23.2.10

Morangos de enganar



Potentilla indica (Andrews) Th. Wolf [sinónimo: Duchesnea indica (Andrews) Focke]; Fragaria vesca L.

O género Fragraria abriga 12 espécies perenes da Europa, Ásia, América do Norte e Chile, as quais, além de se propagarem por semente, se disseminam vegetativamente por meio de estolhos - ou seja, por rebentos nascidos nos nós do caule, que é rastejante para que as gerações sucessivas não se acotovelem umas às outras. As folhas são trifoliadas e as flores brancas, agrupando-se em cimeiras de 2 a 10 unidades. O fruto é múltiplo, formado por numerosos aquénios implantados num receptáculo carnudo.

O morango cultivado (Fragaria x ananassa Duchesne) é um híbrido obtido no século XVIII entre a F. chiloensis (L.) Duchesne, do Pacífico, e a americana F. virginiana Duchesne. Produz frutos maiores que o morango silvestre (de que há três espécies europeias, F. vesca L., F. moschata Duchesne e F. viridis Duchesne), mas este é, em geral, mais saboroso e perfumado. O cultivar Fragaria 'Pink Panda', obtido em 1989 por cruzamento entre a Fragaria x ananassa e a Potentilla palustris (L.) Scop., é de folhagem caduca, não desenvolve estolhos e as flores são cor-de-rosa.

O falso-morango (antes Duchesnea indica (Andr.) Focke, agora Potentilla indica (Andr.) Wolf) pode induzir em erro quem não lhe vir a flor. Também é planta vivaz que se divide por estolhos, tem folhas igualmente trifoliadas (e tomentosas), com folíolos ovais e crenados, mas as flores são solitárias e de pétalas amarelas. O fruto resume-se a um receptáculo esponjoso, brilhante e comestível mas insípido - famoso, contudo, na farmacopeia chinesa, por possuir acção anti-séptica e anti-cancerígena. É herbácea nativa do sudeste da Ásia; mas, introduzida na Europa como ornamental, é agora abundante em margens de ribeiros e bosques umbrosos de outras regiões temperadas, formando no Inverno um bem-vindo revestimento de solos - que pode, porém, degenerar numa ocupação abusiva da terra arável.

O francês Antoine Nicolas Duchesne (1747 - 1827) foi horticultor e publicou, em 1766, uma aclamada obra, com o título Histoire naturelle des fraisiers, sobre os vários tipos de morangos e a sua origem.

5 comentários :

Maria da Luz Borges disse...

E eu toda convencida que tinha morangos silvestres em casa. Afinal são falsos... de qualquer forma vão dando fruto e como não matam acho que vou continuar a com~e-los. Só que a partir de hoje já não me vão saber tão bem pois já sei que são "a fingir".
Luz

Gi disse...

Quem os encontrar por acaso, não tendo apanhado a fase de floração, será bem enganado... mas o comentário da Maria da Luz leva a crer que não são tão insípidos como isso,não é?

Paulo Araújo disse...

Também fiquei na dúvida. Para que fique claro: o falso morangueiro é o que dá flores amarelas; o morangueiro silvestre (que se vê na terceira foto) dá flores brancas; os morangos que estão no prato não são silvestres.

Mas nunca provei os frutos do falso-marangueiro - pode ser que não sejam assim tão insípidos.

Maria Carvalho disse...

Não sei que morangos tem a Maria da Luz em casa. Colhe-os de uma planta? (Alguma bibliografia fiável avisa que os falsos morangos podem provocar distúrbios digestivos. Não pensem agora todos em prová-los para testar o grau de insipidez, está bem?)

Maria da Luz Borges disse...

Depois destes comentários cheguei à conclusão que são mesmo morangos silvestres. O meu Pai, que era jardineiro, era assim que lhes chamava. Era hábito encontrá-los na Serra de Sintra, nos nossos passeios a pé. Em casa dos meus pais eles coabitavam com outras plantas silvestres nos alegretes das flores do campo. Aqui em casa vivem nas floreiras das varandas. São silvestres porque as flores são brancas. São plantinhas muito resistentes porque aguentam o inverno e as ventanias do lugar, sem problemas.
Se forem os falsos, os frutos são tão pequeninos e os passarinhos debicam-nos tanto que a quantidade que consigo provar não me consegue causar distúrbios gastricos ou outros. Mas sabem a morango e eu gosto de os provar...
Obrigado pelo vosso excelente trabalho, que tanto me ensina e me faz descansar.
Luz