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17/12/2005

Do berçário


Foto: pva 0512 - rebento de Brachychiton populneus

Depois de largar a sua carga de sementes, a casca seca do fruto do braquiquito (ou kurrajong) pode, como já aqui se ilustrou, servir de canoa para uns gnomos brincalhões com gorro de bolota. Quanto às sementes, é só cobri-las com uns centímetros de substrato humedecido e esperar para ver o que sai: no berçário aqui de casa germinou o rebento da foto, que condiz com o que o respectivo manual ensina sobre a planta. Agora tão tenra e minúscula, que fazer dela quando crescer?

29/06/2005

Descoberta graciosa



Fotos: pva 0506 - Brachychiton acerifolius - Rua da Graciosa, Porto

Família: Sterculiaceae
Do latim Sterculius, divindade ligada ao adubo da terra. Esta é uma família relevante no mundo alimentar por causa de 3 das suas espécies de origem tropical: a cola (Cola acuminata, de origem africana), cujas sementes são usadas no fabrico da bebida refrigerante homónima; o cacaueiro (Theobroma cacao, brasileira) de cujas sementes se faz a manteiga de cacau, o licor de cacau e o chocolate; e o cupuaçu (Theobroma grandiflorum, brasileira) cuja polpa é usada em doces e sorvetes.

Género: Brachychiton
Do grego brachys, que significa curto, e chiton, túnica, em alusão à penugem que envolve as sementes na vagem.

Espécie: acerifolius
Do latim acer e folius, refere-se à forma da folha, semelhante à do Acer saccharum.

Nome comum: árvore-do-fogo
As flores não têm pétalas: as campânulas vermelhas são formados pelos estames unidos.

Anterior do mesmo género: Brachychiton populneus

21/06/2005

Kurrajong




Fotos: pva 0501/0505 - Brachychiton populneus - Palácio de Cristal, Porto

A árvore da foto, situada no patamar superior do roseiral do Palácio de Cristal, é uma das mais bonitas do jardim, com o tronco maciço e a copa simétrica a sugerirem uma solidez imperturbável. Trata-se de um Brachychiton populneus, espécie originária da costa leste da Austrália. Uma possível designação portuguesa da árvore, conhecida no seu país pelo nome aborígene de kurrajong, é braquiquito (perferível ao braquiquitom defendido por alguns autores, pois a terminação om soa mal em português).

O ritidoma do braquiquito é cinzento-acastanhado, de textura granulosa, marcado por fissuras verticais. As folhas, lustrosas e pendentes, são algo semelhantes às dos choupos (daí o epíteto populneus), embora apresentem por vezes três lobos pontiaguados. Algumas árvores perdem a folhagem por um curto período no início do Verão, altura em que o chão à volta delas fica atapetado com as suas minúsculas flores (1,5 cm de diâmetro) em forma de campânula.

O braquiquito é muito resistente à falta de água e por isso usado na Austrália como forragem em períodos de seca; e, pela sua sombra ampla e forma harmoniosa, é também lá vulgarmente empregue na arborização de ruas e avenidas. No Porto, além do magnífico exemplar no Palácio de Cristal, há outros de menor porte na Rotunda da Boavista, em Serralves (mesmo à frente da Casa), na Rua do Bonjardim (perto do cruzamento com a Rua de Gonçalo Cristovão) e em vários outros locais da cidade; em Coimbra, encontramo-lo em abundância na alameda de entrada da Quinta das Lágrimas.