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18/02/2008

Pôr-do-sol no Cabo


Leucadendron salignum

Quando a prenda é fracota, talvez um embrulho vistoso a faça mais atraente. A forma como esta planta resolveu apregoar as suas flores mostra que tal estratégia vale também no reino vegetal. A inflorescência é essa «pinha» de um verde azulado salpicada com fiapos amarelos; mas o embrulho, formado por folhas modificadas (brácteas) tingidas com as cores do pôr-do-sol, é chamariz de longo alcance.

A inflorescência da foto é feminina, daí se deduzindo que a própria planta é feminina; o pólen para a fecundar terá que vir das flores de uma planta masculina, pois a Leucadendron salignum é uma planta dióica, como aliás o são todas as suas congéneres (de que há cerca de oito dezenas). Mas, como no canteiro do Botânico de Coimbra onde ela mora não parece haver outra igual, seja ela menino ou menina, ainda há-de morrer virgem - embora nunca desista de se embonecar.

Os géneros Leucadendron, Protea e Leucospermum, todos eles sul-africanos e integrando a família Proteaceae, são casos de sucesso global em jardinagem. Mais delicados e de cultivo mais exigente do que os seus primos australianos (géneros Hakea, Grevillea e Banksia), têm sabido comportar-se nos países de acolhimento, não se lhes conhecendo tendências invasoras. No caso do Leucadendron, além de a produção de sementes depender da presença lado a lado de plantas dos dois sexos, elas têm relutância em germinar: no habitat natural da planta, só costumam fazê-lo após algum incêndio.

Há muitos cultivares ornamentais do género Leucadendron, e por isso a identificação da planta na foto não é segura: tem semelhanças com o «safari sunset», nome que alguém com jeito para estas coisas deu a certo híbrido entre o L. salignum e o L. laureolum.

22/01/2008

Espinhenta e expansionista



Hakea sericea

O género Hakea é endémico da Austrália, pertence à família da Banksia e da Grevillea, e inclui cerca de 150 espécies de arbustos ou pequenas árvores. Algumas delas, como esta Hakea laurina que vegetou incógnita durante anos num certo jardim do sul do país, têm flores muito atraentes; mas a H. sericea, que hoje aqui trazemos, não se recomenda pela beleza: é um arbusto de porte desgrenhado e floração discreta, com a agravante de ter folhas dolorosamente aculeadas. A sua vocação mais óbvia é para formar sebes que travem de forma eficaz a passagem de intrusos. Com esse intuito, foi introduzida em vários países, mas não tardou a revelar outra qualidade desagradável, que aliás partilha com muitas das suas compatriotas: é uma invasora temível, que tira partido dos fogos florestais para germinar ainda em maior escala. Está declarada como peste na África do Sul; em Portugal, o Decreto-Lei 565/99 incluiu-a na lista de espécies invasoras. Se a lei fosse para levar a sério, seria inconcebível vermos a H. sericea cultivada em jardins públicos; mas, sendo as coisas como são, encontramo-la tranquilamente no Parque de São Roque, no Porto, na companhia das acácias anatemizadas pelo mesmo decreto. E, o que é ainda mais grave, também já a vimos no Parque Biológico de Gaia e à entrada do centro de acolhimento da reserva das Lagoas, em Ponte de Lima.

P.S. Visite a página do projecto Plantas Invasoras em Portugal para mais informação sobre esta e outras espécies daninhas.

01/03/2007

Árvore da roda-de-fogo


Stenocarpus sinuatus

Tivemos no sábado o privilégio de passear por parte do Jardim Botânico do Porto, em obras de remodelação desde o ano passado. Uma das surpresas da visita foi a floração do Stenocarpus sinuatus, uma proteácea australiana de crescimento lento que mora num recanto sombreado por cedros-do-Líbano perto da entrada. É uma árvore jovem, alta e esguia, de ritidoma cinzento e folhagem em disposição espiralada. Exibe folhas de margens lisas e outras pinatilobadas, com um a quatro lóbulos (daí o epíteto sinuatus), variação que é característica deste género. As flores tubulares, com abundante néctar na base, têm cor escarlate e pé inserido numa coroa. Os frutos são folículos alongados (os termos gregos karpus e stenos significam fruto e estreito), com sementes de asa castanha-clara. Oxalá o Jardim reabra a tempo de os vermos.

