1.10.09

Azevim batøteiro


Ardisia solanacea Roxb.

.....Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
.....transborda e escorre, já rio no chão,
.....e gosto de quem lhes segue o sonho
.....e lhes margina o rio com árvores de papel.

.....Alexandre O'Neill (Abandono vigiado, 1960)

A família Myrsinaceae é de tamanho médio, com 39 géneros e umas 1250 espécies que preferem regiões quentes ou temperadas, exibindo maior diversidade no Velho Mundo (expressão que nos faz andar à procura do Novo, que imaginamos ainda não mobilado e a cheirar a verniz, mas que de facto se refere ao território «conhecido» pelos europeus até ao século XV, ou seja, Europa, África e Ásia). Os seus arbustos gozam honesta fama de muito ornamentais: as flores são pequeninas mas vistosas, com simetria radial e tons de rosa-ou-branco-pérola; a folhagem é perene, coriácea e de um matiz de verde que contrasta com as drupas cor de coral, negras quando maduras, que se mantêm na planta por meses depois de amadurecerem. Características que as tornam concorrentes - sem mais adornos nem podas para caberem na sala - do azevinho e das coníferas na tarefa natalícia de alegrar os lares.

O género Ardisia é da Ásia e América tropicais; a designação provém do termo grego árdis, ponta de dardo, em alusão às anteras (extremidade dos estames onde mora o pólen) pontiagudas. A Ardisia solanacea, nativa da Índia, é um arbusto glabro que pode atingir uns 15 pés de altura. Floresce no Verão, com inflorescências em cimeira, e as bagas maduras são pretas. É exigente quanto à qualidade do solo, à sombra para a sesta e à rega regular, mas retribui o desvelo com um vasto uso medicinal. As flores são hermafroditas com os estames unidos, como já vimos no género Solanum.

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