(a) leitor(a) deixou-nos este comentário pertinente e elucidativo, que agradecemos.

Com desgosto para quem anda à procura dele há muito tempo, a foto do canto superior direito não é do bichinho da cor carmesim, Kermes vermilio, mas sim de um outro insecto: Plagiotrochus quercusilicis. Kermes vermilio é hoje em dia uma raridade no nosso país, o que não deixa de ser curioso dada a abundância do hospedeiro. As fêmeas de Kermes vermilio no final do ciclo de vida assemelham-se uma pequena esfera com pouco menos de 10mm de diâmetro de cor vermelho acastanhada, recobertas de uma ténue pruina esbranquiçada. Fixam-se nos ramos dos carrascos e dentro delas estão dezenas de larvas de cor carmim, que por esmagamento produziam a célebre tinta carmim. Se encontrarem algo assim não hesitem em noticiar. zg

2 comentários :

Maria da Luz Borges disse...

Obrigado pelas fotografas. Há muto tempo que queríamos ver uma bolota. São muito bonitas!!!
Meninos do Jardim de Infância de Valejas
Oeias

Anónimo disse...

Ola,

Com desgosto para quem anda à procura dele há muito tempo, a foto do canto superior direito não é do bichinho da cor carmesim, Kermes vermilio, mas sim de um outro insecto: Plagiotrochus quercusilicis. Kermes vermilio é hoje em dia uma raridade no nosso país, o que não deixa de ser curioso dada a abundância do hospedeiro. As fêmeas de Kermes vermilio no final do ciclo de vida assemelham-se uma pequena esfera com pouco menos de 10mm de diâmetro de cor vermelho acastanhada, recobertas de uma ténue pruina esbranquiçada. Fixam-se nos ramos dos carrascos e dentro delas estão dezenas de larvas de cor carmim, que por esmagamento produziam a célebre tinta carmim. Se encontrarem algo assim não hesitem em noticiar.

Obrigado pelo vosso excelente blog onde tanto vou aprendendo.

zg