18/01/2007

Super-bonsai



Banksia spinulosa var. collina

Há uns anos, numa conversa ocasional na Casa do Vinho Verde, à rua da Restauração, um responsável pelas obras de recuperação desse esplendoroso edifício oitocentista afiançou-nos que a estranha árvore ao fundo do pátio era um bonsai. Tentámos corrigi-lo, mas ele mantinha-se firme na sua opinião. Bonsai, segundo ele, seria uma espécie bem determinada de árvore, como o pinheiro ou a macieira, com a diferença de ser geralmente cultivada em ponto pequeno; mas, como exemplificava aquela mesma árvore, haveria também bonsais em escala mais avantajada. A ignorância presunçosa é difícil de desculpar; mas deve reconhecer-se que, no retorcido quase artificial do tronco e das grossas ramadas, e na copa larga e atarracada, desproporcionada em relação à altura, a árvore parece de facto um bonsai gigante, minuciosamente recriado a uma escala improvável para melhor se admirar. Se os habitantes de Brobdingnag, que Gulliver visitou na sua segunda viagem, se dedicassem à arte da miniaturização de árvores, sem dúvida que os seus «bonsais» seriam, no tamanho e na forma, muito parecidos com este.

Pertencendo, como a Protea, a Grevillea e o Leucospermum, à família Proteacea, a Banksia é um género australiano que compreende cerca de 80 espécies, e que é reconhecível pelas inflorescências cilíndricas, formadas por centenas ou milhares de pequeninas flores espetadas perpendicularmente, à laia de alfinetes, num eixo central. As Banksias variam de arbustos rasteiros, com cerca de meio metro, até árvores de quinze metros como a Banksia integrifolia, de que há dois ou três exemplares em Serralves. Com os seus três metros de altura, a Banksia spinulosa var. collina, que hoje aqui trazemos, está a meio caminho entre os dois extremos. As suas folhas de margem serradas, compridas e muito estreitas, podem ao longe confundir-se com agulhas de um pinheiro.

No Porto secou há dois anos um perfeito exemplar desta espécie no Parque de Serralves; e, além do exemplar da foto, sobrevivem dois outros no Largo do Calém, e um quarto num jardim particular à rua de Gondarém.

21/05/2006

Alfineteira



O género Leucospermum, de origem sul-africana, é parente das próteas, grevíleas e banksias. Aprecia zonas montanhosas ou dunares. As folhas são simples, sem pecíolo e com uns três a dez dentinhos na ponta. As flores mostram traços típicos da família Proteaceae em arranjos vistosos, cor-de-rosa, cor-de-laranja ou amarelos, de numerosos estames recurvados, espetados numa almofada de tépalas. São plantas frágeis, embora possam atingir porte arbóreo, e encabeçam a lista de espécies em perigo de extinção.

11/04/2006

Flores de caracóis

Dir-se-á que quase todas as espécies que aqui trazemos têm origem australiana - mesmo falando-se pouco de eucaliptos. As preferências da horticultura portuguesa do século XIX e a exuberância da floração de muitas das plantas australianas explicam este predomínio. A Grevillea juniperina é um arbusto natural de New South Wales, no sudeste da Austrália, que aprecia solos arenosos. Tem folhas que são agulhas como as do zimbro (Juniperus communis), daí o epíteto específico; as flores não têm pétalas mas exibem periantos encaracolados que se esticam para expor os estames.

O nome do género, com mais de 250 espécies de que a mais frequente entre nós é a Grevillea robusta (muito usada na arborização das zonas de serviço em auto-estradas), homenageia Charles Francis Greville (1749-1809), um dos fundadores da Horticultural Society of London, hoje Royal Horticultural Society.

Os exemplares das fotos são do Parque Biológico de Gaia e da Quinta de Sto. Inácio.



