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06/10/2009

Azevim


Ardisia crenata Sims

.....Também ele vai morrer, o verão.
.....Do verde ao vermelho
.....as maçãs ardem sobre a mesa.
.....Ardem de uma luz sua, mais madura.
.....E servem-me de espelho.
.....Eugénio de Andrade (As maçãs, 2002)

Antes que o leitor atarefado reclame que já aqui viu esta planta, que assim deixa de cá vir, permita-nos interrompê-lo para lhe dar toda a razão. Tome lá. Vai também um cafezinho? Não, não incomoda. Ah, desse não, as bagas do café-de-jardim são para os passarinhos. Ora oiça.

Há realmente poucas diferenças a assinalar entre a A. solanacea e este arbusto de copa densa, rizomatoso, entouceirado, originário do sudeste asiático, sul da China e do Japão. As folhas são de um verde mais escuro e brilhante, um pouco onduladas, e têm margens crenadas. As flores, de Verão, perfumadas e minúsculas, têm um tom rosa mais esbatido, quase branco, e nascem em ramalhetes em que os longos pedúnculos florais, crescendo a diversos níveis da haste, se elevam todos à mesma altura (corimbos). Os cachos pomposos são de bagas de um vermelho vivo...

- O que disse?... Sim, vermelho morto seria bizarro... quanta graça, a sua...

...como as do café, fonte importante de alimento para aves. E é de menor porte, não indo, em geral, além dos 6 pés. Fácil de cuidar, relativamente tolerante ao frio, capaz de germinar em condições ambientais adversas, pode tornar-se uma praga difícil de conter.

Um bonito sucedâneo do azevinho, não acha? Oh, adormeceu...

01/10/2009

Azevim batøteiro


Ardisia solanacea Roxb.

.....Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
.....transborda e escorre, já rio no chão,
.....e gosto de quem lhes segue o sonho
.....e lhes margina o rio com árvores de papel.

.....Alexandre O'Neill (Abandono vigiado, 1960)

A família Myrsinaceae é de tamanho médio, com 39 géneros e umas 1250 espécies que preferem regiões quentes ou temperadas, exibindo maior diversidade no Velho Mundo (expressão que nos faz andar à procura do Novo, que imaginamos ainda não mobilado e a cheirar a verniz, mas que de facto se refere ao território «conhecido» pelos europeus até ao século XV, ou seja, Europa, África e Ásia). Os seus arbustos gozam honesta fama de muito ornamentais: as flores são pequeninas mas vistosas, com simetria radial e tons de rosa-ou-branco-pérola; a folhagem é perene, coriácea e de um matiz de verde que contrasta com as drupas cor de coral, negras quando maduras, que se mantêm na planta por meses depois de amadurecerem. Características que as tornam concorrentes - sem mais adornos nem podas para caberem na sala - do azevinho e das coníferas na tarefa natalícia de alegrar os lares.

O género Ardisia é da Ásia e América tropicais; a designação provém do termo grego árdis, ponta de dardo, em alusão às anteras (extremidade dos estames onde mora o pólen) pontiagudas. A Ardisia solanacea, nativa da Índia, é um arbusto glabro que pode atingir uns 15 pés de altura. Floresce no Verão, com inflorescências em cimeira, e as bagas maduras são pretas. É exigente quanto à qualidade do solo, à sombra para a sesta e à rega regular, mas retribui o desvelo com um vasto uso medicinal. As flores são hermafroditas com os estames unidos, como já vimos no género Solanum.