5.1.10

A casquinha do pinheiro



Pinus sylvestris L.

O pinheiro-de-casquinha (Scots pine), com uma copa cónica que se achata com a idade, distingue-se sem custo das outras espécies de pinheiro que povoam o Gerês pelo tronco superior de ritidoma alaranjado - com alburno que se desprende revelando o cerne cor-de-raposa -, contrastando com o tronco inferior cinzento e estriado. As agulhas verde-azuladas são miúdas (3-7 cm de comprimento e 2 mm de largura), têm margens finamente dentadas, nascem aos pares e parecem torcidas; caem ao fim de 4 anos nos climas quentes, duram um pouco mais nos subárticos. Os cones masculinos de 6 a 8 cm de comprimento são amarelo-rosados e surgem, entre Maio e Junho, agrupados nas extremidades dos ramos mais jovens; os femininos, solitários ou em espirais de dois a seis, são ovóides, têm de 3 a 6 cm de comprimento e mudam da cor rubra, quando pequeninos, para o verde e depois para o castanho ao amadurecer, no que se gasta cerca de ano e meio. A polinização é assegurada pelo vento; e as sementes (pinhões) são elipsóides alados de 4-5 mm e cor acinzentada.

[Que diabo, resmunga o leitor, tantos números. Depois de vermos o tronco já sabemos que árvore é, não vamos medir as agulhas.]

É nativo de quase toda a Europa e Ásia, tendo-lhe sido atribuídos mais de cem nomes científicos e outras tantas designações vernáculas. Adapta-se a qualquer tipo de solo e suporta geadas, mas não secas prolongadas. O epíteto específico, sylvestris, sugestão de Lineu, explica-se por este ser o único pinheiro nativo da Suécia. Produz madeira famosa, de qualidade que alguns consideram excepcional para carpintaria e construção, o pinho-de-riga. É fonte de terebentina, resina, pez e creosoto. Cultiva-se ainda como planta ornamental e há variedades de folhagem dourada no Inverno, regredindo para um verde comum na Primavera. E - bom motivo para este ano andarmos de olhos nele bem atentos - é hospedeiro do visco-branco (Viscum album L.), um parasita com clorofila e bagas transparentes cujas sementes pegajosas os pássaros disseminam esfregando as patinhas nas gretas das árvores.

[Por falarem nisso está o texto também pegajoso, ou já me teria ido embora - opina o leitor entre dentes, não contendo uma risadinha.]

Pinus é o maior género da família Pinaceae, próximo dos cedros mas com pinhas que amadurecem na árvore, havendo registo de cerca de 100 espécies no hemisfério norte, classificadas pelo número de agulhas em cada bainha, e o tipo de cone e de semente. Desenvolvem-se em regiões montanhosas, na costa marítima e até em zonas semi-desérticas, apreciando particularmente o sul dos Estados Unidos e o México. O Pinus longaeva D.K. Bailey é a árvore conhecida com vida mais longa: estima-se que uma no Nevada tenha 5000 anos de idade. A biologia de algumas espécies dá-se bem com o fogo - e até depende dele, como no caso do P. radiata D. Don, cujas pinhas se mantêm fechadas e com as sementes viáveis até que sejam libertadas pelo calor de uma chama -, mas quase todas, incluindo o pinheiro-da-Noruega, são vulneráveis aos nemátodos que lhes têm movido guerra sem tréguas.

[Com tanta conversa já me esqueci do que li acima. Depois volto para rever o ... Pinus laranjum... não, viscosum, isso, tem tempo, vamos agora àquele outro blog...]

2 comentários :

Loja de disse...

Este pinheiro é considerado autóctone entre nós, com alguns velhos sobrevivente no Parque da Peneda e Gerês.

Mas já o visco, que leva as aves muitas vezes a ter de roçar a cloaca para conseguir despegar a semente pegajosa que lhes sai do tracto intestinal e fica colada à porta - para conseguir ser dispersada eficazmente, já que só sai quando ficar colada a outra coisa, normalmente o ramo de uma árvore - penso que não existe naturalmente entre nós?

Paulo Araújo disse...

É um pinheiro considerado autóctone no Gerês, mas como também lá foi plantado é difícil saber se as populações que lá encontramos têm ou não origem natural. Os da foto, num caminho de terra batida que parte da Portela de Leonte e acompanha o limite do território português, parecem ser plantados.

Quanto ao visco, realmente nunca o vimos em Portugal, mas tínhamos esperança de o encontrar no Gerês. Esperança infundada, ao que parece.