11.2.10

Flor de azevinho


Ilex aquifolium L.

Antes dos nomes binários, o azevinho chamou-se Ilex aculeata baccifera, que é como quem diz, azinheira espinhosa e com bagas. Os espinhos tendem a desaparecer com a idade, como o amansar na velhice do temperamento de um avô, e as margens das folhas tornam-se então inteiras. Os frutos, carnudos e tóxicos, mantêm-se muito tempo na árvore e são a sua faceta mais vistosa e mais bem conhecida. Atentemos por isso nas flores.

Este arbusto é dióico. Mais ou menos. As flores são funcionalmente unissexuais, e há pés masculinos e femininos, mas pouco se distinguem na forma e conteúdo. São brancas ou levemente coradas, nascem nas axilas das folhas, e cada tipo tem vestígios do outro sexo: nas masculinas há um ovário rudimentar; nas femininas, estames com anteras estéreis. Estranha-se esta criação mal amanhada da natureza, que não costuma ser tão perdulária. Mas quem sabe se não é afinal esta uma opção ponderada; se tais apêndices - como o nosso - não tiveram outrora algum uso e estão a ser desligados com prudência; ou se os orgãos aparentemente supérfluos não estão apenas adormecidos, prontos para um aperto imprevisto.

A madeira do azevinho é alva, de textura fina mas muito dura (boa, portanto, para cabos de ferramentas) e pesada (não flutua na água). Usava-se, tingida de negro para imitar o ébano, em móveis de luxo, baquetas de tambor ou varetas de espingardas. Isso antes do decreto-lei de 1989 que reconhece a situação vulnerável da espécie e a protege do declínio. Essa proibição foi, curiosamente, publicada no início de Dezembro, recriminando com diplomacia o excessivo uso natalício do arbusto. Mas a receada fome logo deu em fartura, com os horticultores, sob a benção da Holly Society, a produzirem rapidamente inúmeros cultivares de jardim, alguns de folhagem variegada ou dourada.

2 comentários :

Maria Carvalho disse...

Tenho a certeza que apreciarão ler mais informações sobre o azevinho num outro log publicado hoje aqui.

L&G disse...

O azevinhos é também uma planta ligada a rituais pagãos, sobretudo por, numa época em que a natureza se torna mais escura, o azevinho mantém as suas cores fulgurantes. Tinha um simbolismo especial.