Mostrar mensagens com a etiqueta Agavaceae. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agavaceae. Mostrar todas as mensagens

20/06/2008

A talho de foice



Cordyline stricta

O género Cordyline reúne cerca de vinte espécies de árvores ou arbustos de regiões tropicais, sendo a maioria natural do sudeste da Ásia, ilhas do Pacífico, Nova Zelândia e Austrália onde são conhecidas como cabbage trees: a copa lembra uma couve galega, e a imponente C. australis, que chega a atingir os 20m de altura, é fantasia que regala qualquer bacalhau-com-todos. A C. spectabilis é brasileira e a única do seu género na América tropical.

O arbusto da foto (C. stricta ou narrow-leaved palm-lily) é australiano (de New South Wales e Queensland) e pode crescer até 3m. As folhas são espadas estreitas, embora arqueadas como foices, sem nervura central nem pecíolo, e dispõem-se nos ramos em dupla hélice. As flores perfumadas, de pétalas cerosas unidas na base, nascem em panículas longas de onde sobressaem os estames com anteras versáteis: as estruturas amarelas de pólen estão presas aos estames apenas no centro e por isso baloiçam sedutoramente com o vento.

Segundo uma lenda maori, uma floração abundante das cordilines anuncia um bom Verão.

22/08/2006

Piteira

«(...) Servem as piteiras no Algarve para formar os vallados das fazendas quasi geralmente: há dellas grande quantidade. (...) He bem curioso o relatório que faz o celebre Francisco Fernandes, medico de Filipe II, dos usos para que a piteira serve na America aos Indios.
"Com ella entrincheirão elles as suas habitações formando cercas impenetráveis: os talos, ou tiges, servem de vigas, as folhas de telhas; destas tirão fios com que fazem tecidos, e huma espécie de calçado; e das raizes os tirão para fazer sogas fortes; os grandes picos, em que acabão as folhas lhes servem de pregos, agilhões, alfinetes, agulhas, e ainda de uma espécie de armas de que usão nos combates: também formão com eles sedeiras para sedar as fibras de que tecem os pannos. Cortão as pontas das folhas tenras nas plantas não muito grandes e que estão viçosas, e dellas corre em muita abundancia hum licor que tem por medicinal para varias enfermidades; evaporando um pouco ao lume esse licôr este licôr se concentra, torna doce, e forma hum arrobe de que se faz assucar; juntando ao dicto licôr huma porção de água, e cascas e flor de laranja, limão e outras, e deixando-o fermentar se faz vinho a que chamam Pulque, de que muito gostão, e com que se embriagão; do mesmo licôr se faz vinagre.

Comem assados debaixo da terra os pedaços mais grossos das folhas, e o sumo dellas he muito efficaz para curar as feridas recentes e ulceras. As folhas assadas curão as convulsões, sendo applicadas à parte afecta; e mitigão a dor, principalmente se se bebe o sumo quente; porém embotão os sentidos e entorpecem."»

in LOPES, João Baptista da Silva, Corografia ou memória económica, estatística e topográfica do reino do Algarve, Academia Real das Ciências de Lisboa, 1841 (edição facsimilada da Algarve em Foco Editora, 1988), p. 150

20/08/2006

Agave americana

.


Piteira (Agave americana) nas falésias
Ao longe, os penedos da Praia dos Três Penecos (Sesmarias-Albufeira, Algarve 08.2004)

Outras designações vernaculares para esta suculenta perene originária do México: pita, piteira-de-boi, piteira brava, aloé-dos-cem-anos, cacto-dos-cem-anos (cf. Portugal Botânico de A a Z); em língua inglesa é chamada agave, century plant, american aloe, maguey (nome genérico dado no México às espécies do géneroAgave - que inclui as plantas que dão origem à tequilha e ao mescal*). Estas plantas só florescem uma vez durante toda a vida e apenas ao fim de mais de uma dezena de anos.

*Não confundir com o mescal proveniente do peyote (Lophophora williamsii)
.