Grevillea juniperina - variedades com flores amarelas e com flores vermelhas

06/10/2005

Divinas



Fotos: pva 05 - flores de Protea sp. em Angra do Heroísmo e nos Kew Gardens

Estas são flores de arbustos sul-africanos do género Protea, talvez o mais conhecido da família Proteaceae, designados por sugar bushes nas regiões de origem pela abundância de néctar das suas flores. A época da floração varia com a zona e o clima, entre nós começa no Inverno; e, para que não passem despercebidas, um invólucro de belas brácteas agiganta cada flor e abre-se progressivamente como um guarda-chuva. O nome Protea assinala a grande variabilidade destas flores, já que Proteus, deus grego do mar, era capaz de adquirir qualquer forma.

31/12/2004

Ponto, parágrafo

A espera pela meia-noite do dia 31 de Dezembro parece sempre uma das mais longas de que há memória, como se a física que rege o tempo se alterasse nesses fins de calendário. Por isso há que recorrer à imaginação para a preencher. Podemos optar por um demorado passeio num dos parques da cidade, a apreciar o aroma dos eucaliptos ou as magnólias a abotoar, assunto vasto para a conversa mais tarde com a família; ou ir ao Jardim Botânico do Porto conhecer um exemplar de Macadamia.


Fotos: pva 0412 - folhagem e sementes de Macadamia spp.

Esta árvore de origem australiana é da família Proteacea (tal como os géneros Banksia ou Grevillea) e as espécies integrifolia e tetraphylla (ou seus cultivares) produzem sementes que são consideradas as mais saborosas entre os frutos secos que hoje em dia se consomem. O nome homenageia John Macadam, médico e químico do século XIX, amigo de Ferdinand von Muller, botânico em Melbourne que primeiro nomeou este género. O exemplar do Jardim Botânico tem folha perene, ovada, ondulada no bordo, com cerca de 14 cm de comprimento, sem lóbulos e só ligeiramente serrada (diz-se inteira, daí que suspeitemos que seja integrifolia), de cor verde brilhante. As flores da macadâmia são brancas ou rosadas e desabrocham em cachos, num efeito ornamental muito vistoso; os frutos nascem em drupa, como nas palmeiras, depois dos 7 anos de idade da árvore. A plantação desta árvore com intenção comercial foi iniciada em 1858 em Queensland pelo administrador do Brisbane Botanical Garden; hoje o primeiro produtor é o Havai seguido pela Austrália e África do Sul, uma meia dúzia de países onde a macadâmia partilha com sucesso o solo e o clima favoráveis à planta do café, e outros interessados no preço elevado que esta semente tem no mercado.

Depois de uma tarde frutuosa a estudar esta árvore rara entre nós, merecemos o banquete de fim-de-ano. Como relata Miguel Esteves Cardoso, em A causa das coisas (1991), «Começa-se com um aperitivo, para aguçar um dente que já está perfeitamente vampiresco desde o meio-dia. (...) Depois do aperitivo, como «a comidinha demora», pedem-se «umas coisinhas para petiscar». Os portugueses não petiscam em vez de almoçar: petiscam porque vão almoçar. Chegam então aquelas partes do porco que servem para a locomoção, para o olfacto e para a audição, todas elas reciladas num molhinho com pesados pêsames de alho e coentrada. Juntamente com uns queijinhos para «fazer boca», e umas azeitoninhas para fazer companhia, servem para «ir comendo». «Ir comendo», como já sabemos, não conta como comer. A quantidade colossal de pão que se consome ao mesmo tempo - as chamadas «buchas» - também não conta, porque se destina a um fim essencialmente humanitário, que é «fazer a cama ao vinho». (...) Tecnicamente, os petiscos terminam quando principia a refeição propriamente dita (o «conduto»). (...) Impõem-se agora - precisamente - uma sopinha (talvez de grão, certamente com massa). Para quê? - poder-se-á perguntar. Para «assentar». (...) Depois dos petiscos para abrir o apetite, do conduto para dar força, do pão para fazer a cama, do arrozinho para ensopar e da sopa para assentar, vem a sobremesa para «tirar o gosto da sopa», a fruta para «desenjoar» e o bagacinho para «fazer a digestão».»

E umas deliciosas macadâmias para receber o novo ano.

01/07/2004

Ligustro em flor


Foto: manueladlramos 0307 - Ligustro em flor- Largo D. Joao III (Porto) ; ao lado uma Grevillea robusta